Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Cidades

Rodovia da integração do AM pode ficar sem radares em trechos críticos

Desligamento da fiscalização eletrônica pode afetar a BR-174, rodovia federal com alto índice de acidentes no Amazonas.

RADARES DE VELOCIDADE

(Foto: Divulgação)

Manaus (AM) – A BR-174, principal rodovia federal que liga Manaus ao interior do Amazonas e ao estado de Roraima, volta ao centro do debate sobre segurança viária em meio ao processo de desligamento de radares de fiscalização eletrônica em rodovias federais. A medida, motivada por restrições orçamentárias do governo federal, pode afetar diretamente trechos da rodovia no Amazonas, que já registra histórico preocupante de acidentes graves.

Considerada uma das rodovias mais perigosas do estado, a BR-174 aparece em levantamentos nacionais de segurança viária como uma via com alto índice de sinistros, especialmente em trechos entre Manaus e Presidente Figueiredo. Em um período recente de 12 meses, foram registrados mais de 60 acidentes apenas na extensão amazonense da rodovia, incluindo ocorrências com mortes. As colisões frontais e laterais estão entre os principais tipos de acidentes, frequentemente associadas a excesso de velocidade e ultrapassagens indevidas.

Dados da Polícia Rodoviária Federal indicam que, em um único ano, as rodovias federais que cortam o Amazonas somaram mais de 170 acidentes, com dezenas de mortes e centenas de feridos, sendo a BR-174 uma das vias com maior concentração de ocorrências. O cenário se agrava pela combinação de longos trechos sem fiscalização fixa, tráfego intenso de caminhões, ônibus intermunicipais e veículos de passeio, além de áreas de mata fechada e curvas perigosas.

Casos recentes reforçam o alerta. Em diferentes ocasiões, acidentes envolvendo viaturas policiais em perseguição, colisões entre caminhões e capotamentos em alta velocidade chamaram atenção para a vulnerabilidade da rodovia. Um desses episódios resultou na morte de um agente da Polícia Rodoviária Federal durante uma operação, evidenciando que o risco atinge não apenas motoristas comuns, mas também profissionais que atuam na fiscalização da via.

Especialistas em trânsito avaliam que o desligamento de radares eletrônicos, sem a adoção de medidas compensatórias eficazes, como reforço na fiscalização presencial e campanhas educativas, pode ampliar a sensação de impunidade e estimular comportamentos de risco. Embora a PRF continue atuando com radares móveis, a ausência de equipamentos fixos tende a reduzir o controle contínuo da velocidade em pontos críticos da rodovia.

Diante desse histórico, a possível retirada da fiscalização eletrônica na BR-174 acende um alerta para o Amazonas, onde a rodovia é vital para a integração regional, o abastecimento da capital e a mobilidade de milhares de pessoas. A discussão vai além de orçamento e envolve, sobretudo, a preservação de vidas em uma das estradas mais estratégicas e perigosas do estado.

Milhões em multas

Dados locais apontam que os radares instalados em trechos da BR-174 aplicaram cerca de R$ 12 milhões em multas, especialmente próximos ao início da rodovia em Manaus, refletindo a grande movimentação de veículos e os desafios de controlar o excesso de velocidade nessa estrada federal. As planilhas do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) mostram dados sobre autuações realizadas entre 2018 e 2022 em estradas e rodovias federais de todo o país, com o detalhamento geográfico e dos trechos com maior incidência de multas.

O histórico de multas — milhões de reais aplicados em fiscalizações na BR-174 — mostra que a rodovia já enfrenta desafios significativos no controle de velocidade e na prevenção de acidentes. A possível redução da atuação eletrônica pode agravar esse quadro, gerando preocupação entre motoristas, autoridades e comunidades que dependem da BR-174 para a circulação segura entre o Amazonas e outras regiões do país.

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