Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Política

Tensão entre EUA e Venezuela pode afetar América Latina, avalia especialista

Professor de Relações Internacionais, Jonathan Lopes, alerta que o conflito pode impactar outros países e atingir diretamente o Brasil.

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(Foto: oficial da Casa Branca por Gabriel Kotico/Via Fotos Públicas)

Manaus (AM) – O avanço das tensões entre Estados Unidos e Venezuela pode desencadear impactos em diversos países da América Latina. A avaliação é do professor universitário e cientista social Jonathan Lopes, secretário-geral do Núcleo de Relações Internacionais do Amazonas da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam). Em entrevista ao Portal AM1, ele destacou que a região pode se tornar alvo de novos movimentos de pressão norte-americana.

Durante o programa AM1 Entrevista, do Portal AM1, o professor doutor Jonathan Lopes, alegou que política externa dos EUA mudou a partir do governo Donald Trump, quando houve uma estratégia para recuperar espaço perdido para a China no continente.

“A partir de agosto, vamos ter uma série de medidas que o governo Trump vai tomando, desde a autorização do uso das forças armadas fora do país para o combate ao narcotráfico, que eles chamaram de narcoterrorismo. E não por acaso a Venezuela é escolhida como o projeto-piloto dessa nova política externa intervencionista norte-americana, baseada nessa ideia que eles criaram do narcoterrorismo. E por que a Venezuela? Porque, já há muito tempo, desde o período do Hugo Chávez, ela é um alvo muito forte, justamente por não manter um alinhamento direto com os Estados Unidos”, explicou o professor.

No entanto, os desdobramentos não ficam restritos à Venezuela. Lopes alerta que, caso a estratégia seja bem-sucedida, medidas semelhantes poderão atingir outros países da região.

“A lógica é clara: ampliar a presença norte-americana e criar condições de influência direta sobre governos locais”, afirmou.

O professor apresentou três cenários para a evolução do conflito. O mais otimista envolveria a retirada da frota norte-americana próxima à costa venezuelana e a retomada de negociações. Já o mais provável, na visão dele, seria o cercamento econômico, com bloqueio da circulação de navios venezuelanos e agravamento da crise no país.

O cenário pessimista prevê confronto direto, com risco de efeito em cascata em toda a região, incluindo fluxos migratórios e instabilidade política

“Qual seria o cenário mais provável e mais realista? Que os Estados Unidos permaneçam com a sua frota e façam uma estratégia de cercamento e estrangulamento econômico, ou seja, não deixem que navios venezuelanos saiam para o mundo. E isso, com o intuito não de causar porque as sanções já causaram uma crise econômica, mas de agravar ainda mais a crise na Venezuela, impedindo que o país importe e exporte produtos. Assim, os Estados Unidos fazem o cercamento e impedem que os navios circulem por aquela área. Esse me parece ser o cenário mais provável”, disse o professor.

EUA e Venezuela

O governo dos Estados Unidos determinou o envio de mais um navio de guerra e de um submarino de ataque rápido para o sul do mar do Caribe, próximo à costa da Venezuela, informou a agência Reuters. De acordo com fontes ouvidas pela agência, a região deve receber já no início da próxima semana o USS Lake Erie, um cruzador equipado com mísseis guiados, e o USS Newport News, um submarino nuclear de ataque rápido.

As Forças Armadas norte-americanas não detalharam a missão específica das embarcações, mas afirmaram que os recentes deslocamentos têm como foco combater ameaças à segurança nacional representadas por “organizações narcoterroristas” identificadas na área.

Na semana anterior, os EUA já haviam reforçado a presença militar na mesma região com navios de guerra, aeronaves, ao menos um submarino e cerca de 4 mil soldados, segundo informações da Reuters e da Associated Press.

A operação tem como propósito intensificar o enfrentamento aos cartéis de drogas que utilizam rotas no Caribe para transportar entorpecentes da América do Sul em direção ao território norte-americano.

 

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