Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Cidades

Instituto ‘As Manas’ já atendeu mais de 3,2 mil mulheres e chegou a 16 municípios do Amazonas

Fundado por Amanda Pinheiro, projeto oferece apoio jurídico, psicológico e acolhimento emergencial para vítimas de violência doméstica.

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Manaus (AM) – Criado em meio à pandemia da Covid-19, o Instituto ‘As Manas’ se transformou em uma das principais frentes de acolhimento a mulheres em situação de violência no Amazonas. Fundado e liderado pela advogada criminalista Amanda Pinheiro, o projeto já realizou mais de 3,2 mil atendimentos entre 2020 e 2024 e alcançou 16 municípios do estado, além de prestar suporte a brasileiras vítimas de violência no exterior.

Ao AM1 Entrevista, Amanda detalhou a estrutura e o alcance do instituto, que atua como um braço complementar à rede pública de proteção.

Atendimento gratuito e especializado

Segundo Amanda, o Instituto ‘As Manas’ é uma iniciativa da sociedade civil, sem fins lucrativos, que hoje se mantém com recursos próprios e apoio de voluntárias.

O foco do trabalho é atender mulheres em situação de violência e vulnerabilidade social, oferecendo suporte jurídico e psicossocial especializado, de forma gratuita.

“Nós entendemos que não basta dizer para a mulher denunciar. É preciso saber para onde ela vai, como vai se manter e como vai reconstruir a vida dela”, explicou.

Acolhimento emergencial e proteção imediata

Um dos principais diferenciais do instituto é o acolhimento emergencial para mulheres que precisam sair imediatamente de casa e não têm para onde ir com os filhos.

Amanda relatou que o instituto mantém parceria com uma rede de hotéis, utilizada para garantir abrigo temporário e sigiloso às vítimas em situação de risco. Nesse período, a mulher recebe alimentação, atendimento psicológico e acompanhamento jurídico para solicitar medidas protetivas, guarda, pensão, benefícios sociais e outras garantias.

Casos fora do Amazonas e até fora do Brasil

Além do atendimento local, o Instituto ‘As Manas’ também já prestou suporte a 17 brasileiras vítimas de violência no exterior, incluindo casos na Alemanha, Chile e Portugal. Em pelo menos duas situações, houve articulação para o retorno das vítimas ao Brasil.

Amanda afirma que alguns casos exigiram, inclusive, medidas extremas de proteção, com encaminhamento para programas especializados e recomeço em outros estados.

Capacitação e empregabilidade

Outro eixo de atuação do instituto é a autonomia financeira das mulheres assistidas. Amanda defende que, sem renda e sem perspectiva de sustento, a vítima tende a permanecer ou retornar ao ambiente de violência.

Por isso, o instituto também atua com capacitação, empregabilidade e encaminhamento profissional, além de apoio para acesso a benefícios sociais e políticas públicas.

“Na prática, a gente observa que essa mulher leva de um ano e meio a dois anos para romper totalmente com o contexto da violência, quando recebe o atendimento especializado que precisa”, disse.

Tefé lidera atendimentos no interior

Entre os municípios do interior, Amanda revelou que Tefé é hoje o local de onde mais chegam mulheres atendidas pelo instituto. Segundo ela, a demanda está relacionada tanto à gravidade dos casos quanto à fragilidade da rede local de proteção.

“A vida começa quando a violência termina”

Ao final da entrevista, Amanda reforçou que o instituto nasceu justamente para preencher lacunas deixadas pelo poder público e garantir resposta rápida a mulheres que, muitas vezes, já esgotaram todas as alternativas.

“A vida começa quando a violência termina”, resumiu.

Assista à entrevista:

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