Manaus, 21 de outubro de 2026
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Manaus, 21 de outubro de 2026

Cidades

Turismo no Amazonas registra queda de 15% em agosto em meio a impactos da fumaça

Dados do IBGE apontam recuo no setor em comparação com 2025; profissionais relatam adiamento de passeios e redução na procura durante período de poluição intensa.

Praia da Lua, em Manaus, é opção para se refrescar durante verão amazônico (Foto: Divulgação/Amazonastur)

Manaus (AM) – O turismo no Amazonas registrou queda de 15% em agosto de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ocorre antes do período de maior intensidade da fumaça provocada por queimadas e incêndios florestais no estado, mas profissionais do setor relatam que a poluição atmosférica também passou a afetar a programação de visitantes.

Guias de turismo afirmam que alguns turistas têm optado por adiar passeios diante das condições do ar. Pessoas mais sensíveis à fumaça, especialmente idosos, estão entre as que demonstram maior preocupação durante a temporada de queimadas.

Segundo Jairo Félix, vice-presidente da Cooperativa de Guias e Agentes de Turismo do Estado do Amazonas (Coopguiaturam), os passeios continuam sendo realizados, mas alguns visitantes preferem aguardar uma melhora nas condições ambientais.

“Alguns passageiros que costumam passar mal acabam cancelando e não indo no passeio. Pessoas idosas e pessoas que são receosas com a questão da poluição optam por adiar um ou dois dias”, relatou.

Fumaça altera programação dos visitantes

De acordo com o representante dos guias, a situação não provoca necessariamente o cancelamento de todos os passeios. Os profissionais avaliam as condições de cada região e orientam os turistas sobre os impactos da fumaça.

Enquanto aguardam uma melhora na qualidade do ar, alguns visitantes também optam por modificar a programação e realizar atividades alternativas.

O movimento do setor, segundo Jairo, também sofre influência da sazonalidade. Os períodos de maior procura costumam ocorrer entre dezembro e fevereiro, além da temporada de pesca esportiva, que movimenta diferentes destinos do estado durante o segundo semestre.

Empresários percebem redução no fluxo

O guia de turismo Mario Sergio de Jesus, que atua há oito anos com ecoturismo e turismo de experiência, também relata redução no movimento durante o período de fumaça.

O profissional trabalha com roteiros em Manaus, Presidente Figueiredo, Iranduba e outros destinos do Amazonas. Segundo ele, turistas que chegam ao estado e encontram o céu encoberto pela fumaça acabam reconsiderando a realização de algumas atividades.

“A gente continua. A única coisa que acontece é a diminuição do fluxo de turista por conta do número das pessoas chegarem até aqui e se deparar com o Amazonas, que é considerado o melhor do mundo, tendo um dos piores do mundo [em qualidade do ar]”, afirmou.

Para o empresário, uma das alternativas para reduzir os impactos é divulgar opções de passeios que possam ser realizadas em regiões menos afetadas pela fumaça, sempre levando em consideração as condições ambientais e de segurança.

Destinos ainda recebem visitantes

Mesmo durante o período de estiagem e queimadas, destinos turísticos do Amazonas continuam recebendo visitantes. Cachoeiras, rios, praias e áreas de floresta estão entre as opções disponíveis, dependendo das condições de cada localidade.

Em Novo Airão, por exemplo, a programação turística inclui atividades culturais e experiências ligadas à floresta e aos rios. Entretanto, segundo Mário, a fumaça também acaba afetando a procura.

“Em Novo Airão a gente tem um turismo diferente, imersivo, cultural. As pessoas querem conhecer as praias, os igapós. Mas teve uma queda porque a queimada afeta independente da região”, explicou.

As redes sociais também passaram a ser utilizadas pelos profissionais para divulgar os destinos que apresentam melhores condições e informar os turistas sobre as atividades disponíveis.

Queimadas afetam rotina em Manaus

A fumaça provocada por queimadas e incêndios florestais se intensificou em Manaus no início de outubro. A capital chegou a registrar períodos consecutivos de qualidade do ar considerada ruim ou muito ruim.

A situação provocou mudanças na rotina da população, com suspensão de aulas presenciais e de atividades ao ar livre, além do aumento da procura por atendimento médico relacionado à exposição à fumaça.

Entre 1º de setembro e 14 de outubro, o Amazonas registrou 5.365 focos de incêndio, conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O número representa aumento de 195% em relação ao mesmo período de 2025.

Em 10 de outubro, o Governo do Amazonas decretou situação de emergência em 36 dos 62 municípios do estado. A medida também foi reconhecida pelo governo federal.

O cenário de estiagem, vegetação seca, altas temperaturas e baixa umidade favorece a propagação dos incêndios. A fumaça resultante das queimadas pode comprometer a qualidade do ar e também afetar atividades econômicas que dependem diretamente da presença de visitantes, como o turismo.

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