Wilson Lima, ex- governador do Amazonas (Foto: Alex Pazuello/Secom)
A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta terça-feira (20), a Operação Verniz para investigar suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo a compra de R$ 574,5 mil em móveis destinados a uma residência utilizada pelo ex-governador do Amazonas, Wilson Lima (União Progressista).
A investigação busca esclarecer a origem dos recursos empregados na aquisição do mobiliário e a possível utilização de terceiros para ocultar os verdadeiros responsáveis pelos pagamentos.
Segundo a PF, as compras ocorreram entre fevereiro e setembro de 2020, período em que Wilson Lima exercia seu primeiro mandato como governador do Amazonas. Ao todo, foram identificados R$ 574.526,34 em aquisições de móveis para o imóvel.
Um dos principais pontos que chamaram a atenção dos investigadores foi a forma como as transações teriam sido realizadas. De acordo com a Polícia Federal, os pagamentos ocorreram em dinheiro vivo, enquanto as notas fiscais foram emitidas em nome de cinco pessoas diferentes, a maioria prestadores de serviços envolvidos na reforma da residência.
As investigações apontam que o arquiteto responsável pela obra teria intermediado tanto as compras quanto os pagamentos. Ele foi alvo de um mandado de busca e apreensão cumprido nesta terça-feira, com o objetivo de reunir documentos e outros elementos que possam esclarecer a movimentação financeira.
Desdobramentos
A Operação Verniz é um desdobramento da Operação Sangria, deflagrada em 2020 para investigar suspeitas de irregularidades e desvios de recursos públicos na área da saúde do Amazonas durante a pandemia de Covid-19.
Nesta nova fase, a Polícia Federal procura identificar a procedência do dinheiro utilizado na compra dos móveis e verificar se houve mecanismos destinados a esconder a origem, a movimentação ou o destino dos valores.
O fato de as notas fiscais terem sido emitidas em nome de pessoas diferentes também está sob análise. Os investigadores querem esclarecer se os titulares dos documentos efetivamente participaram das aquisições ou se seus dados foram utilizados para dissimular a identidade de quem financiou as compras.
Os materiais eventualmente apreendidos durante a operação serão submetidos a exames periciais e análises investigativas, que poderão ajudar a esclarecer a participação dos envolvidos e a origem dos recursos.
A Polícia Federal ainda não divulgou conclusões sobre a procedência do dinheiro nem informou a comprovação de participação direta de Wilson Lima em eventual esquema de lavagem de dinheiro. A investigação permanece em andamento.
LEIA MAIS:





