Manaus, 3 de setembro de 2026
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Manaus, 3 de setembro de 2026

Cenário

Benefícios em plena campanha colocam Governo Presente de Roberto Cidade sob suspeita

Representação questiona distribuição de benefícios e uso da estrutura pública durante ação realizada em agosto no município de Autazes.

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Roberto Cidade. (Foto: Divulgação/Secom)

Manaus (AM) – A realização do programa Governo Presente, em Autazes, entrou na mira da Justiça Eleitoral durante o período de campanha das eleições de 2026.

A Coligação Força Amazonas apresentou representação contra o Estado do Amazonas, o candidato ao Governo do Amazonas Roberto Maia Cidade Filho, o candidato a vice Serafim Fernandes Corrêa, além de outros envolvidos, por suposta prática de condutas vedadas.

A ação questiona a realização do programa no município nos dias 26 e 27 de agosto de 2026. Segundo a representação, a estrutura do Governo do Estado teria sido utilizada para a prestação de serviços e distribuição de bens e benefícios à população, com posterior divulgação nas redes sociais e associação das ações à gestão estadual e à candidatura de Roberto Cidade.

Entre os serviços citados estão atendimentos médicos, exames, ações do Castramóvel, entrega de armações e lentes de óculos, concessão de auxílios e linhas de crédito e entrega de equipamentos destinados à atividade produtiva.

A coligação também afirma que publicações feitas nos perfis do prefeito de Autazes, do secretário municipal de Saúde e da primeira-dama do município teriam associado a ação ao Governo do Estado, a Roberto Cidade e à primeira-dama Thaísa Cidade. Justiça quer esclarecimentos sobre programa.

A representação aponta, em tese, possíveis violações ao artigo 73 da Lei das Eleições, envolvendo publicidade institucional em período vedado, distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios e utilização promocional de serviços sociais em favor de candidatura.

O juiz auxiliar Diogo Oliveira Nogueira Franco, porém, não concedeu a tutela de urgência solicitada pela coligação.

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Candidato Roberto Cidade. (Foto: Divulgação/Secom)

Na decisão, o magistrado afirma que os elementos apresentados justificam a apuração dos fatos, principalmente diante da realização da ação governamental durante o período eleitoral, da disponibilização gratuita de determinados bens e serviços e das manifestações que associam a iniciativa à gestão estadual.

Antes de decidir sobre eventual irregularidade, o TRE-AM determinou que sejam esclarecidas questões relacionadas à natureza jurídica do Governo Presente, sua instituição normativa, execução orçamentária e origem dos recursos utilizados.

Também deverá ser verificado se os benefícios distribuídos estão inseridos em programa social autorizado por lei e já em execução orçamentária no exercício anterior.

Outro ponto que será analisado é a responsabilidade pela produção e divulgação das publicações que fizeram referência ao Governo do Estado e ao governador. A decisão destaca que parte dos conteúdos foi publicada em perfis de agentes municipais e particulares.

A decisão registra ainda que Roberto Cidade e Serafim Corrêa não compareceram presencialmente ao evento, segundo a própria representação. Eles foram incluídos no processo, entre outros motivos, sob a alegação de serem beneficiários das condutas questionadas.

O TRE-AM decidiu adiar a análise da tutela de urgência até a apresentação das defesas. Os representados foram notificados para se manifestar no prazo de cinco dias. Depois, o processo será encaminhado ao Ministério Público Eleitoral para parecer e retornará ao juiz para nova análise.

Veja a decisão:

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