(Foto: aleksandarlittlewolf/ Freepik)
Manaus (AM) – O Brasil registra avanços tímidos no setor de saneamento, mas milhões de brasileiros seguem sem acesso a serviços essenciais, segundo a 17ª edição do Ranking do Saneamento, publicado pelo Instituto Trata Brasil (ITB) em parceria com a GO Associados. O estudo analisa os 100 municípios mais populosos do país com base nos dados mais recentes do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA), ano-base 2023.
Segundo o levantamento, cerca de 34,1 milhões de pessoas no país não têm acesso à água potável, representando 16,9% da população. Além disso, 90,3 milhões de brasileiros ainda vivem sem coleta de esgoto, o equivalente a 40,3% da população. O tratamento de esgoto atinge 51,8% da água consumida, evidenciando a necessidade de ampliação dos serviços de saneamento.

O impacto da falta de saneamento é evidente na saúde: o país registrou 197.470 internações por doenças relacionadas à água e 2.705 óbitos decorrentes dessas enfermidades em 2023. A disparidade econômica também é visível: a renda média das pessoas com saneamento é de R$ 3.220,94 por mês, enquanto aqueles sem saneamento ganham em média R$ 2.084,42 mensais.
O estudo ainda mostra que a educação é afetada: pessoas com saneamento formal possuem 9,44 anos de escolaridade, enquanto aquelas sem saneamento têm 7,43 anos. O mercado imobiliário também reflete a desigualdade: o aluguel médio de residências com saneamento é de R$ 939,49, comparado a R$ 812,04 em moradias sem saneamento.
Em termos de investimento, o Brasil aplicou R$ 20,97 bilhões em saneamento em 2021, o que corresponde a um investimento per capita de R$ 100,97. Apesar do aumento dos investimentos nos últimos anos, a expansão do saneamento básico ainda é insuficiente para atender à demanda da população.
Desde 2009, o Instituto Trata Brasil acompanha os indicadores de saneamento nos maiores municípios do país, com o objetivo de evidenciar um problema histórico que impacta diretamente na saúde pública, produtividade, valorização imobiliária, turismo e qualidade de vida da população, refletindo no desenvolvimento socioeconômico do Brasil.
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