(Foto: Divulgação/UEA)
Manaus (AM) – Centros acadêmicos e movimentos estudantis da Universidade do Estado do Amazonas publicaram notas de repúdio contra a manutenção das aulas presenciais e declarações da reitoria da instituição, após a piora na qualidade do ar em Manaus. As manifestações reuniram órgãos representativos como os Centros Acadêmicos de Biologia, Pedagogia, Letras, Matemática, Geografia, Medicina, a Executiva Amazonense de Estudantes de Pedagogia e o Movimento dos Estudantes Indígenas do Amazonas.
A insatisfação dos estudantes decorre do posicionamento do reitor André Zogahib, que classificou as solicitações de medidas de proteção e suspensão de atividades como atitudes de “pseudo avaliadores de ciência” e “populismo”. Em resposta conjunta, representantes discentes afirmaram que pedir medidas de saúde apoia-se em dados científicos.
Eles reforçaram que a busca por proteção não constitui politicagem ou ação populista, argumentando que a universidade deve conduzir processos com transparência e diálogo com o corpo discente.
Os documentos apresentados pelas entidades citam índices elevados de poluição atmosférica. Dados da plataforma Selva, desenvolvida pela própria universidade, apontaram concentrações de material particulado fino atingindo 286,2 µg/m³ na Zona Sul de Manaus e registros pontuais de até 291 µg/m³, classificando a qualidade do ar como péssima. A média registrada pela Prefeitura de Manaus alcançou 188,5 µg/m³, enquanto outros trechos de textos estudantis apontaram picos de 324,1 µg/m³. Em 24 de setembro, quinta-feira, os índices do sistema continuaram acima de 125 µg/m³ em múltiplos pontos da capital.
Diante do cenário ambiental adversos, o Centro Acadêmico de Letras e o Centro Acadêmico de Medicina João Bosco Botelho ressaltaram que a exposição prolongada a poluentes afeta os sistemas respiratório e cardiovascular, provocando crises de asma e problemas cardíacos. As entidades destacaram também os riscos enfrentados pelos estudantes no deslocamento de ônibus ou motocicleta.
Segundo o Centro Acadêmico de Letras, as orientações da Secretaria Municipal de Saúde recomendam evitar a exposição à fumaça ou utilizar máscaras N95.
As entidades acadêmicas apresentaram propostas institucionais para enfrentar a crise. Entre as solicitações estão a adoção temporária do ensino remoto para aulas teóricas, a flexibilização de avaliações, o abono de faltas e a distribuição de equipamentos de proteção individual, como máscaras N95 e PFF2.
Além disso, os estudantes sugeriram o estabelecimento de um Protocolo Institutional de Alerta Ambiental, com níveis de risco definidos, critérios claros para suspensão de atividades e atenção específica para grupos vulneráveis e de maior risco.
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