Manaus, 25 de setembro de 2026
×
Manaus, 25 de setembro de 2026

Cidades

Professora indígena denuncia violência em escola de Manaus

Caso ocorreu na Escola Estadual Juracy Batista Gomes, onde também são relatadas denúncias envolvendo alunos.

Professora Maurille Kukama durante entrevista ao Portal AM1, em frente à Escola Estadual Prof. Juracy Batista Gomes (Foto: Lucas Bentes / Montagem Portal AM1)

Manaus – A professora indígena Maurille Kukama denunciou ter sido agredida nesta quinta-feira (24), dentro da Escola Estadual Juracy Batista Gomes, no bairro Cidade Nova, zona Norte de Manaus. Segundo o relato da docente, o episódio começou após ela questionar a abordagem de um policial militar a alunos da unidade.

A equipe de reportagem do Portal AM1 esteve em frente à escola e conversou com a professora Maurille Kukama sobre o episódio. Durante a entrevista, ela relatou a abordagem do policial militar, a suposta agressão e as denúncias envolvendo alunos da unidade.

 

Em outro momento, a equipe do Portal AM1 ouviu familiares e alunos sobre o caso. Os entrevistados relataram situações que classificam como preconceito, racismo e constrangimentos dentro da escola, além de manifestarem apoio à professora Maurille Kukama e às denúncias feitas por ela.

 

De acordo com Maurille, o policial teria repreendido estudantes por causa do cabelo, relacionado às regras do Projeto Escola Cívico-Militar (Pesac). Após a abordagem, a professora afirmou que orientou os alunos a procurarem ajuda caso tivessem se sentido violentados e citou a possibilidade de acionar o Conselho Tutelar e a Defensoria Pública.

Segundo a professora, o policial teria reagido com ofensas e dado voz de prisão a ela. Murile afirma que contestou a ação e disse que o agente também poderia ser responsabilizado pela forma como teria tratado os estudantes.

Ainda conforme o relato, quando tentou deixar a escola para procurar o Comando-Geral da Polícia Militar, teria sido impedida de sair. A professora afirma que, ao tentar retornar para a sala de aula, o diretor da unidade teria fechado o portão sobre seu braço, causando ferimentos.

Filho também teria recebido voz de prisão

Após o episódio, Maurille contou que chamou o filho para ajudá-la. Segundo ela, o jovem entrou na escola para procurá-la, mas o policial teria afirmado que ele havia invadido a unidade e dado voz de prisão ao rapaz.

A professora disse que tentou impedir a prisão e questionou a entrada do policial na sala da pedagogia para retirar o filho. Conforme seu relato, houve uma discussão no local. Maurille também afirma que o policial teria alegado ter autoridade superior dentro do projeto cívico-militar e que ninguém poderia impedir sua atuação na escola.

Professora denuncia episódios contra alunos

Durante entrevista ao Portal AM1, a professora também fez outras denúncias envolvendo a rotina da escola. Ela afirmou que estudantes seriam submetidos a situações que considera constrangedoras por motivos relacionados à aparência, religião, identidade cultural e orientação sexual. Segundo Maurille Kukama, alunos com cabelos compridos seriam alvo de comentários pejorativos e estudantes indígenas também teriam enfrentado problemas por expressarem elementos de sua cultura.

A professora, que leciona História, afirmou ainda que já teria sido chamada de “doida”, “desequilibrada” e “histérica” por integrantes da comunidade escolar após denunciar situações envolvendo estudantes. Ela também declarou que outros professores teriam feito comentários ofensivos sobre ela após o episódio desta quinta-feira.

Denúncia envolvendo grafismo indígena

A mãe de uma aluna, identificada como Isabel Souza, também relatou uma situação envolvendo a filha e um grafismo indígena.

Segundo Isabel, a estudante estava em sala quando um professor de Geografia questionou o desenho em seu braço. A jovem teria explicado que se tratava de um grafismo relacionado à cultura indígena, mas, conforme o relato da mãe, a estudante teria sido orientada a deixar a sala e procurar a direção da escola. Para Isabel, a situação representa uma forma de desrespeito à cultura indígena.

Protesto em frente à escola

Após o episódio envolvendo a professora, alunos e familiares realizaram uma manifestação em frente à Escola Estadual Juracy Batista Gomes. Durante o ato, Maurille também afirmou que teria sido impedida de entrar na unidade onde trabalha.

Segundo a docente, ela estava em horário de trabalho e tinha direito de acessar a escola. Em vídeos registrados no local, a professora aparece questionando a restrição de entrada. Maurille afirmou que pretende denunciar o caso às autoridades e continuar cobrando providências sobre as situações relatadas por estudantes e familiares.

Seduc e Polícia Militar são procuradas

O Portal AM1 entrou em contato com a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc-AM) e com a Polícia Militar do Amazonas (PMAM) para solicitar esclarecimentos sobre as denúncias relatadas pela professora, familiares e alunos, além das circunstâncias envolvendo a atuação do policial na escola.

Até a publicação desta matéria, não houve resposta. O espaço permanece aberto para manifestação da Seduc-AM, da Polícia Militar e da direção da Escola Estadual Juracy Batista Gomes.

LEIA MAIS: