Manaus, 7 de julho de 2026
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Cidades

Saúde mental sem tabu: a nova forma de olhar para quem precisa de acolhimento

Projetos sociais, grupos religiosos e profissionais de psicologia vêm somando esforços para enxergar de forma mais humana quem enfrenta transtornos mentais.

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(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Manaus (AM) – Durante muito tempo, falar de saúde mental foi um tabu dentro de famílias, comunidades religiosas ou mesmo entre amigos, os sentimentos de tristeza profunda, ansiedade constante ou crises emocionais eram escondidos ou tratados como fraqueza espiritual. Aos poucos, porém, essa visão tem mudado e projetos sociais, grupos religiosos e profissionais de psicologia vêm somando esforços para enxergar de forma mais humana quem enfrenta transtornos mentais, e oferecer o suporte necessário para que essas pessoas não se sintam sozinhas.

No Brasil, esse acolhimento se torna cada vez mais urgente. Segundo dados do Ministério da Saúde divulgados em 2023, a depressão já afeta cerca de 11,3% da população adulta do país, enquanto os transtornos de ansiedade atingem aproximadamente 19,9 milhões de brasileiros. Entre os adolescentes, a situação também preocupa: de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), um em cada sete jovens entre 10 e 19 anos convive com algum transtorno mental. O cenário revela que, mais do que nunca, o debate sobre saúde mental deixou de ser apenas clínico e passou a ser social, cultural e até mesmo religioso.

Marcas do passado

A psicóloga, Camila Costa destacou que o preconceito atual contra pessoas com transtornos mentais tem raízes históricas.

“Historicamente, a loucura foi vista como algo sobrenatural. As pessoas eram tratadas como possessas, ligadas a divindades ou demônios. Grande parte do preconceito que existe hoje vem dessa herança, e por isso ainda ouvimos muito o pensamento de que transtornos mentais são ‘falta de Deus’”, explicou.

Para ela, a visibilidade crescente desses diagnósticos, como TDAH, TEA, ansiedade e depressão, não deve ser vista como um “boom” repentino, mas como resultado de reinserção social e avanços no diagnóstico.

“Essas pessoas deixaram os manicômios, passaram a integrar a sociedade, estão no mercado de trabalho, nas escolas, nas comunidades. E com a tecnologia, temos mais acesso à informação e menos tabu para falar de saúde mental. Isso favorece o tratamento adequado”, completou Camila.

Olhar diferenciado

Essa mudança de mentalidade tem motivado ações concretas. Um exemplo é o projeto Ponte da Esperança, que oferece atendimentos psicológicos acessíveis ao público em geral. A psicóloga e coordenadora, Hayara Criativa ressaltou o propósito do trabalho.

“O Ponte da Esperança foi pensado para ajudar o máximo de pessoas possíveis em sofrimento emocional. Nosso objetivo é tornar acessível o acesso a atendimentos psicológicos, porque cuidar da saúde mental é cuidar daquilo que sustenta todas as outras áreas da vida”, disse.

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Hayara reforçou que não é preciso esperar o sofrimento chegar ao extremo para buscar ajuda.

“O sofrimento psíquico não precisa estar no limite para ser acolhido. Psicoterapia é espaço de escuta e elaboração, onde a pessoa fortalece recursos internos. Cuidar da mente é um investimento silencioso, mas essencial”, encorajou.

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Os atendimentos são realizados de forma social, com um custo acessível. Para mais informações sobre valores, horários e profissionais disponíveis, entre em contato através do instagram do Ponte da Esperança ou enviar mensagem para o número (92) 981673277.

https://www.instagram.com/pontedaesperanca?igsh=MXE3cWgyOWxxemFhaw==

Outra iniciativa importante vem das próprias igrejas. A Casa Esperança, obra da Arquidiocese de Manaus, atua como espaço de acolhimento para crianças, adolescentes e mulheres vítimas de abuso sexual. A coordenadora do projeto, Elilde Rocha, explicou que a proposta vai além do atendimento psicológico.

“Oferecemos grupos terapêuticos com psicólogos e também atuamos como rede de proteção, encaminhando os casos para órgãos competentes. O apoio psicológico é fundamental tanto no cuidado imediato quanto na prevenção de consequências traumáticas no futuro”, afirmou.

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Elilde reforça o impacto desse acolhimento.

“O espaço terapêutico valida as emoções e sentimentos, reduz o impacto das consequências traumáticas e ajuda a reconstruir a vida dessas vítimas”, reforçou.

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Com atendimentos sociais e gratuitos, o projeto funciona no prédio anexo à Arquidiocese, no Centro de Manaus, com encontros semanais para diferentes faixas etárias.

As iniciativas mostram que a visão sobre saúde mental está mudando. Aos poucos, os tabus cedem lugar ao acolhimento, e comunidades antes marcadas por preconceitos aprendem que fé e ciência podem caminhar juntas na tarefa de cuidar do ser humano em sua totalidade.

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