Silas Câmara e Dan Câmara encerram 2026 sem mandato eletivo para 2027, após derrotas nas disputas pela Câmara dos Deputados e Aleam (Foto ReproduçãoCâmara dos DeputadosDivulgação)
Manaus (AM) – As urnas de 2026 impuseram uma derrota dupla à família Câmara no Amazonas. Silas Câmara perdeu a disputa pelo oitavo mandato consecutivo na Câmara dos Deputados, enquanto o irmão, Comandante Dan Câmara, não conseguiu renovar a cadeira na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).
Silas recebeu 93.497 votos para deputado federal, mas terminou fora das oito vagas destinadas ao Amazonas. O Republicanos conquistou apenas uma cadeira, que ficou com Amom Mandel, eleito com 119.265 votos.

Na Aleam, Dan Câmara recebeu 32.351 votos e terminou como o terceiro candidato mais votado do Republicanos. A legenda, porém, elegeu somente Rodrigo Guedes, com 42.295 votos. Com isso, Dan deixará o Legislativo estadual ao fim da atual legislatura.

Fim de uma sequência de 28 anos
A derrota de Silas tem peso maior pelo tamanho da trajetória construída em Brasília. O deputado chegou à Câmara pela primeira vez em 1998 e, desde então, conseguiu renovar o mandato em todas as eleições para deputado federal que disputou: 1998, 2002, 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022.
Foram sete eleições consecutivas vencidas. Em 2026, entretanto, a sequência foi interrompida. Aos 63 anos, Silas deixa a Câmara depois de quase três décadas de presença no Congresso. A derrota encerra, pelo menos por enquanto, uma trajetória iniciada em 1998 e que o levou a ocupar a bancada amazonense por sete legislaturas consecutivas.
De 38 mil a 166 mil votos e de volta aos 93 mil
A carreira eleitoral de Silas também mostra uma forte oscilação na votação. Em 1998, recebeu 38.310 votos. Quatro anos depois, chegou a 71.578. Em 2006, alcançou 104.965; em 2010, 127.134; e, em 2014, atingiu seu pico, com 166.281 votos.
Em 2018, foram 117.181 votos. Em 2022, já em queda, recebeu 125.068 e garantiu novamente o mandato. Em 2026, porém, caiu para 93.497 votos. A votação deste ano representa uma redução de aproximadamente 25% em relação a 2022 e de quase 44% em relação ao auge de 2014. Mais do que perder a eleição, Silas viu ruir uma sequência que parecia consolidada: sete vitórias consecutivas para deputado federal foram interrompidas na oitava tentativa.
Sete vitórias e duas derrotas
Considerando as nove disputas eleitorais registradas na trajetória de Silas, o retrospecto termina 2026 com sete vitórias e duas derrotas.
Vitórias:
- 1998 – deputado federal;
- 2002 – deputado federal;
- 2006 – deputado federal;
- 2010 – deputado federal;
- 2014 – deputado federal;
- 2018 – deputado federal;
- 2022 – deputado federal.
Derrotas:
- 2016 – prefeito de Manaus;
- 2026 – deputado federal.
O revés de 2016 foi uma exceção em uma carreira marcada por vitórias para o Congresso. Naquele ano, Silas disputou a Prefeitura de Manaus e recebeu 115.770 votos, mas não foi eleito.
Dan também fica pelo caminho
Se Silas viu uma longa sequência ser interrompida, Dan Câmara sequer conseguiu transformar o primeiro mandato em uma reeleição. Em 2020, antes de chegar à Aleam, Dan disputou uma vaga de vereador em Presidente Figueiredo. Recebeu apenas 105 votos, ficou em 50º lugar entre 311 candidatos e não foi eleito.
Dois anos depois, mudou o cenário. Candidato a deputado estadual pelo PSC, foi eleito com 21.770 votos, conquistando uma cadeira na Aleam pelo sistema proporcional. Em 2026, já pelo Republicanos, Dan ampliou a votação para 32.351 votos, mas o crescimento individual não foi suficiente para garantir a cadeira. O partido elegeu apenas Rodrigo Guedes. Dan terminou como terceiro colocado da legenda e ficará fora da Assembleia a partir de 2027.
A derrota dos irmãos
O resultado produz uma situação inédita para a família Câmara. Silas perde a cadeira que ocupou por sete mandatos consecutivos. Dan deixa a Aleam depois de apenas uma legislatura. Juntos, os irmãos chegam ao fim de 2026 com oito vitórias e três derrotas eleitorais nas disputas que fizeram desde suas primeiras candidaturas.
A força eleitoral construída por Silas ao longo de quase três décadas não foi suficiente para garantir a permanência da família no Legislativo. E Dan, apesar de ter aumentado a própria votação em mais de 10 mil votos em relação a 2022, acabou barrado pelo desempenho do partido. A partir de fevereiro de 2027, portanto, não haverá um Câmara eleito pelo Amazonas na Câmara dos Deputados nem na Assembleia Legislativa. É uma mudança significativa para um grupo político que, durante anos, manteve presença simultânea nos dois Legislativos.
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