Manaus completa 357 anos neste sábado (24), celebrando sua história, cultura, sabores e belezas naturais (Foto: IA/ Montagem Portal AM1)
Manaus (AM) – Manaus completa 357 anos neste sábado (24). Para além dos números, a história da capital amazonense pode ser contada por seus mercados, pela floresta, pelos sabores, pelos animais e, principalmente, pelas pessoas que ajudam a construir diariamente a identidade da cidade.
Nascida às margens do Rio Negro, Manaus cresceu entre a tradição e a modernidade e se tornou uma das principais portas de entrada para a Amazônia. Em diferentes regiões da capital, é possível encontrar lugares que preservam parte dessa história e revelam características que fazem parte do cotidiano dos manauaras. Uma viagem pelos quatro cantos da cidade permite conhecer alguns desses cenários.
Mercado Adolpho Lisboa: tradição que atravessa gerações
No Centro Histórico de Manaus, o Mercado Municipal Adolpho Lisboa é um dos principais símbolos da cidade. O espaço reúne alimentos, produtos amazônicos, artesanato, ervas medicinais e histórias de comerciantes que passaram décadas atrás dos balcões.
Inaugurado em 1883, o mercado possui estrutura de inspiração europeia e se tornou um dos pontos tradicionais de comercialização de produtos da região.
Entre peixes, frutas, temperos e ervas, também estão histórias como a de Seu Geraldo, da Peixaria do Geraldo. Ele conta que chegou ao mercado ainda criança, aos oito anos, acompanhando o pai na venda de peixes. Décadas depois, permaneceu no local e construiu ali parte de sua trajetória profissional e familiar.
A gastronomia é uma das marcas do mercado. Entre os pratos experimentados durante a visita está o jaraqui, peixe bastante presente na culinária regional.
O espaço também preserva conhecimentos ligados à medicina tradicional. O Seu João Batista, conhecido como pajé, mantém uma banca com ervas e produtos utilizados tradicionalmente na região. O mercado reúne ainda peças de artesanato indígena e regional, como cocares, colares, esculturas e objetos produzidos com sementes e palhas.
Musa: floresta dentro da cidade
Da região central, a viagem segue para a Zona Norte, onde está o Museu da Amazônia (Musa). Localizado na Reserva Florestal Adolpho Ducke, o espaço permite ao visitante entrar em contato direto com a floresta e conhecer parte da biodiversidade amazônica. O local reúne exposições, trilhas e espaços voltados à ciência, à cultura e à educação ambiental.
Entre as atrações estão áreas dedicadas a aracnídeos e serpentes, além de espécies da flora amazônica. O passeio também proporciona contato com árvores e plantas características da região.
Um dos pontos de destaque é a torre de 42 metros de altura, de onde é possível observar a floresta e parte da cidade. O espaço também é procurado por turistas, estudantes e pesquisadores.
Para visitantes que chegam de outras partes do país, a experiência representa uma oportunidade de conhecer de perto uma paisagem que muitas vezes só aparece em livros, fotografias e programas de televisão.
Foi o caso de visitantes de Santa Catarina que conheceram o Musa e se emocionaram ao encontrar elementos da Amazônia estudados ainda na escola, como a vitória-régia.
Feira do Produtor: sabores e trabalho na Zona Leste
Na Zona Leste, no bairro Jorge Teixeira, a Feira do Produtor mostra outro lado da identidade de Manaus: o trabalho de agricultores, feirantes e comerciantes que movimentam a economia local.
O espaço reúne cerca de 800 trabalhadores diretos e indiretos e funciona como um importante ponto de comercialização e distribuição de produtos na Zona Leste de Manaus.
Nas bancas, é possível encontrar cheiro-verde, farinha, goma de mandioca, pimenta, abacaxi, açaí e outros produtos que fazem parte da alimentação do amazonense.
Um dos personagens dessa história é Seu Francisco, conhecido como Paraíba, um dos fundadores da feira. Ele chegou a Manaus vindo do Nordeste e participou da transferência da feira para a região, em 1995.
Com o crescimento da população do entorno, o espaço ganhou força e passou a desempenhar também um papel econômico para a Zona Leste, abastecendo outras feiras e mercados da capital.
Mais do que um ponto de comércio, a feira representa trajetórias de trabalhadores que construíram suas vidas em Manaus e ajudaram a transformar o local em uma referência para moradores da região.
CIGS: biodiversidade no coração de Manaus
Na Zona Oeste, no bairro São Jorge, o Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS) abriga um dos espaços de visitação que aproximam moradores e turistas da fauna amazônica.
Criado pelo Exército em 1964, o CIGS também abriga um zoológico que recebe visitantes de diferentes idades e desempenha papel relacionado à conservação e à educação ambiental.
No local, os visitantes podem observar espécies como onças, araras, gaviões-reais, antas, serpentes, jabutis, capivaras e macacos.
O Zoológico do CIGS também exerce um importante papel no acolhimento e cuidado de animais silvestres resgatados. Muitos chegaram ao espaço após situações de tráfico, maus-tratos ou outras ocorrências e, devido às condições físicas, não podem mais ser devolvidos à natureza.
Para famílias e estudantes, a visita acaba se transformando também em uma oportunidade de conhecer mais sobre a fauna amazônica e refletir sobre a importância da preservação da floresta.
Uma cidade que se reconhece nos detalhes
Ao percorrer diferentes regiões de Manaus, a história da cidade aparece em lugares distintos, mas conectados pela mesma identidade.
Está no peixe vendido no mercado, na farinha e no açaí da feira, nas ervas da medicina tradicional, no artesanato indígena, nas trilhas da floresta e nos animais acolhidos pelo CIGS.
Está também na memória de quem chegou de outras partes do Brasil e encontrou em Manaus um lugar para construir a própria vida.
A cidade que completa 357 anos carrega, portanto, uma história que não está apenas nos monumentos e prédios históricos. Ela também está nas pessoas que trabalham, empreendem, preservam tradições e mantêm vivas as características que fazem da capital amazonense um lugar singular.
Neste 24 de outubro, Manaus celebra mais um aniversário olhando para sua história, mas também para aquilo que continua sendo construído todos os dias: uma cidade onde natureza, cultura, gastronomia, turismo e diferentes histórias de vida se encontram.
Manaus, 357 anos de história, cultura e identidade amazônica.
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