(Fotos: Arquivo pessoal Ericky Nakanome e Assessoria Boi Caprichoso)
Manaus (AM) – O artista visual parintinense Ericky Nakanome, professor de Artes Visuais da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e presidente do Conselho de Artes do Boi-Bumbá Caprichoso, celebrou com entusiasmo sua participação oficial na Academia do Prêmio Multishow de Música Brasileira (APMMB), responsável por indicar e votar nos artistas vencedores de uma das maiores premiações da música nacional.
Em entrevista exclusiva ao Portal AM1, Ericky afirmou que recebeu o convite “com muita alegria e felicidade” e ressaltou a responsabilidade envolvida no processo, realizado integralmente de forma virtual.
Segundo ele, todas as etapas ocorreram online, desde a primeira reunião, estruturada como um curso, até a indicação, a votação e a participação final.
“Cada membro atua de forma individual e profissional, a partir da própria perspectiva”, explicou.
Embora não conheça pessoalmente os demais integrantes da Academia, espalhados por todo o país, ele fez questão de participar presencialmente da cerimônia da 32ª edição do Prêmio Multishow, realizada no Rio de Janeiro.
“Não é obrigatório comparecer, mas eu fiz questão. Para mim era algo importante, e ainda é, porque também represento a força do interior de alguma maneira”, afirmou.
Responsabilidade ao avaliar a diversidade musical
Ericky explica que integrar a Academia exige atenção e conhecimento sobre estilos musicais muito diferentes entre si. Segundo ele, a função envolve grande responsabilidade, já que é preciso lidar com linguagens musicais muitas vezes desconhecidas.
Para ele, não se trata de avaliar o próprio gosto, mas o que o povo brasileiro aprecia, sendo necessário ir além das preferências pessoais.
Durante o evento, ele percebeu que não havia outros representantes do Amazonas.
“Vi algumas pessoas do Pará, mas ninguém do nosso estado. Isso me fez sentir privilegiado e muito feliz por fazer parte desse grupo”, comentou.
Cultura do Norte ainda busca mais espaço
Sobre o mercado cultural, Ericky afirma que ainda falta visibilidade para a produção do Norte, especialmente do Amazonas.
“A gente precisa criar mecanismos, equipamentos culturais e ferramentas para que a música do Norte tenha mais abertura. O Pará vive uma grande ascensão, mas os artistas amazonenses também merecem estar nesses espaços”, destacou.
Para ele, a cultura do Amazonas não deve ser vista como algo apenas regional.
“A arte é universal, e o Amazonas também produz muita potência”.
Parintins como escola cultural
A experiência no Festival Folclórico de Parintins, segundo Ericky, também influencia sua visão sobre cultura e diversidade, algo essencial no trabalho da Academia.
“O Festival de Parintins é, acredito, a maior produção cultural da região Norte. Produzimos lives, espetáculos, festas e muitos outros eventos. É um grande laboratório onde se aprende fazendo, com os mais velhos. Isso dialoga muito com a cultura brasileira, que o Multishow também representa”, afirmou.
Mensagem aos jovens artistas do Norte
Ericky adotou um tom realista ao deixar um recado para os jovens da região. Ele destacou que, mais do que mensagens otimistas, é necessário reconhecer que a conquista de espaços depende de luta.
Segundo ele, é fundamental cobrar políticas públicas, mecanismos e oportunidades que permitam dar visibilidade à musicalidade e às demais expressões artísticas da região.
“Nossos espaços precisam ser conquistados não só com sonho, mas com luta. Precisamos cobrar políticas, mecanismos e possibilidades para mostrar nossa musicalidade e outras linguagens artísticas”, disse.
O artista também reforçou a importância da criação de novos ambientes de circulação cultural, como festivais, feiras e espaços de troca, para que os nortistas amazônidas possam, de fato, ocupar seus lugares no cenário artístico.
Premiação Multishow
A 32ª edição do Prêmio Multishow foi realizada na última terça-feira (9), no Rio de Janeiro, e reuniu artistas de diferentes regiões do país para celebrar a força e a diversidade da música brasileira.
A premiação entregou troféus em 23 categorias, sendo cinco delas definidas por votação popular.
Com o tema “A Música Mexe com o Brasil”, o evento teve como proposta evidenciar a pluralidade sonora do país, mostrando como ritmos, histórias e identidades diferentes se conectam e movimentam a cena musical brasileira.
LEIA MAIS:





