Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Economia

Indústrias do AM analisam impacto de tarifas dos EUA e pedem resposta estratégica

Entidades industriais do Amazonas avaliam como limitado o impacto direto da medida, mas alertam para efeitos indiretos nas importações.

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(Foto: Divulgação/Suframa via Gov Br)

Manaus (AM) – Diante do anúncio das tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos ao Brasil, a Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) e o Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), ouvidos pelo Portal AM1, analisam os impactos sobre o Polo Industrial de Manaus.

Enquanto a Fieam aponta riscos significativos para as exportações e alerta para a necessidade de diversificação de mercados, a Cieam avalia que os efeitos diretos tendem a ser limitados, com maior preocupação voltada às importações de insumos essenciais. Ambas destacam a importância de uma resposta estratégica e coordenada entre governo e setor produtivo.

Apesar de alinhadas na defesa da cautela, da relevância das importações norte-americanas e da importância de uma resposta estratégica coordenada, as duas entidades demonstram nuances em suas posições. A FIEAM adota uma postura mais alarmada, destacando os possíveis impactos globais sobre a economia do Amazonas. Já a CIEAM minimiza os efeitos nas exportações e direciona o foco para a preservação do modelo Zona Franca de Manaus, que enxerga como um amortecedor diante da crise.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira (9) que aplicará uma tarifa de 50% sobre produtos importados do Brasil. A nova alíquota entrará em vigor a partir de 1º de agosto.

Trump divulgou a decisão em carta endereçada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), publicada na rede social Truth Social. No documento, atribuiu a medida à suposta relação comercial injusta entre os países e à postura do Supremo Tribunal Federal (STF) em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O Portal AM1 ouviu representantes da indústria amazonense sobre os possíveis impactos econômicos da medida. Para o presidente da Fieam, Antonio Silva, trata-se de um “duro golpe” para a economia brasileira, com reflexos diretos na indústria e no comércio do Amazonas.

Silva também alertou que eventuais retaliações podem intensificar o conflito político com os Estados Unidos.

“É preciso cautela e firmeza na condução da política comercial. Retaliações precipitadas podem escalar o conflito com os EUA, aprofundando a instabilidade. O momento exige diálogo diplomático e defesa estratégica dos interesses brasileiros”, afirmou Antônio Silva.

A declaração reflete preocupações com a condução diplomática do governo Lula, que, por sua vez, afirmou, nesta quarta-feira (9), que o ‘tarifaço’ de 50% a todos os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos será respondido com a Lei de Reciprocidade Econômica.

A legislação brasileira sancionada em abril permite suspender concessões comerciais, investimentos e obrigações relacionadas à propriedade intelectual em resposta a medidas unilaterais que afetem negativamente a competitividade do país no cenário internacional.

Segundo o Cieam, no entanto, a nova tarifa anunciada pelos Estados Unidos terá impacto limitado sobre a Zona Franca de Manaus (ZFM), afetando mais as importações do que as exportações.

“O Amazonas, por sua vez, ocupa a 18ª posição, com exportações que somam aproximadamente US$ 99 milhões, o que demonstra uma baixa dependência do mercado norte-americano no contexto do Polo Industrial de Manaus (PIM). Portanto, o impacto nas exportações da ZFM tende a ser limitado e gradual, dada a pouca representatividade dos EUA como destino das vendas externas da região”, pontuaram.

A entidade avalia que, como os Estados Unidos não figuram entre os principais destinos das exportações da ZFM, os efeitos da medida sobre as vendas externas da região tendem a ser pontuais e graduais.

No entanto, o Cieam adverte que uma eventual retaliação brasileira poderá afetar significativamente as importações. O Polo Industrial de Manaus depende de insumos norte-americanos, sobretudo no setor termoplástico. Em 2024, o volume importado de polímeros dos EUA chegou a US$ 600 milhões, fundamentais para a cadeia produtiva local.

“Caso o Brasil decida adotar medidas de retaliação comercial, isso poderá afetar as tarifas de importação, gerando impacto direto no custo dos insumos e, consequentemente, na competitividade das indústrias instaladas na Zona Franca. É nesse cenário que o modelo ZFM evidencia sua relevância estratégica, ao proporcionar vantagens comparativas que compensam, em parte, as distorções provocadas por medidas protecionistas externas”, informou o Cieam em nota ao Portal AM1.

Técnicos do Governo do Amazonas também minimizam o impacto da tarifa sobre a Zona Franca. Segundo eles, as exportações do Polo Industrial de Manaus para os Estados Unidos representam uma fatia pouco expressiva do faturamento do setor.

A Secretaria de Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti) afirmou que o aumento das tarifas não deve afetar significativamente a ZFM. O secretário da pasta, Serafim Corrêa, declarou que os efeitos da taxação anunciada por Trump são “mínimos” sobre o Polo Industrial.

Dados da Sedecti indicam que, em 2025, as exportações para os EUA tendem a cair ainda mais. Atualmente, o país responde por apenas 8,74% das compras de produtos da ZFM, atrás de Alemanha, China, Argentina e Colômbia.

Apesar da avaliação da Sedecti, a Secretaria da Fazenda do Amazonas (Sefaz) alertou para um possível efeito colateral: a desvalorização do real frente ao dólar, o que pode encarecer insumos importados, elevar os custos de produção e comprometer a competitividade das indústrias locais.

 

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