Manaus, 6 de julho de 2026
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Cenário

Donald Trump taxa, bancada do Amazonas fica em silêncio

Presidente impõe taxação de 50% sobre a importação e apenas quatro dos 11 parlamentares federais se manifestam.

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Bancada do Amazonas no Congresso Nacional - Foto: (Carlos Moura/Andressa Anholete/Agência Senado/Zeca Ribeiro/Marina Ramos/Kayo Magalhães/Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

Brasília (DF) – Após o anúncio do aumento de 50% nas taxas de importação aplicadas ao Brasil pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quarta-feira (9), a maioria da  da bancada do Amazonas manteve o silêncio, mesmo diante da possibilidade de impactos sobre a Zona Franca de Manaus (ZFM).

 Dos 11 parlamentares, apenas  quatro se posicionaraam publicamente: os deputados federais Amom Mandel (Cidadania), Capitão Alberto Neto (PL) e Fausto Junior (União Brasil) e o senador Eduardo Braga (MDB).

Ao Portal AM1, Amom Mandel destacou que independente da motivação política, “não é aceitável que se coloque em risco o sustento de uma região inteira por disputas que ultrapassam nossas fronteiras”.

Sobre um possível impacto à Zona Franca, o parlamentar informou que desestabilizar a região “é agir contra o Brasil”.

“A Zona Franca não é um privilégio, é uma estratégia nacional de ocupação da Amazônia com geração de emprego, inovação e desenvolvimento. Desestabilizá-la, em nome de um jogo de forças geopolítico e ideológico, é agir contra o próprio Brasil,” disse Mandel.

No plenário da Câmara, Alberto Neto aproveitou o momento de votação do PL 769/2024,  para colocar a culpa da taxação no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT),  acusando o chefe de estado  de “falhas diplomáticas” na condução das relações.

Fausto Junior também responsabilizou o governo federal e o presidente Lula, afirmando que “o que vai colocar comida na mesa das pessoas não é uma narrativa, não é uma ideologia. E a responsabilidade de governar é de quem governa.”

Para ele, o Congresso precisa agir.

Diferente dos deputados, o senador Eduardo Braga, comentou o caso de forma conciliadora e pediu diplomacia.

“Não cabe mais uma lógica de vencedores e vencidos num mundo tão interligado. É hora de defender a soberania do Brasil com firmeza e respeito aos nossos laços históricos com os EUA,” disse o parlamentar em suas redes sociais.

Os deputados Adail Filho (Republicanos), Pauderney Avelino (União Brasil), Silas Câmara (Republicanos), Átila Lins (PSD), Sidney Leite (PSD)  e os senadores Omar Aziz (PSD) e Plínio Valério (PSDB) não se posicionaram até o momento sobre a taxação, nem nas redes sociais nem por meio de nota.

O que dizem os especialistas?

O advogado tributarista Leonardo Roesler, destacou ao Portal AM1 que a medida por causar uma desornanização das cadeias produtivas e logísticas relacionadas à exportação, como aço, alumínio, agroindústria e celulose.

“O aumento tarifário compromete a competitividade do produto brasileiro nos Estados Unidos, tornando-o artificialmente mais caro em comparação a concorrentes de países que gozam de acordos comerciais ou preferências tarifárias com aquele mercado,” pontuou o especialista.

Ele alertou que a medida pode provocar um desequilíbrio na balança comercial e abalar a estabilidade nas relações internacionais.

“É um alerta sobre a urgência de uma política externa mais pragmática, menos ideológica e mais comprometida com a previsibilidade, segurança jurídica e soberania nacional,” explicou o advogado.

ZFM: Impacto “quase insignificante”

Para a Zona Franca de Manaus (ZFM), apesar do impasse nacional o superintendente da Suframa, Bosco Saraiva, afirmou nesta quinta-feira (10) estar alinhado com Lula e que o impacto gerado pela tarifa de Trump é “quase insignificante”.

“Esse volume é quase insignificante (…) para o faturamento que temos divulgado regularmente nos últimos tempos. Evidentemente, que a cautela e a prudência neste momento deve ser norte do nosso comportamento, ” disse Bosco Saraiva.

Foto: (Suframa/Divulgação)

O presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Jorge Nascimento, pontuou que a medida não impacta diretamente a ZFM, pois o polo não importa para os Estados Unidos.

Jorge Nascimento ainda destacou a reportagem que a decisão de Trump pode gerar uma mudança de fluxo dos produtos.

“Esse movimento pode provocar uma reacomodação nos preços, pra cima ou pra baixo, ainda incerta, mas com potencial de afetar diversas cadeias industriais, inclusive a nossa,” disse o presidente.

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