(Foto: Divulgação/Semsa)
Manaus (AM) – A inteligência artificial deixou de ser apenas um conceito de ficção e passou a fazer parte da rotina das pessoas, por meio de chats e ferramentas digitais usadas para estudar, trabalhar ou resolver tarefas do dia a dia. O uso dessas tecnologias para apoio emocional e psicológico, no entanto, pode trazer riscos à saúde mental, segundo alerta da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa).
Especialistas apontam que, embora existam aplicativos e sistemas que prometem ajudar a lidar com ansiedade, depressão, insônia e outros problemas, não há legislação específica no Brasil que regulamente esse tipo de serviço. O risco está na substituição do acompanhamento profissional por interações automatizadas.
O psicólogo clínico da Semsa, Edu Honorato, explica que sistemas de IA simulam respostas humanas a partir de modelos matemáticos e análise de dados, mas não possuem sentimentos, consciência ou responsabilidade clínica. “Isso pode gerar uma falsa sensação de cuidado. A pessoa acredita que está sendo acompanhada, quando, na verdade, só interage com um sistema que não cria vínculo nem avalia a gravidade das situações”, afirma.

(Foto: Divulgação/Semsa)
Segundo o psicólogo, a ausência de um cuidado efetivo pode agravar o sofrimento emocional e aumentar o isolamento. Ele destaca que a IA não é capaz de identificar sinais de colapso emocional, risco de suicídio ou necessidade de intervenção urgente.
Para pessoas com ansiedade, depressão ou outros transtornos emocionais, a orientação é buscar atendimento profissional. A rede municipal de saúde oferece avaliação nas unidades básicas, encaminhamento para psicólogos e psiquiatras, além de acompanhamento nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), voltados a casos mais graves e a problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas.
Sinais de alerta
Entre os sinais de alerta estão perda de interesse por atividades antes prazerosas, cansaço emocional persistente, irritabilidade, alterações no sono e no apetite, isolamento social e sensação de desesperança. “Quando o sofrimento se repete e começa a prejudicar a vida pessoal, profissional ou os relacionamentos, é hora de procurar ajuda”, orienta Honorato.

(Foto: Divulgação/Semsa)
Embora reconheça que a tecnologia pode contribuir com informações e ferramentas de apoio à rotina, o psicólogo reforça que ela não substitui o cuidado humano. “Saúde mental exige escuta qualificada, vínculo e ética. Não é aplicativo nem chat”, afirma.
Durante o mês de janeiro, equipes da Semsa realizam ações educativas em mais de 70 unidades de saúde de Manaus, dentro da campanha Janeiro Branco, que busca conscientizar a população sobre a importância do cuidado com a saúde mental. A iniciativa ocorre nos cinco distritos de saúde do município e integra uma mobilização nacional criada em 2014.
(*) Com informações da assessoria
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