Manaus, 26 de julho de 2026
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Manaus, 26 de julho de 2026

Cidades

Na Amazônia, energia limpa e turismo sustentável ajudam a proteger a camada de ozônio

Ao Portal AM1, a superintendente da FAS, Valcléia Lima, explica como projetos em comunidades do interior reduzem emissões e estimulam práticas ecológicas.

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(Foto: Divulgação/Freepik)

Manaus (AM) – Os alertas de desmatamento na Amazônia Legal atingiram em fevereiro o menor valor histórico para o mês, com apenas 81 km² desmatados, segundo o Inpe. Apesar da redução, especialistas alertam que a floresta ainda enfrenta ameaças constantes. Em meio a esse cenário, iniciativas de energia renovável e turismo sustentável têm se mostrado fundamentais para proteger o bioma, gerar renda para comunidades locais e contribuir indiretamente para a preservação ambiental.

Desde 2008, a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) tem impulsionado projetos que substituem atividades poluentes por alternativas ecológicas. Em entrevista ao Portal AM1, a superintendente adjunta geral da instituição, Valcléia Lima, destaca que essa transformação vem ocorrendo de forma prática e gradual, a partir do envolvimento direto das comunidades.

“O turismo é um dos melhores exemplos. Conseguimos virar a chave em comunidades que viviam da exploração madeireira para atividades voltadas ao turismo sustentável”, destacou Valcléia.

Além da mudança na economia local, a FAS também apoia projetos que reduzem as queimadas, uma das principais fontes de poluição do ar e emissões de gases de efeito estufa, que impactam o clima e a saúde ambiental.

“Já existem tecnologias de roçado sem queima, o que diminui a emissão de gás carbônico e os impactos das mudanças climáticas”, acrescentou.

Energia solar substitui o diesel

Uma das frentes mais importantes da fundação é o incentivo à energia solar, que vem substituindo o uso de geradores a diesel em comunidades ribeirinhas.

Entre os projetos citados por Valcléia estão o Água Mais Acesso, que utiliza energia solar para captar e bombear água, e o Gelo Caboclo, que produz gelo com energia limpa para apoiar o comércio local.

“Desenvolvemos diferentes modelos de energia renovável para atender cadeias produtivas, escolas e comunidades isoladas. Isso reduz o uso do diesel e, consequentemente, a emissão de gases poluentes”, explicou.

Desafios e oportunidades

Apesar dos avanços, o Amazonas ainda enfrenta desafios para ampliar o uso de energia limpa. Valcléia aponta a dependência das termoelétricas a diesel como um dos principais entraves.

“Temos oportunidades de aprimorar o uso da energia, mas é preciso pensar além do consumo doméstico. A energia deve gerar renda, permitir que as famílias produzam e agreguem valor aos produtos da sociobiodiversidade”, defendeu.

Segundo ela, o acesso à energia renovável pode impulsionar a economia local e fortalecer o compromisso da Amazônia com a pauta global de preservação ambiental.

Mudança de hábitos ainda é um desafio

Para Valcléia Lima, a conscientização da população é um dos pontos mais importantes e também um dos mais desafiadores quando se fala em preservação ambiental. Ela destaca que as mudanças tecnológicas e os projetos sustentáveis precisam caminhar com a educação e a mudança de comportamento das pessoas.

“Infelizmente, não somos educados o suficiente para entender que a energia é finita. Pequenas atitudes, como desligar luzes e aparelhos quando não estão em uso, fazem diferença”, afirmou.

Ela lembra que ainda há desperdício de recursos em várias áreas urbanas.

“Em Manaus, há bairros onde pessoas usam poços artesianos sem controle, deixando a água correr por horas. Isso também é consumo de energia e impacto ambiental.”

Com iniciativas que unem tecnologia limpa, educação ambiental e geração de renda, a FAS acredita que a Amazônia pode se tornar uma referência global em sustentabilidade.

“A Amazônia pode e deve ser exemplo de que o desenvolvimento sustentável é possível. As mudanças começam nas pequenas atitudes e são elas que ajudam a proteger a camada de ozônio e o clima do planeta”, concluiu Valcléia Lima.

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