Manaus, 28 de setembro de 2026
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Manaus, 28 de setembro de 2026

Cidades

Ex-funcionários da Aadesam cobram FGTS após demissões

Trabalhadores relatam atrasos em depósitos, multa rescisória e verbas trabalhistas após desligamentos em julho.

Aadesam demitiu em massa os trabalhadores (Foto: Divulgação/Aadesam)

Manaus (AM) – Ex-funcionários da Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural, Social e Ambiental (Aadesam) cobram a regularização de direitos trabalhistas após uma série de demissões realizadas em julho deste ano. Entre as principais reclamações estão atrasos no depósito do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), falta da multa rescisória de 40% e pendências no pagamento das verbas de desligamento.

Os trabalhadores também relatam problemas envolvendo empréstimos consignados. Segundo os ex-funcionários, parcelas teriam sido descontadas dos salários e das rescisões, mas não repassadas às instituições financeiras. As demissões geraram reclamações entre os funcionários e levaram parte dos trabalhadores a procurar órgãos de fiscalização e a Justiça do Trabalho em busca de respostas.

Ex-funcionários relatam atrasos no FGTS

Um dos trabalhadores desligados, Fábio Félix dos Santos, afirma que foi demitido em 6 de julho. Segundo ele, a convocação para comparecer à Aadesam ocorreu por meio de uma mensagem enviada pelo WhatsApp, sem informar que o atendimento estaria relacionado ao desligamento.

Fábio Félix dos Santos, ex-funcionário da Aadesam, relata como recebeu a convocação e foi demitido em julho (Foto: Arquivo Pessoal)

 

Fábio afirma ainda que recebeu um documento com data anterior ao dia em que compareceu à agência e que teria sido pressionado a assiná-lo. Além da demissão, ele relata pendências no FGTS e no pagamento da multa rescisória. O trabalhador também afirma que valores referentes a empréstimos foram descontados, mas não teriam sido repassados aos bancos. Segundo ele, os ex-funcionários também enfrentaram dificuldades para obter informações sobre os prazos de pagamento das verbas rescisórias.

Trabalhador afirma ter 13 parcelas do FGTS pendentes

Outro ex-funcionário, Wellington Nobre, afirma que deixou a Aadesam sem receber a multa de 40% do FGTS e que identificou 13 parcelas sem depósito.

Wellington Nobre, ex-funcionário da Aadesam, relata pendências trabalhistas após demissão (Foto: Arquivo Pessoal)

Wellington Nobre, ex-funcionário da Aadesam, relata pendências trabalhistas após demissão (Foto: Arquivo Pessoal)

Ele conta que procurou a Aadesam e a Caixa Econômica Federal diversas vezes para tentar solucionar o problema. Segundo Wellington, recebeu diferentes previsões para a regularização dos valores, mas os depósitos não teriam sido realizados.

Diante da situação, ele afirma ter procurado uma advogada e ingressado com uma ação na Justiça do Trabalho. Wellington também relata que foi demitido enquanto realizava exames para uma cirurgia e que não teria passado pelo exame demissional.

Ex-funcionária relata demissão inesperada

Uma ex-funcionária de uma unidade do Restaurante Popular Prato Cheio Braga Mendes, que preferiu não se identificar, também afirma ter sido surpreendida pelo desligamento. Segundo ela, a unidade atendia cerca de 400 pessoas por dia e funcionava com três trabalhadoras. A ex-funcionária afirma que já havia procurado o setor de Recursos Humanos para cobrar pendências relacionadas a férias e depósitos do FGTS.

Ela relata que recebeu uma mensagem na noite de 2 de julho para comparecer à Aadesam no dia seguinte. Como uma das funcionárias estaria doente, afirma que não conseguiu deixar o local de trabalho. Posteriormente, segundo a trabalhadora, ela descobriu que a convocação estava relacionada às demissões.

A ex-funcionária afirma ainda que compareceu à sede da agência em 6 de julho e encontrou outros trabalhadores em situação semelhante. Segundo ela, alguns funcionários teriam sido orientados a deixar a recepção enquanto aguardavam informações sobre os desligamentos. Ela também relata ter recebido um documento de demissão com data retroativa, mas decidiu não assiná-lo.

Trabalhadores recorrem ao Ministério Público e à Justiça

Diante das pendências, um grupo de ex-funcionários afirma ter procurado o Ministério Público e a Justiça para cobrar a regularização dos direitos trabalhistas. Segundo uma das trabalhadoras, o FGTS continua pendente e os ex-funcionários estariam sendo encaminhados entre a Aadesam e a Caixa Econômica Federal em busca de uma solução.

Outra ex-funcionária, Maria Sandra Cardoso, afirma que foi desligada em 3 de julho após receber uma mensagem pelo WhatsApp para comparecer ao setor de Recursos Humanos. Ela diz que não recebeu justificativa para a demissão e afirma que nenhum mês do FGTS teria sido depositado durante o período trabalhado. Também relata que não recebeu a multa rescisória de 40%.

Maria Sandra afirma que procurou a Aadesam quatro vezes para tentar resolver a situação. Segundo ela, inicialmente recebeu a previsão de que os valores seriam pagos em poucos dias, mas posteriormente teria sido informada de que não havia prazo definido. No dia 23 de setembro, segundo a ex-funcionária, foi ajuizada uma ação na Justiça do Trabalho para cobrar os valores.

MPT convoca trabalhadores

O Ministério Público do Trabalho no Amazonas e Roraima (MPT-AM/RR) também convocou trabalhadores dispensados pela Aadesam a partir de julho de 2026 para prestar informações relacionadas ao processo judicial ACPCiv 0000914-80.2026.5.11.0015. Veja a lista:

https://www.prt11.mpt.mp.br/images/2026/ACESSE_A_LISTA_Lista_de_nome_desligados_AADESAM_julho_2026_e_datas_seguintes-_registro_at_25082026_E-social.pdf

Os trabalhadores que estiverem na lista divulgada pela Procuradoria Regional do Trabalho da 11ª Região (PRT11) devem responder aos questionamentos do MPT e apresentar documentos que possam contribuir com a apuração. O prazo informado pelo órgão para o envio das informações termina na próxima sexta-feira (2).

Aadesam e Governo são procurados

O Portal AM1 procurou a Aadesam e o Governo do Amazonas para saber quais medidas estão sendo adotadas diante das denúncias apresentadas pelos ex-funcionários, incluindo as reclamações sobre FGTS, verbas rescisórias e empréstimos consignados.

Até a publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.

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