Manaus, 22 de agosto de 2026
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Manaus, 22 de agosto de 2026

Cenário

Após 7 anos no governo, Wilson promete, agora candidato ao Senado, resolver problema na saúde de Tabatinga

Candidato ao Senado afirma que primeira etapa da obra será concluída em setembro, às vésperas da eleição, levantando uma questão: por que o problema não foi resolvido antes?

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Wilson Lima afirma que obra em Tabatinga será concluída em setembro - (Foto: Divulgação/Secom)

Manaus (AM) – Depois de mais de sete anos à frente do Governo do Amazonas, Wilson Lima (União Brasil) agora promete resolver um problema que se arrasta há anos em Tabatinga, no interior do estado. Candidato ao Senado, o ex-governador afirmou, na sexta-feira (21), que a reforma e a ampliação do complexo formado pelo Hospital Regional de Tabatinga e pela Maternidade Celina Villacrez Ruiz serão concluídas nos próximos meses.

A promessa ocorre pouco mais de um mês antes das eleições e após a obra ter sido alvo de cobranças públicas por causa dos atrasos. Durante a gestão de Wilson, a unidade passou por intervenções que, segundo denúncias feitas na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), chegaram a ser paralisadas, agravando as dificuldades de atendimento da população do Alto Solimões.

A reforma e a ampliação da estrutura de saúde de Tabatinga, espaço originalmente implantado como UPA e integrado ao Complexo Hospitalar do município, foram anunciadas pelo Governo do Amazonas em 7 de novembro de 2025, já no segundo mandato de Wilson.

Wilson governou o Amazonas de 1º de janeiro de 2019 a 4 de abril de 2026, quando deixou o cargo para disputar as eleições deste ano. Agora, como candidato ao Senado, ele afirma que os investimentos iniciados durante sua administração permitirão “resolver definitivamente” o problema da unidade.

“Será inaugurada a primeira etapa da UPA de Tabatinga, que vai contar com UTIs neonatais para garantir o atendimento a recém-nascidos e garantir o atendimento às grávidas. Ela deve ser concluída, deve ser entregue para que a gente resolva definitivamente esse problema da unidade de pronto atendimento aqui de Tabatinga”, afirmou.

Obra foi alvo de cobranças por atraso

O andamento da obra já havia sido questionado publicamente na Assembleia Legislativa. Em maio, o deputado estadual Wilker Barreto cobrou explicações da então secretária de Estado de Saúde, Nayara Maksoud, sobre a paralisação dos serviços.

Na tribuna, Wilker afirmou que a unidade já enfrentava problemas antes da reforma e que a intervenção teria agravado a situação ao deixar o prédio parcialmente destruído e sem a conclusão dos serviços.

“A UPA já estava um caos, um caos antes da reforma. Iniciou-se a reforma e simplesmente quebraram o hospital e pararam a obra”, declarou o deputado.

Wilker relatou que questionou, na época, à secretária quando os trabalhos seriam retomados e quando a situação seria normalizada. Em resposta, Nayara reconheceu que a obra estava atrasada e afirmou que buscaria informações com o responsável pelo empreendimento sobre o andamento do cronograma.

Cobranças continuaram em julho

As dificuldades não ficaram restritas ao atraso da reforma. Em julho, Wilker Barreto voltou a cobrar publicamente a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) após funcionários da unidade relatarem problemas relacionados ao pagamento de salários.

Em vídeo publicado nas redes sociais, o deputado afirmou ter recebido relatos de “muito desespero” entre profissionais que atuavam na unidade e cobrou da secretaria um cronograma para regularizar os pagamentos aos fornecedores.

“É importante que a Secretaria de Estado da Saúde faça o devido cronograma de pagamento junto aos fornecedores e que os mesmos repassem para os seus colaboradores”, afirmou.

No dia 10 de julho, funcionários da cozinha do Hospital de Tabatinga paralisaram parte das atividades em protesto contra o atraso de salários. Segundo os trabalhadores, havia quatro meses de pagamentos pendentes e os atrasos seriam recorrentes há mais de três anos.

Promessa de conclusão

Com investimento estimado em aproximadamente R$ 11 milhões, a obra prevê a ampliação da estrutura de 45 para 87 leitos, além de novas áreas para atendimento obstétrico, neonatal, de urgência e emergência.

Entre as estruturas previstas estão cinco leitos de UTI neonatal, cinco leitos de Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal Convencional e quatro leitos de Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal Canguru.A situação da saúde está entre as principais reclamações relacionadas à gestão de Wilson Lima e também se tornou um dos desafios herdados pelo atual governador Roberto Cidade, do mesmo grupo político.

Problemas estruturais, atrasos em obras, dificuldades no atendimento e cobranças por serviços de saúde marcaram os últimos anos e seguem como pontos de pressão sobre o governo estadual.

Após mais de sete anos no governo, fica a pergunta: por que o problema que não foi resolvido enquanto Wilson era governador seria solucionado agora, às vésperas da eleição para o Senado?

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