Manaus, 6 de julho de 2026
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Cidades

Poluição avança e ameaça saúde do rio Tarumã-Açu

Dados mostram aumento de coliformes fecais e queda no índice de qualidade da água ao longo dos últimos três anos, alerta especialista.

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(Foto: Divulgação e Divulgação/ Ivo Brasil)

Manaus (AM) – Apesar de ainda apresentar uma qualidade considerada aceitável, o rio Tarumã-Açu, em Manaus, vem demonstrando sinais consistentes de deterioração ao longo dos últimos três anos. Estudos realizados com base em monitoramento contínuo da água em 15 pontos da bacia hidrográfica revelam uma tendência preocupante de piora na maioria dos indicadores de qualidade.

O Portal AM1 entrou em contato com o doutor em Físico-Química, Sergio Duvoisin Junior, da UEA, coordenador do grupo de pesquisa ‘Química Aplicada à Tecnologia-GP QAT, responsável pelas análises da qualidade da água do Tarumã-Açu. Segundo ele, embora os parâmetros avaliados ainda estejam dentro dos limites estabelecidos pela Resolução CONAMA 357 para águas brutas, os dados indicam que a qualidade tem piorado gradualmente desde o início do monitoramento.

“O que a gente tem notado, por ter esse monitoramento, é que mesmo estando dentro dos parâmetros, a qualidade está piorando, se eu olhar hoje e há 3 anos atrás, a qualidade piorou, para todos os parâmetros que entram no índice de qualidade de água”, informou Sergio.

Ao ser questionado sobre o que os dados indicam em relação às possíveis fontes de contaminação por coliformes fecais (bactérias que indicam contaminação fecal na água) e se há relação com esgoto doméstico ou outras atividades humanas, o professor trouxe uma série de reflexões que apontam para múltiplos fatores atuando na bacia do Tarumã-Açu.

Ele destacou, por exemplo, a presença de flutuantes, restaurantes, comunidades ribeirinhas e grandes condomínios, cuja infraestrutura de tratamento de efluentes é incerta, não se sabe ao certo se as estações de tratamento estão operando de forma adequada. Além disso, mencionou as estações de tratamento da própria concessionária, que também precisariam ser revistas quanto ao seu funcionamento.

Os dados coletados em 15 pontos distintos ao longo da bacia permitem observar com mais precisão essas variações, revelando um aumento significativo nos níveis de coliformes totais e termotolerantes, especialmente nas regiões do médio para o baixo Tarumã-Açu. Essa tendência parece reforçar a hipótese de que as atividades humanas têm papel central na contaminação observada.

“É um volume enorme de dados que a gente gera em relação a coliformes totais ou termotolerantes. A gente está vendo um aumento na quantidade de coliformes termotolerantes e um aumento muito grande na bacia, principalmente do médio para o baixo Tarumã- Açu”.

O especialista também destacou a influência da sazonalidade: durante o período de cheia, o maior volume de água ajuda a diluir os poluentes, mascarando parcialmente os níveis de contaminação. Porém, na seca, com o volume reduzido, os dados expõem com mais clareza o acúmulo de poluentes, principalmente coliformes fecais, que vêm aumentando ano após ano.

Ainda assim, o índice médio de qualidade da água (IQA) do Tarumã-Açu está atualmente em torno de 74 %, numa escala de 0 a 100%, o que indica uma condição entre aceitável e boa. No entanto, o pesquisador ressalta que a média vem caindo gradualmente e que o rio está dando sinais de alerta.

“No índice que a gente coloca ali, que é o índice de qualidade de água de 0 a 100%, na média o Tarumã- Açu está em torno de 74%, se eu tiver que dar um número agora para você, que é a média desses três anos”.

Segundo o professor, para evitar que o Tarumã-Açu siga o mesmo caminho de degradação de outros corpos hídricos de Manaus, como os igarapés do Educandos e São Raimundo, que já atingem níveis milionários de coliformes e se tornaram impróprios até para o banho, medidas precisam ser tomadas com urgência.

Entre as ações recomendadas estão o reforço na fiscalização de estações de tratamento em condomínios e comunidades, auditoria no funcionamento das estruturas operadas pela concessionária e controle mais rígido sobre os flutuantes e demais atividades ao longo da bacia.

“A bacia está nos dando um recado. Ela está dizendo que está conseguindo, por enquanto, aceitar toda essa carga de poluentes que ela está recebendo, mas que a qualidade das suas águas está piorando pouco a pouco. Esse é o momento de tomar alguma atitude”. Alertou o doutor Sérgio Duvoisin.

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