Manaus, 15 de outubro de 2026
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Manaus, 15 de outubro de 2026

Cenário

Omar x Maria: por que 2026 não é 2018?

Segundo turno no Amazonas tem semelhanças com a disputa entre Wilson Lima e Amazonino Mendes, mas cenário atual apresenta diferenças na vantagem eleitoral, alianças e influência do voto bolsonarista.

Omar Aziz e Maria do Carmo disputam o segundo turno pelo Governo do Amazonas, em uma eleição marcada por diferenças em relação ao cenário de 2018 (Foto: Divulgação / IA/ Montagem Portal AM1)

Manaus (AM) — A dez dias do segundo turno das Eleições para o Governo do Amazonas, a disputa entre Omar Aziz (PSD) e Professora Maria do Carmo (PL) apresenta alguns elementos que lembram a eleição de 2018, quando Wilson Lima (PSC) e Amazonino Mendes (PDT) chegaram à etapa decisiva. Apesar das semelhanças, os números e a configuração política de 2026 mostram um cenário diferente.

Em 2018, Wilson Lima chegou ao segundo turno em primeiro lugar, com 33,89% dos votos válidos, enquanto Amazonino Mendes terminou a primeira etapa com 32,59%. A diferença era de apenas 1,05 ponto percentual. No segundo turno, entretanto, Wilson conseguiu ampliar sua votação e foi eleito com 58,5% dos votos válidos, contra 41,5% de Amazonino.

Em 2026, a situação é distinta. Omar Aziz terminou o primeiro turno na liderança, com 841.846 votos (40,63%), enquanto Maria do Carmo obteve 507.335 votos (24,49%). A diferença entre os dois foi de 334.511 votos, uma distância muito maior do que a registrada entre Wilson e Amazonino na primeira etapa de 2018.

A força do segundo turno

A principal questão agora é saber se Maria do Carmo conseguirá transformar o segundo turno em uma nova eleição, como ocorreu com Wilson Lima em 2018.

O desafio matemático é significativo. Além da vantagem de Omar, a candidata do PL precisa conquistar parte expressiva dos votos que foram destinados aos candidatos eliminados no primeiro turno, principalmente Roberto Cidade (União Brasil) e David Almeida (Avante).

Omar terminou a primeira etapa com 40,63% dos votos válidos, enquanto Maria ficou com 24,49%. Roberto Cidade alcançou 21,91% e David Almeida, 10,59%. Juntos, os dois candidatos que ficaram fora do segundo turno receberam uma parcela relevante do eleitorado que agora precisa escolher entre os dois finalistas.

A diferença também aparece territorialmente. Omar foi o mais votado em sete dos dez maiores colégios eleitorais do Amazonas, enquanto Maria venceu em Manaus e Humaitá. Na capital, maior colégio eleitoral do Estado, Maria teve 32,89% dos votos válidos, contra 31,44% de Omar.

Pesquisas mostram vantagem de Omar

Os levantamentos realizados depois do primeiro turno também apontam vantagem do candidato do PSD. Na pesquisa PoderData, divulgada em 12 de outubro, Omar aparece com 56% dos votos válidos, contra 44% de Maria do Carmo. No cenário com votos brancos, nulos e indecisos, o senador registra 52%, enquanto a candidata do PL tem 42%.

Já a primeira pesquisa Quaest do segundo turno, divulgada em 13 de outubro, mostrou Omar com 51% das intenções de voto, contra 37% de Maria. Brancos, nulos e eleitores que não pretendem votar em nenhum dos dois somaram 6%, enquanto outros 6% não souberam ou não responderam.

Considerando somente os votos válidos, a Quaest aponta 58% para Omar e 42% para Maria do Carmo. O levantamento ouviu 1.098 eleitores entre os dias 9 e 12 de outubro, com margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

O peso do bolsonarismo

Maria do Carmo aposta em uma estratégia diferente da adotada por Wilson Lima em 2018: a candidata do PL busca mobilizar o eleitorado identificado com o bolsonarismo e transformar a eleição estadual em uma disputa também influenciada pela polarização nacional.

A estratégia encontra respaldo no desempenho eleitoral da candidata. Maria foi a mais votada em Manaus, onde obteve 371.008 votos, enquanto Omar registrou 354.664.

O problema é que a força do voto bolsonarista na capital não necessariamente se transforma, de forma automática, em vitória para uma candidatura estadual. O próprio histórico recente de Manaus mostra isso.

Em 2024, Capitão Alberto Neto (PL), apoiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, chegou ao segundo turno contra David Almeida. Mesmo com a força do bolsonarismo na capital, David venceu a eleição com 54,59% dos votos válidos, contra 45,41% de Alberto Neto.

2018, 2024 e 2026

A comparação entre os três pleitos ajuda a entender por que uma eventual virada de Maria do Carmo não pode ser descartada, mas também não pode ser tratada como repetição automática de 2018.

Em 2018, Wilson Lima tinha uma diferença mínima para Amazonino no primeiro turno e conseguiu ampliar significativamente sua votação na segunda etapa. A disputa foi marcada pelo discurso de renovação contra um candidato que carregava longa trajetória política.

Em 2024, Manaus mostrou que o eleitorado identificado com Bolsonaro poderia levar um candidato do PL ao segundo turno, mas não garantir sua vitória. David Almeida conseguiu reunir apoios e venceu Alberto Neto mesmo diante da presença de Bolsonaro na campanha.

Em 2026, Omar parte de uma vantagem eleitoral muito maior sobre a adversária e conta com uma rede política que ultrapassa seu próprio partido. Maria, por sua vez, tenta ampliar o eleitorado a partir do discurso de mudança e da identificação com o campo bolsonarista.

A importância das alianças

Outro fator que diferencia a atual eleição é a movimentação das forças políticas depois do primeiro turno. Omar recebeu apoio de diferentes setores políticos e ampliou seu arco de alianças na segunda etapa. Entre os movimentos recentes está o apoio do senador reeleito Plínio Valério, que declarou voto no candidato do PSD. Confira no Portal AM1 a declaração de apoio de Plínio Valério a Omar Azizportante porque o segundo turno reduz a disputa a apenas dois nomes. Os candidatos eliminados e suas lideranças passam a ter peso maior, assim como a capacidade dos finalistas de incorporar diferentes grupos políticos sem perder a identidade apresentada durante o primeiro turno.

Três cenários possíveis

A partir dos resultados das urnas e das pesquisas disponíveis, três cenários podem ser considerados para os próximos dez dias. O primeiro é a manutenção da vantagem de Omar. Nesse cenário, o candidato do PSD preserva a maior parte de sua votação, absorve parte dos votos dos adversários derrotados e chega ao dia 25 de outubro mantendo a liderança apontada pelas pesquisas.

O segundo é uma redução significativa da diferença. Maria precisaria ampliar sua votação, principalmente entre eleitores de Roberto Cidade, David Almeida e aqueles que não definiram o voto. A candidata também teria de transformar sua vantagem na capital em crescimento no interior.

O terceiro é uma virada. É o cenário mais difícil matematicamente, mas a experiência de 2018 mostra que uma diferença no primeiro turno não determina, sozinha, o resultado final. Para isso, Maria precisaria combinar transferência expressiva de votos, mobilização do eleitorado bolsonarista, crescimento entre eleitores ainda indecisos e uma forte estratégia de campanha na reta final.

Por outro lado, Omar precisará evitar a acomodação provocada pela vantagem nas pesquisas. A diferença atual é relevante, mas ainda existem dez dias de campanha e um segundo turno pode alterar comportamentos, principalmente entre eleitores que ainda não consideram o voto definitivo.

A eleição, portanto, ainda não está decidida. O que os números mostram neste momento é uma vantagem consistente de Omar Aziz. Para Maria do Carmo, a tarefa é transformar a força eleitoral conquistada no primeiro turno em uma coalizão capaz de superar uma diferença de mais de 334 mil votos.

O segundo turno acontece em 25 de outubro. Até lá, a disputa será menos sobre quem conseguiu chegar à frente no primeiro turno e mais sobre quem terá capacidade de ampliar sua base, conquistar os votos dos candidatos derrotados e mobilizar o eleitorado que ainda não escolheu um lado.

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