(Fotos: Márcio James e Alberto César Araújo /Aleam)
Manaus (AM) – O ambiente político no Amazonas voltou a ficar marcado por tensão e troca de acusações públicas entre lideranças da direita após um embate por meio das redes sociais, entre o deputado estadual Delegado Péricles (PL) e o candidato Coronel Menezes (PP). A discussão, ocorrida nesta semana, evidenciou divisões internas no campo conservador em um momento de pré-campanha eleitoral.
O episódio ganhou repercussão enquanto Coronel Menezes participava da “Caminhada pela Liberdade”, realizada em Brasília, ao lado do deputado federal Nikolas Ferreira (PL), em ato em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro. Coronel Menezes destacou sua presença no evento como demonstração de alinhamento com pautas bolsonaristas e lideranças nacionais da direita.
Em reação, Delegado Péricles questionou a representatividade política do candidato, ressaltando que Menezes não possui mandato eletivo e o acusando de agir por interesses oportunistas. O deputado também afirmou que Bolsonaro teria rompido qualquer diálogo com o candidato, alegando que o próprio ex-presidente não desejaria mais contato com ele.
Coronel Menezes rebateu as críticas cobrando explicações de Péricles sobre sua atuação nas eleições municipais de 2024, especialmente quanto ao apoio ao então candidato Capitão Alberto Neto (PL) à Prefeitura de Manaus. Segundo Menezes, o deputado teria se omitido durante a campanha e não teria se dedicado à eleição do aliado bolsonarista.
Em resposta, Péricles afirmou que, no primeiro turno, estava concentrado na campanha de seu irmão Coronel Rosses (PL) e que, no segundo turno, Coronel Menezes teria atuado em outro campo político, motivado por interesses próprios. O parlamentar sustentou que segue alinhado com lideranças da direita local, enquanto Menezes estaria politicamente isolado.
A troca de acusações se intensificou quando Menezes ironizou a ausência de Péricles na manifestação em Brasília. O deputado explicou que se recupera de uma cirurgia no joelho e acusou o adversário de tentar se promover politicamente em um ato no qual, segundo ele, não teria histórico de participação. As declarações evoluíram para ataques pessoais, com acusações de falta de compromisso político, deslealdade e perda de apoio dentro da direita amazonense.



Contexto político do conflito
A disputa pública ocorre em meio a um histórico recente de rompimento político entre Coronel Menezes e o bolsonarismo local. Em 2024, Menezes, então filiado ao Partido Liberal (PL), acabou sendo rejeitado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que optou por apoiar o deputado federal Alberto Neto (PL) na disputa pela Prefeitura de Manaus.
Coronel Menezes alegou que sua pré-candidatura foi ignorada pela direção estadual do partido, presidida por Alfredo Nascimento, o que motivou sua saída da sigla.
Após deixar o PL, Menezes se filiou ao Progressistas (PP) e passou a integrar a base do governador Wilson Lima (União Brasil), tornando-se candidato a vice na chapa encabeçada pelo deputado estadual Roberto Cidade (União).
A mudança de alianças foi interpretada por aliados de Bolsonaro como um gesto de traição política, já que Menezes passou a fazer oposição ao candidato oficialmente apoiado pelo ex-presidente na capital amazonense.
O distanciamento se aprofundou em agosto de 2024, quando Menezes, já inserido no novo grupo político, fez críticas públicas a Bolsonaro. Na ocasião, afirmou que o ex-presidente dependeria do seu grupo para mobilizar grandes públicos em futuras visitas ao Amazonas, citando eventos do bolsonarismo que não atingiram a capacidade máxima da Arena da Amazônia.
Por outro lado, Coronel Menezes e seus apoiadores sustentam que a ruptura não partiu dele, mas da própria cúpula do PL, que teria abandonado sua candidatura. Segundo essa versão, a mudança de partido foi uma estratégia para manter-se politicamente ativo dentro do campo da direita, ainda que em um grupo concorrente.
Em síntese, a trajetória de Coronel Menezes ao longo de 2024 foi marcada por um rompimento ruidoso com a direção do PL e com o bolsonarismo local, seguido pela migração para outra frente da direita amazonense, movimento que segue gerando acusações mútuas, disputas internas e reflexos diretos no cenário eleitoral de 2026.
Fontes próximas a Coronel Menezes afirmam que ele deve disputar uma vaga de deputado federal em 2026. A possível candidatura ajuda a explicar os recentes buscas por visibilidade e força política, na tentativa de se reposicionar e garantir espaço.
LEIA MAIS:





