A medida foi adotada pela Subsecretaria de Gestão de Vigilância Sanitária (Visa Manaus), da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), que concluiu que o episódio extrapolou os limites da área industrial e representou um risco coletivo à saúde pública. Caso seja condenada no processo administrativo, a empresa poderá receber multa de até R$ 61.112, valor significativamente inferior às penalidades ambientais já aplicadas, mas que reforça o entendimento do poder público de que houve também violação das normas sanitárias.
O caso evidencia que os impactos do vazamento não se restringiram aos danos ambientais. Segundo a Semsa, 685 pessoas procuraram atendimento médico nas redes pública e privada após exposição ao gás, relatando sintomas como irritação nos olhos, nariz e garganta, dores de cabeça, tontura e náuseas. O número revela a dimensão sanitária da ocorrência e reforça o debate sobre a segurança das operações industriais instaladas no Distrito Industrial de Manaus.
Durante as inspeções realizadas na fábrica, fiscais da Vigilância Sanitária verificaram que o odor característico do estireno se espalhou por diversos bairros da capital, evidenciando que o incidente ultrapassou os limites da planta industrial. A unidade permanece interditada pelo Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), enquanto seguem as investigações sobre as causas do superaquecimento do tanque que originou o vazamento, em 15 de julho.
A nova autuação soma-se às duas multas aplicadas pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas): R$ 4,55 milhões por poluição atmosférica e R$ 5,34 milhões por contaminação do solo e de corpos hídricos. Juntas, as penalidades chegam a quase R$ 10 milhões, tornando o caso um dos maiores passivos ambientais recentes registrados pelo município.
Apesar da sequência de medidas administrativas, o episódio ainda levanta questionamentos sobre os mecanismos de prevenção e fiscalização de empreendimentos que operam com substâncias químicas de alto risco em uma área cercada por bairros populosos. O acidente mobilizou órgãos ambientais, de saúde, defesa civil e segurança pública, interrompeu atividades em empresas vizinhas, afetou a rotina da população e desencadeou um gabinete permanente de crise na Prefeitura de Manaus.
Enquanto as investigações avançam, a Innova acumula sanções em diferentes esferas ambiental, urbanística e sanitária, ampliando a pressão para que sejam esclarecidas as responsabilidades pelo vazamento e adotadas medidas que impeçam a repetição de um episódio que expôs a vulnerabilidade da cidade diante de acidentes industriais de grande proporção.