(Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil)
Manaus (AM) – A ministra da Cultura, Margareth Menezes, defendeu o fortalecimento dos saberes tradicionais e populares como ferramentas essenciais para a preservação da biodiversidade e o enfrentamento da crise climática.
A declaração foi feita durante a 6ª edição da Teia Nacional dos Pontos de Cultura, realizada em Aracruz, no Espírito Santo, que teve como tema central a justiça climática.
O evento reuniu representantes de povos indígenas, comunidades quilombolas, ribeirinhas e periféricas, além de gestores públicos e agentes culturais de todo o país para discutir estratégias de mitigação dos impactos ambientais a partir dos conhecimentos tradicionais.
Segundo a ministra, as comunidades que mantêm vivas práticas culturais ancestrais oferecem exemplos concretos de convivência equilibrada com a natureza.
“Já existem exemplos demais de como destruir a natureza, mas existem muitas memórias também de como preservar”, afirmou.
Em entrevista à Agência Brasil, Margareth destacou que a cultura pode contribuir para transformar a relação da sociedade com o meio ambiente por meio da valorização de práticas sustentáveis transmitidas entre gerações.
“A cultura é uma grande ferramenta para isso. Existem exemplos dentro das práticas culturais, especialmente desses povos, de como conviver com a natureza, na maneira de vestir, de comer e de se relacionar”, disse.
Valorização dos povos originários
A ministra também ressaltou a importância dos povos indígenas e das comunidades de matriz africana na formação da identidade cultural brasileira. Para ela, esses grupos preservam conhecimentos históricos que continuam influenciando a sociedade contemporânea.
“São povos que guardam memória, passando de geração em geração seus conhecimentos. Todo esse legado que chamamos de cultura tem muito a ver com o que eles trazem para nós”, afirmou.
Durante a Teia Nacional, ocorreu ainda o primeiro encontro para a construção do Plano Nacional das Culturas Indígenas. De acordo com Margareth Menezes, a proposta será elaborada de forma participativa, com diálogo direto entre governo e representantes dos povos originários.
“A cultura indígena são culturas. Há cerca de 300 línguas ainda preservadas no país. É uma grande construção que passa, necessariamente, pela participação dos próprios povos indígenas”, explicou.
Novas políticas para a cultura popular
Outro destaque do encontro foi a assinatura de atos normativos voltados às culturas tradicionais e populares. Entre eles está o decreto que institui a Política Nacional para as Culturas Tradicionais e Populares.
Segundo a ministra, a medida fortalece a proteção e amplia os investimentos destinados a manifestações culturais que integram a identidade brasileira.
“É um marco muito importante porque vai garantir mais proteção, mais qualidade e um empenho maior de investimentos nessa base de produção cultural brasileira”, afirmou.
Ela também destacou a necessidade de reconhecimento dos mestres e mestras da cultura popular, responsáveis pela transmissão de conhecimentos tradicionais.
“Quando falamos de mestres e mestras, estamos tratando de memória, mas também de excelência. Eles detêm conhecimentos que, se não cuidarmos, corremos o risco de perder”, ressaltou.
Cultura como desenvolvimento econômico
Margareth Menezes defendeu ainda que o investimento em cultura vai além da preservação do patrimônio imaterial e pode impulsionar o desenvolvimento econômico por meio da geração de emprego e renda.
Segundo ela, programas federais como as leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc ampliaram o acesso de municípios e estados aos recursos destinados ao setor cultural.
“Quando você investe em cultura, está investindo no ser humano. É um investimento com potência de mudança, de qualificação e de emancipação, além de gerar emprego e renda”, declarou.
A ministra também destacou o crescimento da rede de Pontos de Cultura no país. De acordo com ela, o número de iniciativas reconhecidas pelo Ministério da Cultura passou de 4 mil para 16 mil durante a atual gestão, fortalecendo ações culturais em comunidades de todas as regiões do Brasil.
(*) Com informações da Agência Brasil
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