Manaus, 21 de agosto de 2026
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Manaus, 21 de agosto de 2026

Cenário

DPE cobra SES-AM após 1,6 mil retenções de macas em hospitais comprometerem funcionamento do Samu em Manaus

Levantamento mostra que 93,5% dos casos ocorreram nos hospitais 28 de Agosto, João Lúcio e Platão Araújo; A prática de retenção é proibida por lei estadual.

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(Foto: Saavik Arguelles / CHS e Evandro Seixas / SES-AM)

Manaus (AM) – A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) abriu um procedimento coletivo após identificar 1.623 ocorrências de retenção de macas e outros equipamentos do Samu 192 em unidades de saúde de Manaus. Os registros ocorreram entre julho de 2025 e junho de 2026.

Os dados constam na Portaria nº 10/2026, do Núcleo de Defesa da Saúde (Nudesa). A DPE recomendou que a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) adote medidas imediatas para impedir que hospitais estaduais continuem retendo os equipamentos.

Segundo relatório da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) citado pela Defensoria, 93,5% das ocorrências ficaram concentradas em três hospitais estaduais.

Unidade Percentual das ocorrências
Hospital 28 de Agosto 41,8%
Hospital João Lúcio 39,1%
Hospital Dr. Platão Araújo 12,6%
Demais unidades 6,5%

O tempo médio de retenção informado foi de 1 hora e 42 minutos, mas houve registros superiores a 23 horas. A falta de leitos aparece como uma das principais razões para o problema.

Além das macas, o levantamento identificou retenções de pranchas, colares cervicais e outros equipamentos utilizados pelas equipes de emergência.

Para a Defensoria, a situação afeta diretamente o funcionamento do Samu. Quando uma maca fica no hospital e não há equipamento disponível para substituí-la, a ambulância pode permanecer indisponível para novas ocorrências.

A portaria destaca ainda que a retenção de macas é proibida pela Lei Estadual nº 6.495/2023. A norma prevê multa de R$ 5 mil, corrigida pelo IPCA, além da possibilidade de dobrar o valor em caso de reincidência.

A DPE afirma que as 1.623 ocorrências foram comunicadas à SES-AM por meio do canal utilizado pelos gestores do Samu e das unidades de urgência. Apesar das notificações, segundo a Defensoria, não há informação de providências que tenham conseguido interromper a repetição da prática durante o período analisado.

Defensoria cobra solução

A recomendação determina que hospitais, UPAs e SPAs estaduais parem imediatamente de reter macas e demais equipamentos do Samu, sem que a medida provoque interrupção ou redução do atendimento aos pacientes.

A SES-AM também terá 30 dias para apresentar planejamento destinado a evitar novos episódios, incluindo medidas contra a superlotação, disponibilidade de equipamentos próprios e estudo sobre a necessidade de ampliação da rede de urgência e emergência.

A Semsa, responsável pela coordenação do Samu 192 em Manaus, deverá prestar esclarecimentos à Defensoria em dez dias. Entre as informações solicitadas estão os impactos provocados pela indisponibilidade das ambulâncias e quais providências foram tomadas pela SES-AM após as comunicações dos 1.623 casos.

A DPE informou que poderá adotar medidas judiciais caso as recomendações não sejam cumpridas.

Confira o documento:

 

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