Manaus, 7 de julho de 2026
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Cidades

Em Manaus, venezuelana diz que família vive clima de incerteza após ações dos EUA no país

Imigrantes dizem que familiares vivem clima de incerteza mesmo após a captura do presidente Nicolás Maduro.

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(Foto: RS/via Fotos Publicas)

Manaus (AM) – A venezuelana Marie Bravo, que vive em Manaus há nove anos, afirmou em entrevista ao Portal AM1 que a família atravessa um período de incerteza, descrença e medo após o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, ocorrido no último sábado (3), que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.

Segundo Marie, apesar da prisão do chefe do Executivo venezuelano, o sentimento entre a população é de cautela. “O medo existe porque apenas o Maduro foi capturado, mas a cúpula do regime continua no poder”, afirmou.

Ela explica que, até o momento, muitas pessoas pessoas não tiveram coragem sequer de sair às ruas para comemorar. “O governo ainda tem os coletivos, que são grupos de ex-presidiários armados pelo próprio regime para reprimir manifestações contra o governo. Depois das repressões nas eleições de anos atrás, o povo está com muito medo”, relatou.

Para Marie Bravo, ainda é cedo para qualquer avaliação sobre o futuro do país. “Não sabemos o que vai acontecer. Está tudo muito recente”, disse.

Questionada sobre a possibilidade de retornar à Venezuela, ela afirmou que o desejo de voltar sempre existiu entre os imigrantes. “A maioria dos venezuelanos pensa em voltar. Ninguém quis sair do país. Inclusive, antes de tudo isso acontecer, muitos já estavam retornando para a Venezuela”, destacou.

Marie chegou a Manaus há nove anos, acompanhada da filha, que na época tinha apenas cinco meses de idade, justamente para fugir do regime de Maduro. “Naquele período não tinha leite, fralda, medicamentos, comida. Era só repressão, medo e fome. Foi o auge da crise”, relembrou. Com o tempo, uma irmã também se mudou para o Brasil, enquanto o restante da família permanece em Valência, na Venezuela.

Ao ser questionada se acredita que uma possível intervenção dos Estados Unidos pode melhorar a vida da população, Marie respondeu de forma direta: “Qualquer coisa é melhor que o comunismo. Acredito que pode haver estabilidade, principalmente da moeda”.

Ela ressaltou, no entanto, que seus planos pessoais não dependem diretamente do cenário político. “Eu já tinha planos de voltar, independentemente de Maduro ou Trump. Meus projetos continuam os mesmos. Só mudariam se a Venezuela voltasse à situação entre 2017 e 2021, o que eu acredito que não vai acontecer”, afirmou.

Para Marie, o momento pode marcar um recomeço. “Acredito que muitos venezuelanos vão voltar com outra visão de mundo, trazendo negócios, inovação, e que muitas empresas também retornarão. Isso me dá ainda mais motivos para querer voltar”, concluiu.

Relatos semelhantes no Brasil

Outra venezuelana que também vive no Brasil é Zaida Lisboa, atualmente em Belo Horizonte (MG), mas que já morou em Manaus. Ela deixou a Venezuela ainda durante o governo de Hugo Chávez.

Em conversa com a reportagem, Zaida relatou que mantém contato constante com familiares que permanecem no país e descreveu um cenário de tensão. “A situação agora é de espera. Dizem que não pode sair na rua, apenas quem apoia o chavismo. Quem é contra corre risco de ser maltratado, preso ou até desaparecer”, afirmou.

Segundo ela, familiares relatam que apenas apoiadores do regime estão sendo incentivados a se manifestar publicamente, enquanto opositores permanecem recolhidos por medo de represálias. “As pessoas têm medo de sair, porque podem ser atacadas pela própria população que apoia o governo ou pelas forças ligadas ao regime”, disse.

Zaida também demonstrou desconfiança quanto aos rumos políticos do país após a captura de Maduro. “Há ministros dizendo que tudo segue igual. Falam que a sucessão pode manter o mesmo regime. Então, o povo não sabe o que esperar. Está todo mundo na espera do amanhã”, relatou.

Ela destacou que muitos venezuelanos aguardavam o fim do regime há anos, motivados pela escassez de alimentos, fechamento de empresas e dificuldades extremas. “As pessoas queriam trabalhar, comer bem, viver como antes. Teve época em que famílias comiam apenas uma vez por dia. Muita gente passou fome”, contou.

Apesar da expectativa por mudanças, Zaida afirmou que há receio quanto às intenções dos Estados Unidos. “Agora existe o medo de que a intervenção tenha outros interesses, como o petróleo. Isso deixa a população ainda mais insegura”, concluiu.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2022, apontam que o Amazonas é o segundo estado brasileiro com maior concentração de venezuelanos, com 30.868 imigrantes. Roraima lidera o ranking, com 59.163 pessoas. Para atender essa população, o governo do Amazonas mantém centros de acolhimento em Manaus voltados a refugiados e migrantes.

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