(Foto: Divulgação/Redes Sociais)
Manaus (AM) – Manaus amanheceu encoberta por uma densa camada de fumaça nesta sexta-feira (9), e a Defesa Civil emitiu um alerta de risco severo devido à piora da qualidade do ar. O órgão recomendou o uso de máscaras, preferencialmente dos tipos PFF2 ou N95, além de evitar a exposição prolongada à fumaça e manter a hidratação.
A situação levou à suspensão das aulas presenciais da rede municipal de ensino. A Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e outras instituições também anunciaram medidas para reduzir a exposição de estudantes e servidores à poluição.
Dados divulgados sobre o monitoramento da qualidade do ar apontaram concentração elevada de partículas finas na capital. Essas partículas podem penetrar profundamente nos pulmões e agravar problemas respiratórios e cardiovasculares.
Qualidade do ar preocupa moradores
A fumaça que encobre Manaus está associada às queimadas registradas no Amazonas e em municípios da Região Metropolitana. Em levantamento divulgado nesta semana, a Prefeitura apontou Itacoatiara como uma das principais áreas de origem da fumaça que chegou à capital.
Na quarta-feira (7), a qualidade do ar em Manaus já havia sido classificada como “muito ruim”, segundo medições divulgadas pelo município. O cenário reforçou as recomendações para evitar atividades físicas ao ar livre e reduzir a exposição à fumaça.
MPAM investiga possíveis origens da fumaça
O Ministério Público do Amazonas (MPAM) realizou uma inspeção em uma área do Distrito Industrial 2, em Manaus, apontada como possível origem de parte da fumaça que atingiu a capital.
A vistoria busca reunir informações sobre o incêndio e identificar eventuais responsáveis. No entanto, a investigação não permite atribuir toda a fumaça registrada na cidade a um único local, já que outras queimadas também ocorrem no Amazonas e em municípios próximos.
Amazonas registra milhares de focos de queimadas
O avanço das queimadas amplia a preocupação com a qualidade do ar no estado. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) reunidos pelo Portal AM1 apontaram 31.885 focos de calor no Amazonas entre os dias 5 e 9 de outubro.
Lábrea liderou os registros estaduais, com 5.497 focos, seguida por Boca do Acre, com 3.810. Autazes contabilizou 3.431 e Itacoatiara, 2.660. Os números ajudam a dimensionar a pressão dos incêndios sobre diferentes regiões do estado, embora os focos detectados por satélite não correspondam necessariamente a incêndios distintos.
Governo reforça ações de combate ao fogo
Entre as medidas anunciadas pelo governo estadual está o uso de uma aeronave Thrush S2R-510 para apoiar as operações do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil. O equipamento tem capacidade para transportar e lançar até 1.930 litros de água por operação.
As ações também incluem a Operação Amazonas+Verde, com servidores e brigadistas mobilizados em municípios do estado. O governo estabeleceu ainda restrições ao uso do fogo por meio do Decreto nº 55.339/2026, que prevê proibição por 120 dias, ressalvadas as exceções estabelecidas na legislação.
A efetividade das medidas de prevenção e combate às queimadas também entrou no radar dos órgãos de controle. O Ministério Público de Contas do Amazonas encaminhou ao Tribunal de Contas do Estado uma representação para apurar a suficiência das ações públicas diante do avanço dos focos de calor e da poluição atmosférica.
Veja como se proteger da fumaça
A Defesa Civil recomenda reduzir o tempo ao ar livre, evitar exercícios físicos em áreas afetadas e utilizar máscaras PFF2 ou N95 quando for necessário sair de casa. Também é importante manter a hidratação e redobrar os cuidados com crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares.
A exposição à fumaça pode provocar irritação nos olhos e na garganta, tosse e dificuldade para respirar. Em caso de agravamento dos sintomas, a orientação é procurar atendimento de saúde.
Em caso de incêndio, a população pode acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193. Denúncias de queimadas ilegais podem ser encaminhadas ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), pelo WhatsApp (92) 98557-9454. A Defesa Civil atende pelo número 199.
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