(Foto Divulgação / PC-AM)
Manaus (AM) – O avanço da urbanização nas últimas duas décadas vem reduzindo significativamente a presença de áreas verdes nas cidades brasileiras e ampliando os riscos de queimadas urbanas. Segundo o levantamento “Perfil das Áreas Urbanas no Brasil”, divulgado pelo MapBiomas, as cidades do país têm, em média, apenas 11% de vegetação em áreas urbanas.
Entre as capitais, Manaus aparece em 7º lugar no ranking das mais verdes, mas foi a que mais perdeu cobertura vegetal proporcionalmente nos últimos 20 anos: caiu de 28,8% em 2003 para 22,1% em 2023, uma redução de 1.157,6 hectares, o equivalente a mais de 1.100 campos de futebol. Ainda assim, a capital amazonense mantém 6.263 hectares de áreas verdes.
No total, 19 das 27 capitais brasileiras aumentaram suas áreas verdes desde 2003, enquanto oito perderam. Em Manaus, o crescimento desordenado, a pressão imobiliária e as ocupações irregulares estão entre os principais fatores que impulsionam essa perda.
Expansão urbana e queimadas: uma relação preocupante
Ao Portal AM1, o ambientalista, professor da Ufam e diretor do Inpa, Henrique dos Santos, apontou que o planejamento urbano desempenha papel fundamental na qualidade de vida, refletindo também no comportamento dos cidadãos. Segundo ele, cidades bem planejadas, com calçadas, árvores, áreas verdes e habitação digna, tendem a reduzir atitudes de destruição ambiental, embora essa relação seja indireta.
Para as áreas urbanas, o professor observou que a ocorrência de queimadas, estão frequentemente ligados à queima de resíduos sólidos, como restos de poda ou lixo doméstico. Segundo ele, essa prática tem raízes culturais e também decorre da inadequação dos serviços públicos de coleta de resíduos. Em áreas onde a expansão urbana é desordenada e não há espaço adequado para ruas e calçadas, o acesso à coleta se torna limitado, o que leva parte da população a recorrer ao fogo como forma de eliminar os resíduos. Assim, existe uma relação indireta entre expansão urbana e aumento de queimadas, mediada pelas deficiências na gestão de resíduos.
“Quando o serviço público de limpeza e coleta de resíduos não atende adequadamente, as pessoas recorrem ao fogo para se desfazer do lixo”, explica o ambientalista.
Henrique também destacou que ainda há queimadas em áreas remanescentes de vegetação nativa dentro da cidade. À medida que a fronteira urbana se expande e o déficit habitacional cresce, famílias sem moradia acabam ocupando essas áreas verdes, utilizando o fogo para preparar o terreno. Além disso, ele menciona queimadas criminosas intencionais que atingem a própria natureza, citando casos recentes no INPA em que incêndios foram provocados por pessoas da cidade, refletindo um desapreço pelo ambiente natural, caracterizado por ele como “topofobia”.
“Há uma relação indireta entre a expansão urbana e o aumento das queimadas. A deficiência do sistema de coleta de resíduos e o avanço sobre áreas florestais fazem com que o fogo seja usado como ferramenta de ocupação”, completa Henrique dos Santos.
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