Manaus, 6 de julho de 2026
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Cenário

Cidade Universitária: abandono de 14 anos escancara memória curta e contradições de Omar Aziz

pré-candidato promete retomar obra parada desde sua própria gestão, mas ignora mais de uma década sem pressão ou ação efetiva no cargo que ocupa em Brasília.

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(Foto: Divulgação /Marcos Holanda e Roque de Sá /Agência Senado)

Manaus (AM) – Na recente entrevista à Rádio Difusora, o senador Omar Aziz (PSD) voltou a empunhar uma bandeira que já não é novidade para os amazonenses: a retomada das obras da Cidade Universitária da UEA. A fala veio carregada de indignação, atribuindo a paralisação do projeto a sucessores e a uma suposta “maldade política”. O problema é que, ao tentar reescrever a narrativa, Omar ignora um detalhe incômodo: o tempo, e o seu próprio papel nele.

A obra, anunciada com entusiasmo em 2012, tinha prazo de entrega de apenas 360 dias e custo estimado em R$ 300 milhões. Passados mais de 14 anos, o que se vê é um monumento ao abandono, com cerca de R$ 100 milhões já investidos e nenhuma funcionalidade entregue à população. O valor necessário para conclusão, que já chegou a ser estimado em R$ 700 milhões, tornou-se símbolo do desperdício e da falta de planejamento público.

Na entrevista, Omar Aziz defende que deixou recursos suficientes e que seus sucessores interromperam a obra por motivações políticas. Sabe-se que a descontinuidade administrativa é um problema crônico no Brasil. No entanto, o discurso omite uma pergunta essencial: o que foi feito por ele nos últimos anos para mudar esse cenário?

Desde 2015, Omar Aziz ocupa uma cadeira no Senado Federal, posição que lhe confere influência política, capacidade de articulação e acesso a recursos por meio de emendas parlamentares. Ainda assim, durante mais de uma década, não se viu uma mobilização efetiva liderada por ele para pressionar governos estaduais, incluindo aliados, a retomar o projeto. A indignação, ao que parece, só ganha força em períodos eleitorais.

A estratégia discursiva é conhecida: deslocar a responsabilidade para terceiros enquanto se assume o papel de visionário incompreendido. Ao afirmar que pensa “nas gerações futuras”, Omar Aziz tenta resgatar o simbolismo da obra. Mas o argumento perde força diante da inércia prática. Afinal, pensar no futuro exige ação no presente, algo que esteve em falta por tempo demais.

Além disso, a tentativa de reativar programas antigos como Ronda nos Bairros e Galera Nota 10 reforça uma campanha ancorada no passado. Em vez de apresentar soluções inovadoras para os desafios atuais do Amazonas, recorre-se a um repertório já conhecido, como se o estado estivesse congelado no tempo, assim como a própria Cidade Universitária.

O caso da Universidade Estadual do Amazonas (UEA) não é apenas sobre uma obra inacabada; é sobre responsabilidade política contínua. Governar não termina ao deixar o cargo, especialmente quando se permanece em posições de poder. Se houve erro dos sucessores, houve também omissão de quem tinha condições de cobrar, articular e viabilizar alternativas.

No fim, a Cidade Universitária segue como um elefante branco cercado de promessas recicladas. E a entrevista de Omar Aziz, longe de esclarecer, apenas reforça a sensação de que, no Amazonas, obras públicas não param por falta de discurso, param por falta de compromisso real.

Confira o vídeo:

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