Manaus, 6 de outubro de 2026
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Manaus, 6 de outubro de 2026

Cenário

Wilson perde 580 mil votos e vê força eleitoral desabar em 4 anos

Ex-governador teve a maior votação de sua trajetória em 2022, mas quatro anos depois terminou em quarto na disputa pelo Senado; números mostram o tamanho da queda.

Wilson Lima (Foto: Agência Senado)

Manaus (AM) – Há quatro anos, Wilson Lima alcançava o auge eleitoral de sua carreira. Em 2022, o então governador foi reeleito no segundo turno com 1.039.192 votos, o equivalente a 56,65% dos votos válidos, derrotando Eduardo Braga. Foi a maior votação obtida por Wilson em uma eleição.

 

Quatro anos depois, o cenário mudou radicalmente. Fora do Governo do Amazonas após renunciar ao cargo para disputar o Senado, Wilson terminou a eleição de 2026 com 456.854 votos, 11,89% dos válidos. Ficou em quarto lugar, atrás de Eduardo Braga, Plínio Valério e Capitão Alberto Neto. As duas vagas foram conquistadas por Braga e Plínio.

A diferença entre os dois momentos é de 582.338 votos. O resultado abre um contraponto importante na trajetória política de Wilson: como um governador que chegou a ultrapassar a marca de 1 milhão de votos terminou quatro anos depois com menos da metade desse eleitorado em uma disputa majoritária?

O salto de 2018 para 2022

A trajetória de Wilson já havia mostrado crescimento expressivo antes da reeleição. Em 2018, quando disputou pela primeira vez o Governo do Amazonas, ele chegou ao segundo turno e terminou eleito com 1.033.954 votos.

Quatro anos depois, voltou ao segundo turno e alcançou 1.039.192 votos. Ou seja, entre os dois segundos turnos para governador, Wilson manteve uma votação praticamente no mesmo patamar. O que mudou não foi apenas o cargo disputado em 2026, mas também o cenário político em torno de seu nome.

Do Governo ao Senado

Em abril de 2026, Wilson deixou o Governo do Amazonas para disputar uma vaga no Senado. A saída abriu espaço para uma eleição indireta na Assembleia Legislativa, que terminou com Roberto Cidade escolhido para comandar o Estado em mandato-tampão. A aposta de Wilson era permanecer na política majoritária, agora em Brasília.

Nas urnas, porém, a transferência da força eleitoral construída nas duas eleições para governador não se confirmou na mesma proporção. Wilson recebeu 456.854 votos. O número representa cerca de 44% dos 1.039.192 votos que havia obtido no segundo turno de 2022. Em outras palavras: a votação caiu em 582.338 votos entre as duas disputas.

A diferença para os eleitos

O resultado também mostra que Wilson não esteve apenas abaixo dos dois eleitos. Eduardo Braga foi o mais votado, com 1.240.471 votos (32,29%). Plínio Valério ficou com a segunda vaga, com 948.793 (24,70%). Capitão Alberto Neto terminou em terceiro, com 909.155 (23,66%).

Wilson apareceu em quarto, com 456.854 votos (11,89%). A diferença para Plínio, último eleito, chegou a 491.939 votos. Para Alberto Neto, que ficou fora por apenas 39.638 votos, a distância de Wilson foi ainda maior: 452.301 votos. O contraste é relevante porque a disputa pelo Senado teve apenas duas vagas, enquanto cada eleitor podia escolher dois candidatos.

A força de 2022 não se repetiu

Os números não permitem concluir, sozinhos, que todo o eleitorado de Wilson abandonou seu grupo político. As disputas eram diferentes, os cargos também e o eleitor podia votar em dois nomes para o Senado. Mas o raio X da votação mostra uma mudança objetiva: o capital eleitoral que levou Wilson a mais de 1 milhão de votos para governador não se repetiu na tentativa de chegar ao Senado.

Em 2026, foram 456.854 votos menos da metade do que havia alcançado no segundo turno de 2022. A diferença de desempenho também aparece quando se observa a posição no ranking. Em 2022, Wilson venceu a disputa pelo Governo. Em 2026, terminou em quarto entre oito candidatos ao Senado.

Quatro anos depois, outra fotografia das urnas

A eleição de 2026, portanto, deixa duas fotografias bastante diferentes da mesma trajetória política. Na primeira, Wilson Lima aparece como governador reeleito e dono de uma votação superior a 1 milhão de votos.

Na segunda, quatro anos depois, aparece como candidato ao Senado com 456 mil votos e sem mandato eletivo para 2027. A comparação não mede, por si só, as razões da mudança. Mas evidencia o tamanho da distância entre o desempenho de 2022 e o resultado de 2026.

Para quem chegou ao segundo mandato no Executivo estadual com 56,65% dos votos válidos, terminar quatro anos depois com 11,89% na disputa pelo Senado representa uma mudança significativa no mapa eleitoral de Wilson Lima. O resultado coloca em discussão uma questão que vai além da derrota deste domingo: o que aconteceu, ao longo desses quatro anos, com a força eleitoral que levou Wilson Lima a mais de 1 milhão de votos?

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