(Fotos: Matheus Rodrigues/Aleam)
Manaus (AM) – A filiação partidária do deputado estadual Comandante Dan, atualmente no Podemos, ao Republicanos, legenda presidida por seu irmão, o deputado federal Silas Câmara, ocorre em meio à janela partidária no Amazonas. O estado registra crescimento da influência de lideranças ligadas a segmentos religiosos nas disputas eleitorais.
O ato de filiação está marcado para o auditório da Sede Administrativa do Centro de Convenções Canaã, espaço associado à comunidade religiosa frequentada pelos parlamentares.
No dia 26 de setembro de 2025, o auditório recebeu a 8ª Conferência de Liderança Política da Assembleia de Deus no Amazonas (COLPADAM), com a presença de representantes políticos do estado.
A escolha do local, embora não infrinja a legislação eleitoral por si só, chama atenção pelo simbolismo em um estado onde igrejas evangélicas exercem forte influência social e política, especialmente em Manaus e no interior.
Leitura política do cenário
Para o sociólogo e cientista político Luiz Antônio, ouvido pelo Portal AM1, a escolha do local integra uma lógica política mais ampla. Ele ressalta que, do ponto de vista jurídico, eventos partidários podem ocorrer em espaços privados, incluindo auditórios e templos, desde que respeitem as regras eleitorais.
“Veja só, na política, nada é por acaso. Quando você vê filiações de quadros políticos do campo da esquerda, da esquerda democrática, do campo do centro democrático, esses eventos ocorrem sempre em espaços que estão associados àquele perfil”, afirmou.
Ele observa que outros grupos políticos também utilizam espaços ligados a seus públicos de referência.
“Não é raro que essas filiações ocorram em espaços privados, numa confederação de empresários, num clube frequentado por empresários e, nesse caso, numa igreja”, disse.
Debate sobre limites simbólicos
O especialista considera legítima a vinculação religiosa de agentes públicos, mas destaca que o uso simbólico desses espaços pode gerar debate.
“O problema é que essa filiação sendo feita naquele espaço é um sinal explícito de uso do espaço religioso como um espaço político, eleitoral. Há uma possibilidade de você confundir aquele espaço como uma espécie de curral eleitoral”, avaliou.
Do ponto de vista legal, a legislação brasileira assegura a liberdade religiosa e de organização partidária, mas estabelece limites para o uso de estruturas institucionais com fins eleitorais, sobretudo no período de campanha. Fora desse período, partidos tratam atos de filiação como atividades internas, desde que respeitem as normas vigentes.
Luiz Antônio também propõe uma analogia com outros espaços institucionais, ao enfatizar que se trata de uma interpretação crítica:
“Seria como um professor universitário escolher uma universidade pública para se filiar a um partido, o que poderia ser questionado sob o ponto de vista institucional […] Isso seria um horror, isso seria um crime e o tribunal eleitoral imediatamente notificaria a universidade para que fosse tomada a devida providência”, comparou.
Articulação política
O evento deve reunir lideranças políticas e religiosas e reforçar a articulação do grupo liderado por Silas Câmara com sua base de apoio no estado. O movimento tende a impactar estratégias eleitorais futuras, sobretudo diante do crescimento da mobilização de eleitores por identidade religiosa.
O evento de filiação partidária ocorrerá nesta quinta-feira (19), às 17h, no Auditório da Sede Administrativa do Centro de Convenções Canaã, na avenida General Rodrigo Otávio, 1655, Japiim, zona Sul de Manaus.

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