Manaus (AM) – A capital amazonense e diversas cidades do interior do Amazonas seguem convivendo com a instabilidade no fornecimento de energia elétrica.
Se na capital os apagões periódicos prejudicam a rotina de famílias e empresas, no interior a situação é ainda mais grave: comunidades inteiras continuam dependendo de sistemas isolados movidos a diesel, que funcionam apenas algumas horas por dia e deixam populações à mercê da “escuridão energética”.
Apagões constantes
No dia 7 de março, um apagão atingiu Manaus e os municípios de Itacoatiara, Parintins e Presidente Figueiredo.
Já no dia 2 de abril, outro apagão afetou a capital, Iranduba, Manacapuru, Presidente Figueiredo, Parintins e Itacoatiara.
Somente 13 dias depois, alguns bairros da capital e os municípios de Iranduba e Manacapuru também sofreram interrupções no fornecimento de energia elétrica.
Em outros municípios como Manicoré a situação é ainda mais crítica, em abril o município ficou mais de 40 dias sem energia, o que afetou 15 comunidades rurais. O mesmo aconteceu em Anori e Tefé.
Condição diária
De acordo com o ambientalista, gestor de projetos no terceiro setor e especialista em energia solar, Janderson Sarmento, embora o Brasil esteja prestes a alcançar a universalização da energia elétrica, o 1% restante sem acesso pleno está concentrado justamente em populações indígenas e tradicionais da Amazônia.
“A ‘escuridão’ é uma condição diária e multifacetada, imposta por um modelo energético precário baseado nos chamados sistemas isolados. O diesel é caro, barulhento, poluente e intermitente, o que compromete saúde, educação, segurança alimentar, transporte e comunicação dessas comunidades”, destacou.
Energia soltar como solução
Em muitos municípios do AM, o diesel ainda precisa ser transportado em barcos por longas distâncias, dividindo espaço com passageiros e tornando-se também um risco à segurança. Segundo Sarmento, além de caro e inseguro, o abastecimento de combustível é muitas vezes controlado por interesses políticos e empresariais, transformando o acesso à energia em instrumento de poder.
Nesse cenário, a energia solar surge como uma alternativa estratégica.
“A abundância de radiação solar na região revela a vocação da Amazônia para a geração de energias renováveis. Ao substituir o diesel intermitente, a energia solar oferece um caminho para energia contínua, limpa e, fundamentalmente, autônoma”, reforçou Sarmento.
A análise técnica da ON CR ENERGY, apresentada por seu diretor técnico Cláudio Tino, vai na mesma direção. Para ele, a energia solar é hoje uma das soluções mais viáveis para reduzir a vulnerabilidade elétrica tanto no interior quanto em bairros de Manaus que sofrem com quedas frequentes de energia.
“Sistemas fotovoltaicos conectados à rede ou híbridos, com baterias de armazenamento, permitem que famílias, comércios e indústrias tenham autonomia energética, garantindo fornecimento contínuo mesmo durante interrupções da concessionária”, explicou.
Além da confiabilidade, a geração solar também é apontada como economicamente vantajosa.
Segundo a Tino, a economia na conta de luz pode chegar a 95%, com retorno do investimento entre três e cinco anos. Para municípios com pouca infraestrutura elétrica, a implantação de micro e minigeração distribuída, amparada pelo marco legal da geração distribuída, pode significar inclusão energética e desenvolvimento socioeconômico.
Em bairros de Manaus que convivem com sobrecarga da rede, a expansão da geração solar ajudaria a descentralizar a demanda, diminuindo o risco de apagões e aumentando a estabilidade do sistema como um todo.
Assim, do interior à capital, a energia solar se mostra não apenas uma alternativa sustentável, mas uma solução capaz de transformar a realidade da população.
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