O festival desse ano, que é pré-eleitoral, deve movimentar as alianças - (Fotos: Assessorias)
Manaus (AM) – O Festival Folclórico de Parintins, conhecido mundialmente pela disputa entre os bois Garantido e Caprichoso, que acontece neste fim de semana, vai muito além do espetáculo cultural. A Ilha Tupinambarana se transforma também em um dos epicentros da política amazonense, atraindo deputados, governadores, ministros e lideranças de todo o país. Mais do que presença institucional, o evento se consolida como vitrine política, palco de alianças estratégicas e espaço para articulações.
Foi durante o festival de 2022 que a imagem do então desconhecido na política Tadeu de Souza ao lado de Wilson Lima e David Almeida ganhou repercussão. Nos bastidores, circulou, na época, que a escolha do vice na chapa de reeleição do governador foi sacramentada em um camarote do Bumbódromo, após David apresentar uma lista tríplice, da qual Tadeu saiu vitorioso.
Neste ano pré-eleitoral, a movimentação política segue intensa. A Ilha Tupinambarana já está recebendo visitas de pré-candidatos, como o senador Omar Aziz (PSD), que vai disputar o Governo do Amazonas. Ele esteve recentemente na cidade, onde reforçou articulações. O senador Eduardo Braga (MDB), que busca reeleição em 2026, também aproveitou para cumprir agendas em Parintins. Já o governador Wilson Lima (União Brasil), que deve concorrer ao Senado, nos últimos dias vem realizando inaugurações e anunciando investimentos na cidade.

David, Wilson e Tadeu de Souza em junho de 2022, durante o Festival de Parintins (Foto: Divulgação/Assessoria)
Um dos movimentos esperados nos bastidores do festival é a reaproximação entre o governador Wilson Lima e o vice, Tadeu de Souza. Segundo fontes, ambos estariam ensaiando uma possível aliança para as eleições de 2026.
Esse clima de articulação pode ganhar ainda mais força durante a comemoração de aniversário de Wilson, que, como de costume, será celebrada na ilha. O evento deve reunir políticos, lideranças e personalidades, servindo como mais um espaço simbólico para costuras políticas e projeções eleitorais.
E como na política tudo muda rapidamente, é nos corredores ou camarotes do festival que novas alianças podem surgir, ou mesmo antigas parcerias podem ser renovadas. O ambiente efervescente do evento favorece encontros informais, conversas estratégicas e costuras que muitas vezes definem os rumos da disputa e reconfiguração do poder político no Amazonas.
Nomes de peso no festival
Além dos principais nomes da política local, como o presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), Roberto Cidade, o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL) e vários deputados estaduais e federais, há expectativa também de presenças nacionais.
Figuras como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Roberto Barroso, devem marcar presença no festival.
Em 2024, os ministros Celso Sabino (Turismo) e Wellington Dias (Desenvolvimento e Assistência Social) também estiveram no evento.
Parintins consolidada como vitrine política
De acordo com o cientista político Helso Ribeiro, o Festival de Parintins, independentemente do ano, sempre se consolida como uma vitrine política no Amazonas.
“Parintins, não importa qual ano, é sempre uma vitrine, é sempre um holofote para políticos. Isso já se tornou uma tradição”, afirma.
Ele pondera, no entanto, que em 2025 o festival ainda não deve ser o principal palco das definições políticas, já que as convenções partidárias ocorrem apenas no fim de julho e início de agosto de 2026.
“Eu diria que o grosso, realmente, vai ser no boi de 2026, que é o ano das eleições. Agora é mais articulação aqui, outra ali… ainda está distante de fechar algo de fato”, analisa.
Helso também lembra que até lá, o cenário político passará por marcos importantes, como o prazo de desincompatibilização de cargos em março de 2026, caso nomes como Wilson Lima ou David Almeida queiram disputar novos cargos. Até lá, segundo ele, o clima será de muita especulação, e o Festival de Parintins seguirá sendo parte desse “mingau político”.
Presença estratégica
O sociólogo Luiz Antonio avalia que, embora o impacto das redes sociais tenha reduzido a necessidade de presença física em eventos, o Festival de Parintins continua sendo uma oportunidade estratégica para pré-candidatos reforçarem suas bases políticas.
“No passado, antes das redes sociais, a presença física em festivais como Parintins era fundamental para que pré-candidatos fossem vistos e lembrados. Hoje, com o impulsionamento digital, eles conseguem visibilidade sem estarem no local. Mas, ainda assim, a ida ao festival é uma chance valiosa de reaproximação com suas bases”, explica.
Segundo ele, mais do que conquistar o público geral, o foco das articulações políticas no festival está nas lideranças locais e formadores de opinião – como presidentes de comunidades, sindicatos e associações, além de comerciantes influentes e dirigentes dos bois.
“Esses encontros servem para fortalecer alianças ou construir novas redes políticas. Quem já contribuiu com o festival, como parlamentares que destinaram emendas, larga na frente nas articulações com essas lideranças. O brincante quer festejar. Mas os bastidores políticos do festival são disputados por quem busca manter influência nas decisões futuras.”
Camarotes políticos
O advogado, sociólogo e cientista político Carlos Santiago analisa que o Festival de Parintins, assim como o Carnaval de Manaus, se consolidou ao longo dos anos como uma vitrine política. Para ele, esses eventos são usados por políticos e grupos de poder como oportunidades de exposição pública e articulação eleitoral.
“Há muitos anos, tanto o Festival Folclórico de Parintins quanto o Carnaval de Manaus viraram vitrines para a aparição de políticos e promoção de grupos que querem conquistar, manter ou ampliar seus domínios eleitorais”, afirma.
Apesar disso, Santiago destaca que a maior parte do público que participa dessas festas populares, seja no samba, seja no boi-bumbá, não aprova essa mistura entre cultura e política.
“Quem vai ao Carnaval quer pular, brincar, fugir da rotina. E quem vai brincar de boi está muito mais interessado nas cores azul e vermelha, nas apresentações, na euforia da festa, do que em aplaudir político em camarote luxuoso”, critica.
Lula e o reconhecimento oficial
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o único chefe do Executivo brasileiro a visitar o Festival de Parintins, em 2003. Em seu atual mandato, a expectativa por uma nova visita permanece, mas, até o momento, a presença este ano ainda não foi confirmada.
Em 2024, Lula sancionou neste ano o projeto de lei que reconhece oficialmente o Festival Folclórico de Parintins como manifestação da cultura nacional, reforçando sua importância histórica e cultural.
R$ 10 milhões em apoio federal
Em 6 de junho, o Ministério do Turismo anunciou um investimento de R$ 10 milhões para a realização do 58º Festival de Parintins. A medida visa impulsionar o turismo e aquecer a economia local, que se fortalece a cada edição do evento.
De acordo com o ministro Celso Sabino, o objetivo é valorizar a cultura regional e ampliar o alcance do festival, que em 2024 atraiu mais de 120 mil visitantes – superando os números de 2023 (110 mil) e 2022 (111.498).
“O Festival de Parintins é um patrimônio do nosso país. É cultura, identidade, história viva do povo amazônida. Esse apoio do governo federal é um reconhecimento da grandiosidade do evento e do seu potencial de transformar vidas por meio do turismo e da economia criativa”, declarou Sabino.
Colégio eleitoral estratégico
Parintins é o segundo maior colégio eleitoral do Amazonas, com mais de 72 mil eleitores, segundo dados do TRE-AM de 2022. Esse dado reforça ainda mais a relevância política da cidade e do festival – que se consolida como um dos palcos mais importantes para quem mira 2026.
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