Lula e Flávio Bolsonaro participam do último debate presidencial antes do segundo turno, marcado para sexta-feira (23) (Foto: Ricardo Stuckert/PR; Evaristo Sa/AFP)
Manaus (AM) – O último debate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) antes do segundo turno das eleições presidenciais será realizado nesta sexta-feira (23), na TV Globo, sem um sistema de checagem de fatos em tempo real durante a transmissão. A decisão ocorre em meio à mobilização nas redes sociais para que a emissora adote o mecanismo após o confronto entre os candidatos realizado pela Band no domingo (18).
O debate será transmitido ao vivo, logo após o Jornal Nacional, diretamente dos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro. A mediação ficará a cargo do jornalista César Tralli. O encontro também será exibido pela GloboNews e pelo g1.
A pressão por uma checagem durante o confronto ganhou força depois do debate da Band, marcado por acusações e declarações sobre temas como economia, segurança pública e corrupção. Verificações realizadas posteriormente apontaram informações falsas, imprecisas ou exageradas nas falas dos dois candidatos.
Petição ultrapassou 300 mil assinaturas
Uma petição criada na plataforma Change.org pede que a Globo inclua uma equipe de checagem durante o debate. A iniciativa defende que informações apresentadas pelos candidatos sejam verificadas enquanto o confronto estiver no ar.
O abaixo-assinado chegou a mais de 200 mil apoiadores e, segundo levantamento publicado pela Folha, ultrapassava 312 mil assinaturas no fim da tarde de terça-feira (20).
A campanha também ganhou apoio de integrantes da comunidade acadêmica. Professores, estudantes e ex-alunos da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) divulgaram uma carta aberta defendendo a checagem em tempo real. O documento reunia mais de 12,5 mil assinaturas.
A proposta não se limita à identificação de informações falsas. Os signatários defendem critérios iguais para os dois candidatos e a apresentação de correções de forma clara ao público.
Regras foram definidas pelas campanhas
A principal dificuldade para incluir a checagem no debate está no regulamento já estabelecido para o encontro. As campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro participaram da definição das regras do confronto.
A alteração do formato exigiria uma revisão do regulamento e a concordância das duas candidaturas. Com a transmissão marcada para sexta-feira, a mudança foi considerada inviável.
A campanha de Lula, entretanto, passou a defender publicamente a possibilidade de checagem. O coordenador da campanha, senador Camilo Santana, afirmou que considera o mecanismo importante após o que classificou como declarações falsas feitas pelo adversário no debate da Band.
A sugestão também foi discutida internamente pela campanha petista, que avaliou modelos utilizados em debates internacionais. Uma das referências citadas foi o sistema utilizado nos Estados Unidos, no qual profissionais fornecem informações ao moderador para auxiliar na verificação das declarações.
Debate ocorre na reta final da eleição
O encontro será realizado apenas dois dias antes da votação do segundo turno, marcada para domingo (25). Por isso, o debate será o último confronto direto entre os dois candidatos antes da decisão dos eleitores.
O cenário eleitoral permanece apertado. Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (21) mostra Flávio Bolsonaro com 45% das intenções de voto e Lula com 44%. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados.
O levantamento ouviu 2.154 eleitores entre os dias 17 e 20 de outubro, em todas as regiões do país. A pesquisa foi encomendada pela TV Globo e pelo jornal O Globo, tem nível de confiança de 95% e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08535/2026.
O que esperar do confronto
De acordo com as regras divulgadas, o debate terá três blocos. O primeiro abordará temas regionais definidos por sorteio; o segundo terá assuntos selecionados a partir de uma lista elaborada pela emissora; e o terceiro será destinado a temas livres, seguido pelas considerações finais.
Sem uma equipe de checagem atuando durante a transmissão, eventuais informações incorretas ou imprecisas apresentadas pelos candidatos poderão ser verificadas posteriormente por veículos especializados e serviços de fact-checking.
A expectativa é de que o confronto seja uma das últimas oportunidades para Lula e Flávio Bolsonaro apresentarem propostas e tentarem conquistar os eleitores que ainda não definiram o voto antes da votação de domingo.
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