Na Câmara Municipal, o vereador Capitão Carpê (PL), policial militar da reserva, questionou a segurança da unidade por funcionar próxima ao presídio que já foi palco de massacres e rebeliões no Amazonas.
“Quem garante que em uma rebelião os outros criminosos não pulam ali o muro e matem aquelas pessoas que estão ali?”, afirmou.
Já o vereador Coronel Rosses (PL) alegou que parte dos policiais presos responde por crimes considerados “leves”, como dívida de pensão alimentícia, e afirmou que eles não deveriam ficar em uma estrutura próxima ao sistema prisional comum.
A reação dos parlamentares gerou críticas por evidenciar o tratamento diferenciado defendido para policiais presos, enquanto as condições precárias e a violência no sistema penitenciário atingem diariamente presos comuns sem mobilizar o mesmo tipo de comoção política.
A transferência aconteceu nesta terça-feira (12) e foi marcada por tumulto, resistência dos custodiados e protestos de familiares, que chegaram a bloquear os ônibus da escolta sentando em frente aos veículos.
Durante a operação, equipes do Batalhão de Choque utilizaram spray de pimenta para dispersar os manifestantes e liberar a saída dos detentos da antiga unidade prisional da PM, no bairro Monte das Oliveiras.
Os policiais foram levados para o antigo prédio da Cadeia Pública Feminina de Manaus, adaptado pela Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) para funcionar como nova unidade exclusiva da Polícia Militar.
A mudança ocorre após a fuga de 23 PMs da antiga prisão da corporação, registrada em fevereiro deste ano. O caso levou à abertura de investigações do Ministério Público, prisões de policiais suspeitos de facilitar a fuga e à exclusão do então responsável pela unidade, major Galeno Jales, da PMAM.
Apesar das críticas dos vereadores, a nova unidade continuará sendo exclusiva para policiais militares, embora agora fique sob administração direta da Seap e submetida a regras mais rígidas de controle.