Wilson Lima afirma que obra em Tabatinga será concluída em setembro - (Foto: Divulgação/Secom)
Manaus (AM) – Depois de mais de sete anos à frente do Governo do Amazonas, Wilson Lima (União Brasil) agora promete resolver um problema que se arrasta há anos em Tabatinga, no interior do estado. Candidato ao Senado, o ex-governador afirmou, na sexta-feira (21), que a reforma e a ampliação do complexo formado pelo Hospital Regional de Tabatinga e pela Maternidade Celina Villacrez Ruiz serão concluídas nos próximos meses.
A promessa ocorre pouco mais de um mês antes das eleições e após a obra ter sido alvo de cobranças públicas por causa dos atrasos. Durante a gestão de Wilson, a unidade passou por intervenções que, segundo denúncias feitas na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), chegaram a ser paralisadas, agravando as dificuldades de atendimento da população do Alto Solimões.
A reforma e a ampliação da estrutura de saúde de Tabatinga, espaço originalmente implantado como UPA e integrado ao Complexo Hospitalar do município, foram anunciadas pelo Governo do Amazonas em 7 de novembro de 2025, já no segundo mandato de Wilson.
Wilson governou o Amazonas de 1º de janeiro de 2019 a 4 de abril de 2026, quando deixou o cargo para disputar as eleições deste ano. Agora, como candidato ao Senado, ele afirma que os investimentos iniciados durante sua administração permitirão “resolver definitivamente” o problema da unidade.
“Será inaugurada a primeira etapa da UPA de Tabatinga, que vai contar com UTIs neonatais para garantir o atendimento a recém-nascidos e garantir o atendimento às grávidas. Ela deve ser concluída, deve ser entregue para que a gente resolva definitivamente esse problema da unidade de pronto atendimento aqui de Tabatinga”, afirmou.
Obra foi alvo de cobranças por atraso
O andamento da obra já havia sido questionado publicamente na Assembleia Legislativa. Em maio, o deputado estadual Wilker Barreto cobrou explicações da então secretária de Estado de Saúde, Nayara Maksoud, sobre a paralisação dos serviços.
Na tribuna, Wilker afirmou que a unidade já enfrentava problemas antes da reforma e que a intervenção teria agravado a situação ao deixar o prédio parcialmente destruído e sem a conclusão dos serviços.
“A UPA já estava um caos, um caos antes da reforma. Iniciou-se a reforma e simplesmente quebraram o hospital e pararam a obra”, declarou o deputado.
Wilker relatou que questionou, na época, à secretária quando os trabalhos seriam retomados e quando a situação seria normalizada. Em resposta, Nayara reconheceu que a obra estava atrasada e afirmou que buscaria informações com o responsável pelo empreendimento sobre o andamento do cronograma.
Cobranças continuaram em julho
As dificuldades não ficaram restritas ao atraso da reforma. Em julho, Wilker Barreto voltou a cobrar publicamente a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) após funcionários da unidade relatarem problemas relacionados ao pagamento de salários.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o deputado afirmou ter recebido relatos de “muito desespero” entre profissionais que atuavam na unidade e cobrou da secretaria um cronograma para regularizar os pagamentos aos fornecedores.
“É importante que a Secretaria de Estado da Saúde faça o devido cronograma de pagamento junto aos fornecedores e que os mesmos repassem para os seus colaboradores”, afirmou.
No dia 10 de julho, funcionários da cozinha do Hospital de Tabatinga paralisaram parte das atividades em protesto contra o atraso de salários. Segundo os trabalhadores, havia quatro meses de pagamentos pendentes e os atrasos seriam recorrentes há mais de três anos.
Promessa de conclusão
Com investimento estimado em aproximadamente R$ 11 milhões, a obra prevê a ampliação da estrutura de 45 para 87 leitos, além de novas áreas para atendimento obstétrico, neonatal, de urgência e emergência.
Entre as estruturas previstas estão cinco leitos de UTI neonatal, cinco leitos de Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal Convencional e quatro leitos de Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal Canguru.A situação da saúde está entre as principais reclamações relacionadas à gestão de Wilson Lima e também se tornou um dos desafios herdados pelo atual governador Roberto Cidade, do mesmo grupo político.
Problemas estruturais, atrasos em obras, dificuldades no atendimento e cobranças por serviços de saúde marcaram os últimos anos e seguem como pontos de pressão sobre o governo estadual.
Após mais de sete anos no governo, fica a pergunta: por que o problema que não foi resolvido enquanto Wilson era governador seria solucionado agora, às vésperas da eleição para o Senado?
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