Manaus, 18 de outubro de 2026
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Cenário

Fumaça em Manaus pode agravar doenças respiratórias e elevar riscos cardiovasculares

Especialista cita riscos respiratórios e cardiovasculares e recomenda reduzir a exposição durante períodos de poluição elevada.

(Foto: Isac Sharlon/Portal AM1)

Manaus (AM) – A exposição à fumaça e ao material particulado presente no ar pode provocar irritação na garganta, tosse seca, ardência nos olhos e falta de ar, além de aumentar os riscos de doenças respiratórias e cardiovasculares a longo prazo. O alerta é do médico pneumologista David Luniere, que recomenda reduzir a exposição durante períodos de alta concentração de poluentes.

A orientação ocorre após Manaus amanhecer encoberta por fumaça no sábado (17). O Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) classificou a qualidade do ar como péssima em diversas áreas da capital. Às 8h10, uma estação na zona leste registrou 511,8 microgramas de material particulado por metro cúbico. Petrópolis chegou a 498 e Aleixo, a 450 microgramas por metro cúbico.

Por volta das 8h05, a Defesa Civil enviou um alerta severo diretamente aos celulares dos moradores, com orientações de segurança. Os índices registrados superaram as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que estabelece limites de 5 microgramas por metro cúbico para a média anual e 15 para a média de 24 horas.

Sintomas imediatos e grupos vulneráveis

Segundo Luniere, os primeiros efeitos da exposição incluem garganta seca e irritada, rouquidão, sangramento nasal, espirros, obstrução nasal e olhos vermelhos, lacrimejantes e com coceira. Pessoas mais sensíveis também podem apresentar falta de ar e aperto no peito.

“Os principais sintomas manifestados pela população geral frente a essa fumaça num primeiro momento são garganta irritada, seca, com tosse seca e irritativa”, explica o pneumologista.

Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias estão entre os grupos mais vulneráveis. De acordo com o médico, a exposição pode agravar doenças preexistentes, como asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), enfisema pulmonar e bronquite crônica. Ele também menciona a possibilidade de infecções respiratórias, como pneumonia, amigdalite e sinusite.

Exposição prolongada aumenta preocupação

Luniere alerta que os efeitos da fumaça não se restringem aos sintomas imediatos. Segundo ele, a inalação contínua de partículas pode provocar inflamação no organismo e aumentar o risco de problemas cardiovasculares.

“A exposição prolongada a esses particulados leva um quadro de inflamação no nosso corpo. É o mesmo efeito que causa a pessoa que fuma”, afirma.

O pneumologista explica que esse processo pode afetar os vasos sanguíneos e favorecer a aterosclerose, caracterizada pelo acúmulo de gordura nas paredes dos vasos. Entre as possíveis consequências, ele cita acidente vascular cerebral (AVC), infarto, trombose nas pernas e embolia pulmonar.

“Uma pessoa que nunca fumou pode desenvolver doença respiratória com necessidade de uso de medicação para o resto da vida”, alerta. O médico também menciona possíveis riscos de câncer nas vias aéreas superiores, na garganta e nos pulmões.

Entre os grupos que exigem atenção, Luniere destaca idosos, pessoas com diabetes, obesidade e doenças autoimunes. Ele ressalta ainda que a exposição prolongada pode trazer consequências futuras para os mais jovens.

Como se proteger da fumaça

A principal recomendação do pneumologista é evitar sair de casa sem necessidade. “Se você não tiver que sair, não saia. Só saia se realmente for muito, muito importante”, orienta.

Em casa ou no trabalho, ele recomenda manter portas e janelas fechadas, vedar frestas e, quando possível, utilizar umidificadores ou purificadores de ar. Beber água e fazer nebulização com soro fisiológico também são medidas citadas pelo médico para ajudar a umidificar as vias aéreas.

Para quem precisa sair, Luniere recomenda o uso de máscaras, com preferência pela N95, e orienta evitar exercícios físicos ao ar livre, que aumentam a inalação de partículas durante a atividade.

Pessoas com doenças respiratórias devem manter as medicações habituais e buscar atendimento de emergência se os sintomas não forem controlados. O médico reforça a importância de limitar a exposição enquanto persistirem as condições de poluição.

“Porque a gente não sabe quanto tempo vai durar essa fumaça”, conclui.

 

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