Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Brasil

Estudo liga hotéis de luxo nos EUA à madeira ilegal da Amazônia

Relatório mostra como madeira retirada ilegalmente da Amazônia abastece obras sofisticadas nos Estados Unidos.

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(Foto: Divulgação /Ibama)

Manaus (AM) – Um estudo divulgado pela organização internacional Environmental Investigation Agency (EIA), organização especializada na investigação de crimes ambientais, indica que madeira extraída ilegalmente da Amazônia brasileira foi utilizada em hotéis de luxo e empreendimentos imobiliários na Flórida, nos Estados Unidos.

A investigação expõe brechas nos sistemas de controle e rastreamento da cadeia global da madeira, permitindo que produtos de origem ilegal cheguem a mercados que, em tese, proíbem esse tipo de comércio.

De acordo com o relatório, a madeira teve origem principalmente no estado do Pará, uma das regiões mais afetadas pelo desmatamento ilegal no Brasil. A EIA identificou esquemas de fraude documental que “legalizam” a madeira retirada de áreas protegidas ou sem autorização ambiental, possibilitando sua exportação para outros países.

Da floresta ao luxo internacional

A investigação rastreou o caminho da madeira desde áreas de exploração ilegal na Amazônia até empresas exportadoras brasileiras, que venderam o material a importadores nos Estados Unidos e na Europa. Parte desse produto teria sido utilizada em projetos de alto padrão, como hotéis de luxo, condomínios e obras comerciais, incluindo empreendimentos localizados na Flórida.

Segundo a EIA, a madeira é valorizada no mercado internacional por sua resistência e aparência sofisticada, sendo frequentemente usada em pisos, fachadas, decks e acabamentos internos. O alto valor comercial contribui para a manutenção do ciclo ilegal de extração.

Leis existem, mas fiscalização falha

Tanto os Estados Unidos quanto a União Europeia possuem legislações que proíbem a importação de madeira de origem ilegal, como a Lei Lacey, nos EUA. No entanto, o estudo aponta que a aplicação dessas normas ainda é falha, principalmente quando a documentação apresentada pelos exportadores aparenta estar regular.

“O sistema depende fortemente de papéis que podem ser fraudados na origem”, afirma a EIA no relatório, destacando que a falta de verificação aprofundada permite que a madeira ilegal atravesse fronteiras sem ser detectada.

Impactos ambientais e sociais

Além dos danos ambientais como a perda de biodiversidade e o agravamento da crise climática, a exploração ilegal de madeira também afeta comunidades locais e povos indígenas, que muitas vezes têm seus territórios invadidos por madeireiros clandestinos.

Especialistas alertam que, enquanto houver demanda internacional sem controle rigoroso, o desmatamento ilegal continuará sendo financeiramente atrativo.

Pressão por mais transparência

A divulgação do estudo reacende o debate sobre a responsabilidade de empresas, governos e consumidores na cadeia global de suprimentos. Organizações ambientais defendem maior transparência, auditorias independentes e punições mais severas para empresas que se beneficiam, direta ou indiretamente, de crimes ambientais.

Procuradas em casos semelhantes, empresas costumam afirmar que confiam na documentação apresentada pelos fornecedores. Para a EIA, no entanto, isso não é suficiente. “É preciso ir além do papel e garantir que a madeira não venha da destruição da Amazônia”, conclui o relatório.

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