O resultado, no entanto, veio acompanhado de controvérsia e resistência dentro do próprio Parlamento.
Mesmo sendo a única candidata, Erika Hilton não conseguiu se eleger no primeiro turno. Na primeira votação foram registrados 10 votos favoráveis e 12 votos em branco, número insuficiente para alcançar a maioria absoluta necessária para confirmar a eleição. A sessão foi conduzida pela então presidente da comissão, a deputada Célia Xakriabá (PSol-MG), que decidiu abrir um segundo turno.
Na nova votação, em que bastava maioria simples, Erika Hilton foi eleita com 11 votos favoráveis e 10 votos em branco. O placar evidenciou um cenário pouco comum: mesmo sem adversário na disputa, quase metade dos parlamentares preferiu não apoiar a candidatura.
Marco político e simbólico
A eleição coloca Hilton no centro de um marco simbólico dentro do Congresso Nacional. A parlamentar celebrou o fato de se tornar a primeira mulher trans a presidir a Comissão da Mulher e afirmou que pretende focar o trabalho em temas como feminicídio, violência doméstica e políticas de proteção às mulheres.
Segundo ela, o objetivo é transformar o colegiado em um espaço de escuta e construção de propostas legislativas voltadas à dignidade e à proteção das mulheres.
Críticas e questionamentos
Apesar do caráter histórico, a eleição também provocou críticas de setores políticos que questionam a representação de uma mulher trans à frente de um espaço criado para discutir políticas voltadas às mulheres.
A senadora Damares Alves afirmou que reconhece a necessidade de defesa dos direitos de pessoas trans, mas declarou que, em sua avaliação, a presidência da comissão deveria ser ocupada por mulheres “que nasceram mulheres”.
A fala reflete um debate que ultrapassa o episódio desta eleição e toca em uma discussão mais ampla sobre identidade de gênero, representação política e os limites institucionais de cada pauta.
Debate deve continuar
Com a eleição, Erika Hilton assume não apenas a presidência de uma das comissões temáticas da Câmara, mas também o centro de um debate que tende a continuar no cenário político brasileiro.
Enquanto aliados destacam o avanço simbólico da diversidade na política, críticos apontam que a escolha levanta questionamentos sobre o papel e o objetivo de espaços institucionais criados especificamente para tratar das demandas das mulheres.
Assim, o fato histórico que marca a chegada de Hilton ao comando da comissão também revela um Congresso ainda dividido diante das transformações sociais e políticas em torno das pautas de gênero.