Ex-secretários de saúde presos e agentes de segurança indiciados (Foto: Divulgação/Assessorias e Governo do Amazonas)
Manaus (AM) — O ex-governador Wilson Lima quer chegar ao Senado defendendo leis mais rígidas na área de segurança pública e criticando decisões judiciais que, segundo ele, acabam permitindo a soltura de criminosos.
Em vídeo de campanha, Wilson afirmou que “a polícia prende num dia, a Justiça solta no outro” e defendeu medidas como a redução da maioridade penal e a castração química. Veja:
O discurso, porém, encontra um capítulo relevante no histórico de seu próprio governo no Amazonas: três secretários estaduais de Saúde foram presos durante sua administração, em operações da Polícia Federal relacionadas a investigações sobre suspeitas envolvendo a gestão da saúde, especialmente durante a pandemia.
Os ex-secretários Simone Papaiz, Rodrigo Tobias e Marcellus Campêlo foram alvos de medidas judiciais em diferentes investigações. As prisões e investigações não equivalem, por si só, a condenações.
Segurança do governo também entrou no radar da PF
A área de segurança pública, justamente um dos principais temas explorados por Wilson em sua campanha ao Senado, também teve integrantes de sua administração envolvidos em investigações.
Louismar Bonates, que comandou a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas, e Ayrton Norte, então comandante-geral da Polícia Militar, foram indiciados pela Polícia Federal no caso relacionado à chacina do Rio Abacaxis.
O indiciamento também não representa condenação. As defesas dos envolvidos negaram as acusações.
O discurso e o histórico
É nesse contraste que surge a principal questão política da campanha de Wilson Lima.
De um lado, o ex-governador apresenta a necessidade de endurecer leis e aumentar o rigor contra criminosos como uma de suas bandeiras para o Senado.
De outro, seu período à frente do Governo do Amazonas foi marcado por prisões e investigações envolvendo integrantes de sua administração, inclusive em áreas estratégicas como Saúde e Segurança Pública.
Isso não significa que Wilson seja responsável pelos atos atribuídos aos investigados, nem que as prisões tenham relação direta com eventual leniência da legislação. São fatos juridicamente distintos.
Mas o histórico cria uma cobrança política legítima para o candidato: se o problema da segurança está apenas na legislação e nas decisões judiciais, qual é a avaliação que ele faz dos resultados e dos episódios envolvendo integrantes de seu próprio governo?
Wilson agora promete atuar em Brasília para mudar as leis. O eleitor amazonense também pode cobrar do ex-governador uma explicação sobre como sua administração enfrentou os problemas de segurança e gestão pública que marcaram seu período no comando do Estado.
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