Nesse contexto, o governo brasileiro foi convidado a participar do Conselho. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu a carta na sexta-feira (16), mas ainda não respondeu, segundo fontes do Palácio do Planalto. O Itamaraty confirmou a impressa a existência do convite, mantendo em sigilo os detalhes do projeto.
Além do Brasil, países como Turquia, Canadá, Egito e Argentina também foram convidados, assim como mais de uma dezena de líderes mundiais. A proposta, segundo o jornal israelense Haaretz, define o Conselho como um organismo internacional “mais ágil e eficaz” para a consolidação da paz, defendendo o abandono de instituições que “falharam repetidas vezes”, em crítica indireta à ONU. O documento não menciona Gaza nominalmente.
Diplomatas de países emergentes avaliam que a iniciativa pode legitimar anexações, ocupações e violações de soberania alinhadas aos interesses dos EUA. Há ainda o temor de que o Conselho concorra com a ONU como principal fórum decisório global e enfraqueça blocos como o Brics.
O convite ao Brasil ocorre apesar da resistência do governo de Israel, que não concorda com a lista de países chamada por Trump e considera Lula persona non grata em Tel Aviv.
Na carta enviada aos líderes, Trump afirmou que o Conselho será “o mais impressionante e influente já reunido” e que atuará sob sua presidência para construir uma “paz duradoura”. A Casa Branca informou que o órgão terá papel central na implementação dos 20 pontos do plano americano para Gaza.
Foi anunciado ainda um Conselho Executivo fundador, com nomes como o secretário de Estado Marco Rubio, Jared Kushner, Steve Witkoff e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair. A participação de Blair gerou críticas devido ao seu papel na invasão do Iraque em 2003.
Enquanto o governo brasileiro mantém cautela, o presidente argentino Javier Milei celebrou publicamente o convite e afirmou que a Argentina será membro fundador do novo Conselho.