Manaus, 18 de setembro de 2026
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Manaus, 18 de setembro de 2026

Cenário

Após ser preso e investigado, Saullo Vianna mira Clã Pinheiro e cobra ‘dinheiro do povo’

Deputado federal usou operação em Coari para cobrar responsabilidade com recursos públicos, mas seu histórico inclui prisão pela PF, buscas e investigação do MP-AM.

Saullo mira Clã Pinheiro e cobra ‘dinheiro do povo’, mas já esteve no alvo de operações

(Foto: Imagem gerada a partir do uso de IA)

Manaus (AM) — O deputado federal Saullo Vianna (MDB) usou a Operação Dinastia do Lago, deflagrada pela Polícia Federal em Coari, para fazer um discurso de cobrança sobre o uso de dinheiro público. Sem citar nominalmente o deputado Adail Filho ou o prefeito afastado Adail Pinheiro, o parlamentar afirmou que os valores investigados seriam “o dinheiro do povo”.

“Essa operação da Polícia Federal que aconteceu essa semana, que afastou o prefeito, que envolveu o deputado federal, que mandou um milhão em dinheiro pra Brasília, com três empresários, é o teu dinheiro que tá lá. É o dinheiro do povo que tá fatiado que tá lá”, afirmou Saullo durante agenda política em Itacoatiara.

Veja o vídeo:

A declaração ocorreu após a Operação Dinastia do Lago, que investiga possíveis fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro relacionados à administração de Coari. A investigação começou após a apreensão de aproximadamente R$ 1,25 milhão em espécie com três empresários, em maio de 2025. A PF cumpriu 29 mandados de busca e apreensão e outras medidas determinadas pelo Supremo Tribunal Federal.

A fala de Saullo, entretanto, ganha outro peso quando confrontada com o próprio histórico político do deputado. Antes de chegar à Câmara dos Deputados, ele já esteve no centro de operações policiais e de investigações relacionadas a suspeitas de crimes eleitorais e contratos públicos.

Prisão pela Polícia Federal

Em dezembro de 2018, poucos meses depois de ser eleito deputado estadual, Saullo Vianna foi preso temporariamente pela Polícia Federal.

Na época, a investigação apurava suspeitas de corrupção ativa e passiva, associação criminosa e violação de sigilo funcional envolvendo informações privilegiadas do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas. Saullo foi levado ao Centro de Detenção Provisória Masculino II, em Manaus.

A prisão, porém, não resultou em condenação. Em fevereiro de 2019, a Justiça Eleitoral anulou as provas obtidas a partir das medidas determinadas pela Justiça Federal e determinou o arquivamento de três inquéritos. A decisão apontou que o juízo que havia autorizado as medidas era incompetente para atuar no caso.

Pai de Saullo também foi preso pela PF

Em novembro de 2020, Saullo voltou a aparecer no radar de uma investigação da Polícia Federal, desta vez na Operação Ponto de Parada.

A operação investigava suspeitas de fraude em uma licitação para transporte escolar em Presidente Figueiredo. Saullo foi alvo de busca e apreensão, enquanto seu pai, Sérgio Vianna, foi preso temporariamente. A investigação apurava se uma empresa ligada ao parlamentar teria atuado como sócia oculta em uma disputa de contratação pública.

Segundo a PF, a investigação também envolvia suspeitas de fraude em licitação, lavagem de dinheiro e associação criminosa. A Justiça determinou ainda o sequestro de bens no valor de R$ 13 milhões.

Sérgio Vianna deixou a prisão três dias depois, após decisão do desembargador federal Olindo Menezes.

Um ano depois, nova operação

Em fevereiro de 2021, foi a vez do Ministério Público do Amazonas deflagrar a Operação Cachoeira Limpa, que teve Saullo novamente entre os alvos.

A investigação apurava suspeitas de fraude em licitações, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa em contratos da Prefeitura de Presidente Figueiredo. Segundo o MP-AM, o possível prejuízo aos cofres públicos era estimado em R$ 23 milhões.

O MP chegou a pedir a prisão e o afastamento de Saullo do cargo, mas a Justiça negou os pedidos. O deputado foi alvo de busca e apreensão.

Na ocasião, Saullo afirmou que “até agora nada foi comprovado” e disse estar à disposição para colaborar com as investigações.

O próprio Ministério Público sustentava, à época, que empresas relacionadas ao grupo econômico de Saullo teriam participado de um esquema envolvendo contratos públicos.

O discurso e o passado

É nesse contexto que a fala de Saullo sobre a Operação Dinastia do Lago chama atenção.

O deputado não questionou a atuação da Polícia Federal. Ao contrário, utilizou a operação como argumento para afirmar que recursos públicos estariam sendo desviados e para cobrar dos eleitores responsabilidade na escolha de seus representantes.

O contraste está no fato de que o próprio parlamentar já foi alvo de uma prisão da PF, teve o nome envolvido em outra operação federal que atingiu seu pai e, posteriormente, foi alvo de uma operação do Ministério Público.

Os episódios, entretanto, tiveram naturezas e desfechos diferentes. A investigação de 2018 foi arquivada após a Justiça considerar nulas as provas obtidas. Nos casos posteriores, Saullo foi alvo de medidas de investigação, mas os registros citados não equivalem a uma condenação criminal.

Ainda assim, o histórico ajuda a colocar em perspectiva o discurso atual do deputado sobre dinheiro público, investigações e responsabilidade política.

Em política, o discurso sobre fiscalização e transparência também precisa conviver com o próprio passado de quem o profere. No caso de Saullo Vianna, esse passado inclui justamente operações e investigações envolvendo seu nome e pessoas próximas.

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