Manaus, 21 de agosto de 2026
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Manaus, 21 de agosto de 2026

Cenário

Wilson Lima promete leis mais duras, mas gestão teve cúpula da segurança indiciada pela PF

Candidato ao Senado defende redução da maioridade penal e castração química; durante seu governo, ex-secretário de Segurança e ex-comandante da PM foram indiciados pela chacina do Rio Abacaxis.

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Coronel Bonates (à esquerda), Wilson Lima (centro) e Coronel Ayrton Norte (à direita) (Foto: Divulgação/Governo do Amazonas)

Manaus (AM) – O ex-governador Wilson Lima, candidato ao Senado pelo Amazonas, voltou a colocar a segurança pública no centro de sua campanha. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele afirmou que pretende defender leis mais duras, incluindo a redução da maioridade penal e a castração química para condenados por estupro e abuso sexual. Veja o vídeo:

A proposta ganha outro peso quando confrontada com episódios ocorridos durante sua própria gestão. Em 2023, a Polícia Federal indiciou Louismar Bonates, que havia sido secretário de Estado de Segurança Pública do Amazonas, e o coronel Ayrton Ferreira do Norte, então comandante-geral da Polícia Militar, no âmbito da investigação sobre a chacina do Rio Abacaxis, ocorrida em 2020.

A investigação apurou a atuação de policiais na região de Nova Olinda do Norte, onde moradores indígenas e ribeirinhos denunciaram mortes, torturas e outras violações de direitos humanos. Segundo a investigação da PF, Bonates e Ayrton foram apontados como envolvidos na operação que resultou nos crimes. O indiciamento é uma conclusão da investigação policial e não equivale a condenação judicial. As defesas dos dois negaram as acusações.

Wilson era governador na época

O episódio ocorreu em agosto de 2020, quando Wilson Lima estava no primeiro mandato como governador do Amazonas.

Bonates ocupava o comando da Secretaria de Estado de Segurança Pública, enquanto Ayrton Ferreira do Norte comandava a Polícia Militar do Amazonas. Portanto, os dois estavam no topo da estrutura estadual de segurança durante a operação investigada.

Isso não significa que Wilson Lima tenha sido responsabilizado pela chacina. O ponto é outro: o episódio faz parte do histórico da segurança pública durante o governo que agora Wilson utiliza como experiência para pedir uma vaga no Senado.

Seis anos após os crimes, o caso ainda aguarda uma definição para avanço da ação penal envolvendo os acusados de participação no massacre. O processo tramita em diferentes frentes, nas esferas criminal e cível.

O discurso agora é outro

Na campanha, Wilson afirma que o problema está nas leis. “Nossas cadeias parecem portas giratórias. A polícia prende num dia, a Justiça solta no outro.”

Na sequência, promete defender a redução da maioridade penal e a castração química.

A questão é que segurança pública não depende apenas do endurecimento das penas. Também envolve investigação, inteligência, controle territorial, atuação policial, sistema prisional e fiscalização das próprias forças de segurança.

E o Amazonas enfrentou problemas em todas essas áreas durante os anos em que Wilson esteve no governo.

Veja a lista de indiciados pela Polícia Federal na investigação sobre a chacina do Rio Abacaxis:

  1. Louismar de Matos Bonates
  2. Ayrton Ferreira do Norte
  3. Thiago Dantas Pinto
  4. Pompilio Henrique de Lima
  5. Ezio Ranger Peres Pimentel
  6. Josias Seixas de Brito
  7. Valdemir Pereira Junior
  8. Jefferson Diogenes Castro de Souza
  9. Paulo Henrique Reis da Costa
  10. Jackson de Sousa Machado
  11. Aldo Ramos da Silva Júnior
  12. Getulio Vargas Filho
  13. Pedro Alex da Silva Balieiro

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