Manaus, 27 de agosto de 2026
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Manaus, 27 de agosto de 2026

Cidades

Atraso no pagamento de intérpretes deixa alunos surdos sem aulas na UEA

Profissionais estão sem receber e estudantes relatam dificuldade para acompanhar as atividades acadêmicas sem o suporte de Libras.

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(Foto: Lucas Bentes/ Portal AM1)

Manaus (AM) – O atraso no pagamento dos intérpretes de Libras está deixando estudantes surdos da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) sem acesso adequado às atividades acadêmicas. A situação provocou uma manifestação na manhã desta quinta-feira (27), em frente à Reitoria, em Manaus.

Segundo familiares e profissionais que participaram do ato, os intérpretes estão sem receber e, por isso, o atendimento aos estudantes foi interrompido. Um dos alunos está há quase duas semanas sem conseguir acompanhar as atividades com o suporte de Libras.

Pai de um dos estudantes, o professor Klayton Branches afirmou que o problema não está nos intérpretes, mas na falta de pagamento.

“Ele está praticamente há duas semanas sem estudar, sem intérpretes, porque não é culpa deles. Eles estão sem o salário, sem condições de ter dignidade e isso já é recorrente, porque ano passado, no final do ano, aconteceu novamente”, afirmou.

Para Klayton, a situação acaba transformando um problema de pagamento em uma barreira para os próprios estudantes.

“Os meninos aqui, a maioria deles, são surdos e precisam ter acesso à universidade, precisam ter acesso à educação. Os alunos estão todos estudando e eles estão aí, além, aquém, esquecidos”, disse.

O professor também criticou a falta de uma solução definitiva para os pagamentos e afirmou que as responsabilidades acabam sendo transferidas entre diferentes envolvidos.

“A desculpa, eles sempre jogam para a CFAJ, jogam para o Governo do Estado. A gente sabe que isso faz parte também, todos são culpados”, declarou.

O serviço de interpretação é essencial para que os estudantes surdos acompanhem aulas, atividades e demais compromissos acadêmicos. Sem o profissional, a presença do aluno na universidade não significa, necessariamente, acesso ao conteúdo.

O intérprete de Libras  Stanley Souza participou da manifestação em apoio à comunidade surda e reforçou justamente esse ponto.

“O trabalho do intérprete é muito fundamental, porque sem intérprete não há comunicação, e é um direito da pessoa surda ter acesso à educação”, afirmou.

A Fundação Muraki é responsável pela execução do serviço de tradução e interpretação de Libras em parceria com a UEA. A instituição informa que o projeto atende à comunidade acadêmica surda da universidade.

O que estudantes e familiares cobram agora é uma resposta objetiva sobre o atraso nos pagamentos e a previsão para que os intérpretes voltem ao trabalho.

Enquanto o impasse não é resolvido, o prejuízo não fica restrito aos profissionais que aguardam salário: chega à sala de aula e atinge diretamente estudantes que dependem da acessibilidade para estudar.

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