Manaus, 29 de agosto de 2026
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Cenário

Wilson agora cobra Brasília por seca que marcou seus dois governos no AM

Ex-governador defende programa federal permanente após duas vazantes históricas enfrentadas durante sua gestão no Amazonas.

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(Foto: Alex Pazuello/Secom-AM)

Manaus (AM) — Depois de comandar o Amazonas durante duas das maiores secas já registradas no Estado, Wilson Lima (União Brasil) passou a defender, agora como candidato ao Senado, um programa federal permanente para enfrentar um problema que marcou sua passagem pelo Governo.

A proposta foi apresentada nesta sexta-feira (28), em Pauini. Wilson prometeu cobrar do Governo Federal ações contínuas de dragagem, balizamento e sinalização dos rios.

A nova bandeira eleitoral surge após as vazantes históricas de 2023 e 2024. Em Manaus, o Rio Negro caiu para 12,65 metros em 2023 e atingiu novo recorde em 2024, com apenas 12,11 metros.

Segundo a InfoAmazonia, as duas secas prejudicaram cerca de 862 mil pessoas no Amazonas. Mais de 7,3 mil estudantes ribeirinhos também foram impactados.

Levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV) apontou ainda que moradores de algumas comunidades tiveram de percorrer entre 7 e 10 quilômetros para buscar água.

Críticas durante o governo

A cobrança por planejamento, porém, já existia durante sua gestão. Em 2023, reportagem da InfoAmazonia apontou o contraste entre medidas preventivas previstas na política estadual de mudanças climáticas e a predominância de respostas emergenciais.

Na ocasião, o ambientalista Carlos Durigan, então diretor-executivo da WCS Brasil, criticou a dimensão da resposta aos problemas ambientais, apesar de o Estado já conhecer as regiões mais vulneráveis aos extremos climáticos.

Em 2024, a atuação estadual também chegou aos órgãos de controle. O Ministério Público de Contas do Amazonas (MPC-AM) apresentou representação ao TCE-AM envolvendo Wilson, o Governo do Estado e integrantes do Comitê de Estiagem 2024 e Crise Climática.

A representação levantou possível omissão relacionada à crise ambiental e questionou a resistência em solicitar e aceitar reforços federais para enfrentar queimadas e poluição atmosférica. A medida não representa condenação nem comprova responsabilidade do então governador.

Confira:

O Governo Wilson adotou medidas durante as estiagens, como decretos de emergência e distribuição de alimentos, medicamentos, purificadores e caixas-d’água. As críticas, porém, colocavam em discussão a capacidade de antecipação e a predominância das respostas emergenciais.

Agora, fora do Governo, Wilson promete cobrar de Brasília uma política permanente.

A seca não apareceu com a campanha. A crise atravessou sua administração — e as cobranças por medidas estruturantes já existiam quando Wilson ainda comandava o Amazonas.

 

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