Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Cenário

Mulheres que se inspiram em mulheres: a força da representatividade na política

Mulheres compartilham quem são suas referências femininas na política e como essas inspirações moldam suas trajetórias e lutas.

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Inory Kanamari, Maria da Silva, Eliane Feitosa e Anne Moura (Foto: Arquivo pessoal/Celso Maia)

Manaus (AM) – A representatividade feminina na política é fundamental para a elaboração de políticas públicas que atendam às necessidades específicas das mulheres. O Portal AM1 conversou com mulheres que encontram inspiração em outras lideranças femininas no cenário político.

Entre as vozes que carregam a força da representatividade feminina, está a de Inory Kanamari, mulher indígena, advogada e palestrante, que encontra sua inspiração em mulheres indígenas e não indígenas.

“Me inspiro profundamente em mulheres indígenas e não indígenas que, com coragem e sabedoria, abrem caminhos para outras mulheres”, afirma.

Inory faz questão de destacar referências que representam não apenas conquistas, mas também resistência e transformação social. No contexto indígena, ela cita nomes que considera fundamentais em sua trajetória:

Jôenia Wapichana, sua maior referência, pela firmeza, pioneirismo e atuação no Direito;
Sônia Guajajara, pela voz potente na política, tanto no cenário nacional quanto internacional;
Alessandra Korap, pela luta incansável em defesa dos territórios indígenas;
Elizete Tikuna, artista que leva a identidade indígena para os palcos;
Jenny Tukano, modelo e atriz que rompe barreiras na moda e na arte, ampliando a representatividade dos povos originários.

Entre as não indígenas, ela também traz mulheres que, segundo ela, são sinônimos de ética, resistência e transformação social:

Ministra Rosa Weber, referência no Supremo Tribunal Federal (STF);
Ministra Cármen Lúcia, pela postura ética e firme no Judiciário;
Ministra Marina Silva, pela trajetória resiliente na defesa do meio ambiente e dos povos tradicionais.

Inory, porém, faz uma revelação pouco conhecida, mas de enorme valor simbólico para seu povo:

“Uma história que poucos sabem é que a ministra Rosa Weber também pertencia ao povo Kanamari, tendo sido batizada pelo cacique Raimundo como Haminah Kanamari. Assim, dizemos que ela foi a primeira Kanamari a ocupar uma cadeira no STF. Aqui estão livros que ganhei da ministra Rosa, que, carinhosamente, se referia a mim como sua sobrinha, justamente por compartilharmos esse pertencimento ao mesmo povo.” conta.

Para ela, essas mulheres são mais do que figuras públicas de sucesso. São símbolos vivos de que é possível ocupar espaços de poder sem abrir mão da dignidade, da resistência e do compromisso com a transformação.

“Elas me inspiram não apenas pelo lugar onde chegaram, mas, principalmente, pela forma como chegaram: com dignidade, resistência e um profundo compromisso com a transformação social”, reforça.

Inory Kanamari (Foto: Arquivo pessoal)

A secretária nacional de mulheres do PT, Anne Moura, também traz uma referência potente quando o assunto é representatividade e luta. Ela afirma que sua maior inspiração na política é Benedita da Silva, uma das figuras mais emblemáticas da história política brasileira.

“Uma das maiores inspirações que tenho é Benedita da Silva. Ela não é apenas uma referência política, mas um símbolo de resistência e de superação. Foi a primeira deputada federal negra a participar da Constituinte, e isso, por si só, já é um marco histórico. Benedita tem uma trajetória de muita luta, vindo de uma realidade de extrema vulnerabilidade, e construiu uma carreira política pautada na defesa dos direitos das mulheres, da população negra e das comunidades periféricas”, afirma Anne.

Benedita da Silva, que completa 83 anos ainda em plena vida pública, segue sendo, segundo Anne, uma fonte diária de inspiração e exemplo de compromisso com as causas sociais.

“Ela está prestes a completar 83 anos e permanece atuante, firme, de cabeça erguida, lutando pelas mesmas causas que sempre defendeu ao longo de sua trajetória. Para mim, ela representa exatamente isso: a mulher que não recua, que segue lutando, que não se cansa de fazer política para transformar a vida das pessoas. Ela é, sem dúvidas, uma inspiração diária”, destaca.

Para Anne, olhar para a trajetória de Benedita da Silva é reafirmar o compromisso com a luta das mulheres na política e com a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

“Ela abriu caminhos para muitas de nós. É graças a mulheres como ela, que enfrentaram o racismo, o machismo e tantas outras barreiras, que hoje conseguimos ocupar espaços e continuar essa luta. Benedita é, para mim, um farol. Uma mulher que me inspira e que seguirá inspirando gerações”, conclui.

Anne Moura e Benedita da Silva (Foto: Arquivo Pessoal)

Para Eliane Feitosa, estudante de jornalismo, que vê na deputada estadual Alessandra Campêlo (PODE) uma referência de força, competência e representatividade feminina na política.

Eliane relata que sua admiração por Alessandra vai além da atuação parlamentar. Ela se inspira na trajetória da deputada, que é jornalista da mesma área que ela que é apaixonada, pós-graduada em planejamento governamental e orçamentos públicos, além de policial civil concursada.

“Vejo nela uma mulher empoderada, de fibra, que luta pelos direitos das mulheres e das famílias. Ela dá vez e voz às mulheres, luta por quem mais precisa e apoia projetos sociais, principalmente na área do esporte, que oferecem aos jovens e adolescentes oportunidades de uma vida melhor. Me inspiro nela exatamente por isso”, afirma Eliane.

Vivendo na própria pele os desafios da falta de oportunidades, Eliane compartilha que cresceu em um contexto de escassez de projetos sociais e de cursos profissionalizantes gratuitos. Por isso, sonha em trilhar um caminho semelhante ao da sua inspiração.

“Pretendo ser como Alessandra. Sempre participo de projetos, palestras e rodas de conversa para entender as necessidades da comunidade. Converso com vizinhos e conhecidos para saber o que falta nos bairros. Meu plano é entrar na política e desenvolver projetos sociais voltados para mulheres e famílias, criando oportunidades para que elas possam aprender uma profissão, gerar renda e conquistar sua independência”, explica.

Eliane destaca que seu olhar também se volta para os jovens e adolescentes, com projetos que promovam capacitação profissional, reforço escolar e incentivo ao esporte.

“Quero investir em educação, oferecer aulas de reforço, cursos profissionalizantes e atividades esportivas que tirem as crianças das ruas e dos celulares, dando a elas uma vida com mais qualidade e dignidade. Assim como Alessandra Campêlo, quero garantir que as vozes de mulheres e mães sejam ouvidas, e que a política seja uma ferramenta de transformação social”, reforça.

Por fim, Eliane deixa claro que acredita na importância da representatividade feminina nos espaços de poder.

“A política precisa de mais mulheres. Precisamos ocupar esses espaços para inspirar, empoderar e ajudar outras mulheres. A política é essencial dentro das comunidades, especialmente para fortalecer a sociedade feminina e construir um mundo mais justo e igualitário. Alessandra é minha inspiração por sua história de vida, suas lutas e sua defesa pela igualdade, especialmente das mulheres e das famílias”, conclui.

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Eliane Feitosa (Foto: Arquivo Pessoal)

Para Maria da Silva, digitadora do Cadastro Único, a inspiração na política vem de uma figura próxima, que ela acompanha. Ela destaca como referência a primeira-dama de Borba, Keila Carbajal, esposa do prefeito Toco Santana.

Maria da Silva (Foto: Celso Maia/Portal AM1)

“Tenho uma admiração muito grande pela primeira-dama Keila Carbajal. Ela não deixa de ser uma referência na política local. É uma mulher incrível, maravilhosa, que eu pude conhecer pessoalmente. O que mais me encanta nela é seu jeito carismático, acolhedor e sua disposição em ajudar quem quer que seja. Ela estende amor e apoio a todos, sem fazer distinção. Está sempre presente, acompanhando, ouvindo e ajudando”, afirma Maria.

Maria ressalta que a inspiração não vem apenas do cargo que Keila ocupa, mas da forma como ela exerce sua função, sempre próxima da comunidade, ouvindo as demandas, participando dos projetos sociais e estendendo a mão a quem mais precisa.

“Ela é aquela pessoa que chega, escuta e se importa. A gente percebe que ela faz porque gosta de ajudar, porque se preocupa com as pessoas. Isso, pra mim, é muito inspirador. Me faz acreditar que é possível estar na política e, ao mesmo tempo, manter o lado humano, o lado do cuidado com o próximo”, completa.

Para Maria, mulheres como Keila Carbajal mostram que, mesmo em espaços tradicionalmente ocupados por homens, é possível exercer um papel de liderança pautado no amor, no cuidado e no compromisso com as pessoas.

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