(Foto: Divulgação/Freepik)
Manaus (AM) – Concursos públicos continuam sendo uma das principais portas de entrada para brasileiros que sonham com estabilidade financeira e qualidade de vida. O perfil dos chamados “concurseiros” vem se transformando, mas durante participação no Programa AM1 Entrevista do Portal AM1, o advogado, mentor e professor Marcos Santos, a faixa etária predominante está entre 30 e 55 anos.
“Hoje nós temos muitos jovens procurando uma vaga no setor público, mas o maior público ainda são pessoas em transição de carreira. São profissionais que saem do distrito industrial, que já enfrentaram uma rotina muito pesada, muitas vezes cansativa, e que buscam agora um futuro mais estável. Eles procuram não apenas o salário, mas também a segurança, a tranquilidade, os benefícios que o serviço público oferece. É um movimento muito forte. E, claro, os jovens também estão presentes, mas em número menor, porque muitos continuam focados em vestibular e graduação. Quem realmente domina os concursos hoje são aqueles que já passaram dessa fase inicial da vida acadêmica e querem uma mudança real de vida para si e para a família”, destacou.
Segundo ele, a motivação principal vai além do salário, que em alguns certames chega a R$ 10 mil ou mais.
“É claro que o salário chama atenção, principalmente quando falamos de cargos que chegam a R$ 10 mil, R$ 15 mil ou até R$ 24 mil. Mas não é só isso. A estabilidade, o plano de saúde, a possibilidade de planejar o futuro, tudo isso pesa muito na escolha. E a maioria dos candidatos pensa na família. Quando alguém busca um concurso, ele não pensa só em si, pensa em dar uma condição melhor para os filhos, para o cônjuge, para os pais. O setor público, com todos os seus benefícios, representa para muitos uma verdadeira mudança de vida”, completou.
Persistência é o diferencial
Apesar de histórias de sucesso, o professor ressalta que não existe fórmula mágica. A preparação exige tempo, constância e, principalmente, resiliência.
“Não passa em concurso quem é mais inteligente. Passa quem não desiste, quem tem disciplina e quem sabe usar estratégias de estudo. Eu mesmo já fui reprovado inúmeras vezes. Fiz concurso sem estudar e, claro, fui eliminado. Depois, quando comecei a me preparar de verdade, passei a evoluir. Primeiro, você sai do ‘não classificado’, depois passa a ser classificado, e só então chega ao ‘aprovado’. É um processo. E a diferença entre o aprovado e o que ficou pelo caminho é não desistir. Só não passa em concurso público quem desiste”, frisou.
O professor também reforça que a reprovação faz parte do caminho.
“Eu mesmo já pensei em desistir. Chorei, desanimei, mas continuei. E foi essa constância que me levou adiante. O concurseiro precisa entender que concurso não se passa muito rapidamente. É treino, é disciplina, é persistência. Quem acredita que vai estudar dois meses e passar logo de primeira pode até conseguir, mas isso é exceção. A regra é estudar um, dois, três, até cinco anos. O importante é não perder o foco”, disse.
Preparação presencial x online
Outro ponto levantado por Marcos Santos é a forma de preparação. Ele avalia que, embora a tecnologia tenha facilitado o acesso a materiais e aulas online, os cursos presenciais ainda têm peso importante.
“O online te dá liberdade. Você pode carregar o conhecimento no bolso, estudar no celular, no tablet, a qualquer hora e em qualquer lugar. Isso é fantástico e muita gente gosta. Mas exige disciplina. Você precisa ser muito focado, porque em casa tem todo tipo de distração. Já o presencial te dá compromisso, te obriga a estar lá todos os dias, no horário marcado. Além disso, no presencial, você troca ideias com colegas, tira-dúvidas na hora, cria um ambiente de motivação. Para mim, o presencial ainda é mais efetivo, porque concurso também é humanidade, é troca, é convivência. O online é só você e uma tela”, avaliou.
O cenário no Amazonas
No Amazonas, as perspectivas são variadas para quem busca uma vaga. Entre os concursos mais esperados, ele destaca os da Assembleia Legislativa do Estado (ALEAM), Secretaria Municipal de Educação (Semed), Secretaria Estadual de Saúde (SES), além da Guarda Municipal e da Defensoria Pública.
Além disso, segundo ele, há também previsão de certames para a Secretaria de Finanças de Manaus, com salários de até R$ 24 mil, e o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), cujos cargos chegam a pagar R$ 10 mil para nível médio.
“Esse é um momento excelente para quem está estudando. Nós temos ALEAM, que já definiu banca e deve lançar edital ainda em agosto, com mais de 300 vagas entre imediatas e cadastro reserva. Temos Semed, com mais de 3 mil oportunidades, tanto para professores quanto para cargos administrativos. Temos a SES, que deve lançar um concurso histórico, porque há anos não contrata por certame, e a carência na saúde é gigantesca. Fora isso, tem a Defensoria, o Detran, a Guarda Municipal e até a Secretaria de Finanças de Manaus, com salários que podem mudar a vida de qualquer candidato. Então, as oportunidades estão aí, mas só vão aproveitar quem já está estudando agora, não quem esperar o edital sair”, alertou.
Concurseiros como protagonistas
O especialista defende que os amazonenses que pretendem passar em concursos desenvolvam a cultura de estudar de forma contínua.
“Muitos candidatos de fora vêm preparados há 10 anos. Eles chegam e ocupam as melhores vagas aqui no estado. Nós precisamos mudar essa realidade. O amazonense também tem capacidade, mas precisa criar esse hábito de estudar antes. Quem estuda um pouco todos os dias chega muito mais longe do que quem tenta correr tudo de última hora. É esse perfil que vence, o perfil persistente e organizado”, afirmou.
Para ele, mais do que estabilidade, os concursos públicos são um instrumento de transformação social.
“Quem estuda se transforma, e transforma também a vida da família. A maior riqueza que a gente pode deixar é o conhecimento. Quando você passa em um concurso, não é apenas você que muda de vida, mas toda a sua família. É qualidade de vida, é segurança, é tranquilidade. Esse é o verdadeiro valor de um concurso público”, finalizou.
LEIA MAIS





