Manaus, 4 de setembro de 2026
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Manaus, 4 de setembro de 2026

Cenário

Após alerta da DPE, David Almeida mostra ambulâncias do Samu retidas no Hospital João Lúcio

Candidato fala em superlotação e falta de leitos; DPE-AM já havia cobrado providências à SES-AM por retenções de macas em unidades de Manaus, como revelou o Portal AM1.

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(Foto: Reprodução/ Redes Sociai e Evandro-Seixas/ SES)

Manaus (AM) — O candidato ao Governo do Amazonas e ex-prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), criticou nesta sexta-feira (4) a situação de ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) que, segundo ele, estavam retidas no Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio, na zona Leste da capital.

O problema não é novo: em agosto, o Portal AM1 revelou que a Defensoria Pública do Estado (DPE-AM) identificou  entre julho de 2025 e junho deste ano, 1.623 ocorrências de retenção de macas e outros equipamentos do Samu em unidades de saúde de Manaus.

Em vídeo publicado nas redes sociais, David Almeida afirmou ter recebido imagens mostrando várias ambulâncias na unidade administrada pelo Governo do Amazonas. Segundo ele a situação se atribui à superlotação e à falta de leitos.

“Eu queria compartilhar com vocês as imagens que eu recebi lá do Hospital João Lúcio, onde várias ambulâncias do Samu estão retidas por superlotação e falta de leitos dentro dessa unidade de saúde administrada pelo Governo do Estado do Amazonas”, declarou em vídeo.

David, que deixou a Prefeitura de Manaus em abril para disputar o Governo do Estado, também relacionou o problema à gestão estadual e criticou a administração do governador Roberto Cidade (União Brasil).

“O Samu é um dos órgãos mais eficientes da Prefeitura de Manaus, mas, infelizmente, nós estamos tendo esse problema de superlotação dos leitos nos hospitais de Manaus, fruto da incapacidade administrativa e fruto da incompetência de um governo que ainda não disse para o que veio”, afirmou.

Problema já havia sido revelado pelo AM1

As imagens divulgadas retomam um problema mostrado pelo Portal AM1 em reportagem publicada no dia 21 de agosto. Na ocasião, documentos da DPE-AM mostraram que foram contabilizadas 1.623 ocorrências de retenção de macas e outros equipamentos do Samu entre julho de 2025 e junho de 2026.

Os números constam na Portaria nº 10/2026, do Núcleo de Defesa da Saúde (Nudesa), e levaram a Defensoria a cobrar providências da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM).

O João Lúcio, citado por David nesta sexta-feira, já aparecia como um dos principais focos do problema. De acordo com relatório da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) citado pela Defensoria, o hospital concentrou 39,1% das ocorrências, ficando atrás apenas do Hospital 28 de Agosto, responsável por 41,8%.

Somados ao Hospital Dr. Platão Araújo, que concentrou 12,6% dos registros, os três hospitais estaduais responderam por 93,5% de todas as retenções identificadas no período.

Ambulâncias fora das ruas

A retenção das macas pode afetar diretamente a capacidade de atendimento do Samu. Isso porque, quando uma ambulância entrega um paciente ao hospital e a maca utilizada pela equipe permanece na unidade sem equipamento disponível para substituí-la, o veículo pode ficar impossibilitado de retornar às ruas para atender uma nova emergência.

Segundo os dados revelados pelo AM1, o tempo médio de retenção foi de 1 hora e 42 minutos, mas houve situações que ultrapassaram 23 horas. A falta de leitos aparece entre as principais causas apontadas para o problema.

A retenção de macas também é proibida pela Lei Estadual nº 6.495/2023, que prevê multa de R$ 5 mil, corrigida pelo IPCA, além da possibilidade de dobrar a penalidade em caso de reincidência.

DPE cobrou providências

Após identificar o cenário, a Defensoria recomendou que hospitais, UPAs e SPAs estaduais interrompessem imediatamente a retenção de macas e demais equipamentos pertencentes ao Samu.

A SES-AM também recebeu prazo de 30 dias para apresentar um planejamento para evitar novos episódios, incluindo ações de enfrentamento à superlotação, disponibilização de equipamentos próprios e estudo sobre eventual necessidade de ampliação da rede estadual de urgência e emergência.

Na portaria, a DPE destacou ainda que as 1.623 ocorrências já haviam sido comunicadas à SES-AM, mas afirmou que, até aquele momento, não havia informação sobre providências capazes de interromper a repetição da prática. A Defensoria chegou a alertar para a possibilidade de adoção de medidas judiciais caso suas recomendações não fossem cumpridas.

As imagens divulgadas por David Almeida nesta sexta-feira, portanto, voltam a colocar o Hospital João Lúcio no centro das críticas sobre a retenção de ambulâncias e macas, pouco mais de duas semanas após a cobrança formal da Defensoria ao Estado.

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