Manaus, 7 de julho de 2026
×
Manaus, 7 de julho de 2026

Política

Ex-ministro do Planejamento, Reis Velloso morre aos 87 anos

Velloso foi ministro entre 1969 e 1979, durante a ditadura militar, e estava com a saúde fragilizada nos últimos meses.

***ARQUIVO*** RIO DE JANEIRO, RJ, 08.12.1999: O ex-ministro do Planejamento (governos Médici e Geisel), João Paulo dos Reis Velloso, durante o fórum "Rumos do Mercado de Capitais no Brasil", no Rio de Janeiro (RJ). (Foto: Alexandre Campbell/Folhapress)

Faleceu na manhã de terça-feira (19), aos 87 anos, o economista João Paulo dos Reis Velloso. Ex-ministro do Planejamento entre 1969 e 1979, durante a ditadura militar, estava com a saúde fragilizada nos últimos meses e morreu de causas naturais em sua casa, no Rio de Janeiro.

***ARQUIVO*** RIO DE JANEIRO, RJ, 08.12.1999: O ex-ministro do Planejamento (governos Médici e Geisel), João Paulo dos Reis Velloso, durante o fórum “Rumos do Mercado de Capitais no Brasil”, no Rio de Janeiro (RJ). (Foto: Alexandre Campbell/Folhapress)

Sempre muito ativo na vida pública, o economista foi o idealizador do Fórum Nacional, que buscava fomentar o debate sobre temas caros ao crescimento do país. Anualmente, a instituição apartidária promovia um debate no Rio de Janeiro, batizado como “fórum do Reis Velloso”.

“O Fórum reflete a enorme preocupação que ele sempre teve com o desenvolvimento do país e sua personalidade liberal, que o levava a tentar promover debates plurais”, diz o economista Fernando Veloso, pesquisador da FGV-Rio e sobrinho do ex-ministro.

As reuniões ficaram famosas por abrigar de empresários a presidentes da República de todos os matizes ideológicos.
Nos últimos dois anos, a fragilidade da saúde do ex-ministro levou seu irmão, o também economista Raul Velloso, a assumir o Fórum, com a ajuda de Fernando.

Apesar dos limites físicos causados pela idade avançada, Reis Velloso seguia ativo intelectualmente. Trabalhava no projeto de um livro sobre desenvolvimento econômico que não chegou a concluir.

Também foi autor de livros sobre história e teologia.

Segundo Fernando Veloso, a grande preocupação do ex-ministro era em relação à falta de um projeto de longo prazo para o país. “Ele sentia que o Brasil havia perdido o rumo do desenvolvimento e que a própria ideia de desenvolvimento tinha se perdido.”

Apesar disso, diz, Reis Velloso não era um saudosista da ditadura militar. “Ele sempre teve apreço pela democracia.”

O economista ressalta ainda a enorme contribuição que Reis Velloso deu ao país participando ativamente do desenho de importantes instituições como a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) e o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

Além de elaborar seu projeto de criação, a pedido do então ministro do Planejamento Roberto Campos, o economista foi o primeiro presidente do Ipea durante as gestões de Humberto Castelo Branco e Artur da Costa e Silva.

Depois de atuar como secretário-geral do Ministério do Planejamento ainda no governo Costa e Silva, Reis Velloso acabou assumindo o comando da pasta quando Emílio Garrastazu Médici se tornou presidente, no fim de 1969.

No período, porém, era ofuscado pelo então todo-poderoso ministro da Fazenda, Antônio Delfim Netto. O jogo mudou quando Médici foi sucedido por Ernesto Geisel e Delfim foi substituído por Mario Henrique Simonsen.

Uma das primeiras providências de Velloso foi convencer Geisel de que a pasta de Planejamento deveria se transformar em um órgão da presidência da República.

“Virou a Secretaria de Planejamento da Presidência da República”, contou Velloso à Folha de S.Paulo em 2014, batendo com a caneta na mesa para enfatizar a importância da instituição que passou a comandar. “Então, ninguém se metia a besta comigo”, concluiu.

Durante a conversa, parte de um especial da Folha de S.Paulo sobre os 50 anos do golpe de 1964, Velloso atribuiu à herança deixada por medidas da gestão de Delfim as dificuldades econômicas encaradas por Geisel.

“Com isso se criou o que eu chamo de o ovo da serpente”, disse em referência ao filme de Ingmar Bergman.

Em 2014, Delfim refutou a crítica. “O Velloso é um grande amigo, competentíssimo, mas está com a memória muito ruim. Quem quebrou o Brasil foi o Geisel”, disse à Folha de S.Paulo.

Reis Velloso era casado com Isabel, com quem tinha dois filhos, além de um terceiro de união anterior. Em nota, o Ipea diz que ele dedicou a vida a propor soluções para tornar o Brasil um país desenvolvido.

*Informações retiradas da Folhapress