Manaus, 5 de outubro de 2026
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Manaus, 5 de outubro de 2026

Cenário

Wilson Lima pode quebrar histórico de ex-governadores eleitos ao Senado no AM

Caso as projeções se confirmem nas urnas, Wilson Lima poderá interromper uma sequência de três décadas de ex-governadores eleitos para o Senado.

(Foto: Alex Pazuello/Secom)

Manaus (AM) – O ex-governador Wilson Lima (União Brasil) pode ser o primeiro governador do Amazonas, entre os casos recentes, a renunciar ao cargo para disputar o Senado e não conseguir se eleger, caso a tendência apontada pelas pesquisas se confirme nas urnas neste domingo (4).

O movimento de Wilson reproduziu uma estratégia já adotada por outros três governadores do Amazonas. Amazonino Mendes, Eduardo Braga e Omar Aziz deixaram o comando do Estado para concorrer ao Senado e, nos três casos, conseguiram se eleger.

Amazonino Mendes renunciou ao governo em 1990 e foi eleito senador naquele ano com 63,36% dos votos válidos. Eduardo Braga deixou o governo em 2010 para disputar uma das duas vagas ao Senado e também venceu, com 42,07% dos votos válidos. Já Omar Aziz renunciou ao Executivo em 2014 e foi eleito senador com 58,51% dos votos válidos.

Wilson Lima, por sua vez, renunciou ao governo do Amazonas em abril de 2026, no limite do prazo de desincompatibilização, para viabilizar a candidatura ao Senado. A decisão ocorreu depois de o então governador ter sinalizado que permaneceria no cargo até o fim do mandato. Com a saída de Wilson e do vice-governador Tadeu de Souza, o presidente da Assembleia Legislativa, Roberto Cidade, assumiu o governo.

A diferença em relação aos antecessores está no cenário eleitoral encontrado por Wilson na reta final da campanha. As pesquisas mais recentes colocaram o ex-governador fora das duas primeiras posições, justamente em uma eleição na qual o Amazonas escolherá dois senadores. Na Quaest divulgada neste sábado (3), Wilson aparece em quarto lugar entre os candidatos, com 15% dos votos válidos, atrás de Eduardo Braga, com 36%, Capitão Alberto Neto, com 25%, e Plínio Valério, com 22%.

Além da Quaest, outros levantamentos recentes também mostram Wilson Lima em situação desfavorável na disputa pelo Senado. Pesquisa presencial do Ipen aponta o ex-governador com a maior rejeição entre os candidatos: 21,5% dos entrevistados afirmaram que não votariam nele de jeito nenhum. Alberto Neto aparece em seguida, com 11,5%, enquanto Eduardo Braga registra 9,9% de rejeição. O levantamento ouviu 1.200 eleitores entre os dias 18 e 25 de setembro.

Já a pesquisa DMP, registrada no TSE sob o número AM-06642/2026, também coloca Wilson fora das duas vagas. No cenário consolidado, Eduardo Braga lidera com 35,7% dos votos válidos, seguido por Alberto Neto, com 20,5%, e Plínio Valério, com 18,3%. Wilson aparece novamente em quarto lugar, com 17,7%.

Desgaste

A campanha de Wilson sofreu um período marcado por forte desgaste político. Parte das críticas esteve relacionada à condução da saúde pública, especialmente durante a pandemia da Covid-19, quando o Amazonas enfrentou uma das mais graves crises sanitárias de sua história.

A disputa de 2026 coloca Wilson Lima diante de um desafio inédito dentro desse recorte histórico. Amazonino, Braga e Omar deixaram o governo e conseguiram transformar a passagem pelo Executivo em uma vaga no Senado. Wilson também abriu mão do cargo para buscar uma cadeira, mas chega ao dia da votação aparecendo em quarto lugar na principal pesquisa citada na reta final.

Se esse cenário se confirmar nas urnas, o resultado interromperá uma sequência de três vitórias de ex-governadores que adotaram o mesmo caminho e transformará a eleição de 2026 em um ponto fora da curva na história recente das disputas entre ex-chefes do Executivo estadual e o Senado no Amazonas.

A definição, porém, ocorrerá somente com a apuração oficial dos votos. A pesquisa mede o cenário eleitoral no período em que os entrevistados foram ouvidos e não antecipa o resultado da eleição.

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