Manaus, 7 de julho de 2026
×
Manaus, 7 de julho de 2026

Brasil

Partidos terão quase R$ 6 bi para gastar nas eleições de 2026

Presidente barrou aumento de R$ 160 milhões aos partidos políticos, mas gastos com eleições no Brasil continuam altos em ano eleitoral.

partidos-terao-quase-r-6-bilho

(Foto: Nelson Batista e Antonio Augusto /AscomTSE)

Manaus (AM) – Apesar do veto presidencial ao aumento do Fundo Partidário, as eleições de 2026 devem movimentar cifras bilionárias dos cofres públicos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva barrou a ampliação dos recursos destinados aos partidos políticos prevista na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, mas o financiamento público das legendas e das campanhas seguirá em patamar elevado neste ano eleitoral.

O veto foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União na quarta-feira (31), junto com a sanção da Lei nº 15.321/2026, que estabelece as regras para a elaboração do Orçamento da União. O trecho barrado previa um reajuste de aproximadamente R$ 160 milhões no Fundo Partidário, com correção retroativa a 2016, conforme os critérios do Novo Arcabouço Fiscal.

Na justificativa encaminhada ao Congresso Nacional, o governo federal argumentou que o aumento comprometeria o equilíbrio orçamentário da Justiça Eleitoral.

Segundo o Palácio do Planalto, a ampliação do fundo reduziria recursos destinados a despesas obrigatórias, como a organização das eleições, o funcionamento dos tribunais eleitorais e a manutenção do sistema eletrônico de votação.

O orçamento de 2026 prevê cerca de R$ 1 bilhão para o Fundo Partidário, utilizado para despesas permanentes dos partidos políticos, como manutenção de sedes, pagamento de funcionários e atividades institucionais.

Já o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (Fundo Eleitoral) deve alcançar aproximadamente R$ 4,9 bilhões, montante destinado exclusivamente ao custeio das campanhas eleitorais.

Somados, os dois fundos representam quase R$ 6 bilhões em recursos públicos, reacendendo o debate sobre o custo das eleições no Brasil e o uso de dinheiro público para o financiamento da atividade política.

Além da discussão sobre os fundos eleitorais, a LDO de 2026 traz uma mudança considerada histórica na relação entre os Poderes Executivo e Legislativo. Pela primeira vez, a lei fixa um prazo máximo para o pagamento das emendas parlamentares de execução obrigatória.

Pelo novo texto, o governo federal deverá quitar 65% do valor total dessas emendas até o fim do primeiro semestre de 2026. A regra se aplica tanto às transferências especiais, conhecidas como “emendas Pix”, que vão diretamente para estados e municípios, quanto aos repasses destinados aos fundos de saúde e de assistência social.

A medida atende a uma antiga reivindicação do Congresso Nacional, que cobrava maior previsibilidade na liberação dos recursos. A nova sistemática foi resultado de um acordo entre parlamentares e o governo federal e tem como objetivo ampliar a transparência e garantir mais segurança no planejamento financeiro de estados e municípios.

Com o calendário eleitoral se aproximando, o debate sobre gastos públicos, financiamento da política e prioridades orçamentárias deve ganhar ainda mais espaço ao longo de 2026.

LEIA MAIS: