Manaus, 6 de julho de 2026
×
Manaus, 6 de julho de 2026

Política

Erika Hilton se torna a primeira mulher trans a presidir a Comissão da Mulher na Câmara do Deputados

Eleição inédita de deputada trans ocorre após dois turnos e alto número de votos em branco, revelando divisões entre parlamentares.

erika-hilton-se-torna-a-primei

(Foto: Kayo Magalhães /Câmara dos Deputados)

Manaus (AM) – A deputada federal Erika Hilton (PSol-SP) foi eleita nesta quarta-feira (11) presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. A escolha é considerada inédita: pela primeira vez uma mulher trans assume o comando do colegiado responsável por discutir políticas públicas voltadas às mulheres no país.

O resultado, no entanto, veio acompanhado de controvérsia e resistência dentro do próprio Parlamento.

Mesmo sendo a única candidata, Erika Hilton não conseguiu se eleger no primeiro turno. Na primeira votação foram registrados 10 votos favoráveis e 12 votos em branco, número insuficiente para alcançar a maioria absoluta necessária para confirmar a eleição. A sessão foi conduzida pela então presidente da comissão, a deputada Célia Xakriabá (PSol-MG), que decidiu abrir um segundo turno.

Na nova votação, em que bastava maioria simples, Erika Hilton foi eleita com 11 votos favoráveis e 10 votos em branco. O placar evidenciou um cenário pouco comum: mesmo sem adversário na disputa, quase metade dos parlamentares preferiu não apoiar a candidatura.

Marco político e simbólico

A eleição coloca Hilton no centro de um marco simbólico dentro do Congresso Nacional. A parlamentar celebrou o fato de se tornar a primeira mulher trans a presidir a Comissão da Mulher e afirmou que pretende focar o trabalho em temas como feminicídio, violência doméstica e políticas de proteção às mulheres.

Segundo ela, o objetivo é transformar o colegiado em um espaço de escuta e construção de propostas legislativas voltadas à dignidade e à proteção das mulheres.

Críticas e questionamentos

Apesar do caráter histórico, a eleição também provocou críticas de setores políticos que questionam a representação de uma mulher trans à frente de um espaço criado para discutir políticas voltadas às mulheres.

A senadora Damares Alves afirmou que reconhece a necessidade de defesa dos direitos de pessoas trans, mas declarou que, em sua avaliação, a presidência da comissão deveria ser ocupada por mulheres “que nasceram mulheres”.

A fala reflete um debate que ultrapassa o episódio desta eleição e toca em uma discussão mais ampla sobre identidade de gênero, representação política e os limites institucionais de cada pauta.

Debate deve continuar

Com a eleição, Erika Hilton assume não apenas a presidência de uma das comissões temáticas da Câmara, mas também o centro de um debate que tende a continuar no cenário político brasileiro.

Enquanto aliados destacam o avanço simbólico da diversidade na política, críticos apontam que a escolha levanta questionamentos sobre o papel e o objetivo de espaços institucionais criados especificamente para tratar das demandas das mulheres.

Assim, o fato histórico que marca a chegada de Hilton ao comando da comissão também revela um Congresso ainda dividido diante das transformações sociais e políticas em torno das pautas de gênero.